ACEITAÇÃO

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Hoje acordei refletindo sobre aceitação. Tanto dos outros, como de nós mesmos.

Estava pensando em como cobramos das pessoas comportamentos e atitudes, sempre de acordo com nossos padrões e valores. Queremos que os outros sejam iguais a nós.

Temos dificuldades em aceitar os outros como eles são. Queremos moldá-los à nossa imagem e semelhança, como se nós fôssemos modelos de perfeição. E somos?

Não, nenhum de nós é perfeito, em absoluto.
Todos somos imperfeitos, e muito. Todos temos qualidades, sim, mas também temos defeitos, temos limitações várias, vícios e virtudes, porque somos simplesmente humanos, seres em evolução.

É tão difícil aceitar os outros. É tão difícil conviver com os diferentes de nós. Isso porque nos consideramos o modelo. Pura pretensão, pura vaidade e orgulho.

Jesus ensinava que devemos amar o próximo como a nós mesmos. E para amar o próximo, o outro, normalmente diferente de nós, pois não somos clones uns dos outros, é preciso que nos amemos antes.

Quem não se ama não pode amar o outro, porque enxerga a vida e as pessoas com olhos embaçados, e muito condicionados na forma de amar limitada.

Amar a si mesmo passa necessariamente pela autoaceitação. Se não nos aceitamos, como somos de verdade, não nos amaremos verdadeiramente. E não poderemos, consequentemente, amar o outro, o diferente.

Aceitar-se implica em reconhecermos nossos defeitos, nossos limites, nossos condicionamentos, nossa ignorância, nossa impaciência, nosso orgulho, nossa vaidade, etc.

Mas aceitar-se não quer dizer necessariamente acomodar-se no vício, nas limitações, etc. Aceitar-se é reconhecer como somos de verdade, mas isso não afasta o esforço de mudança.

Aceitar-se apenas implica em não rejeitar-se a si próprio, em não odiarmos o que efetivamente somos por dentro.

A aceitação é uma atitude mental, interior, da alma, que olha para dentro de si mesma e se reconhece como um ser cheio de defeitos e vícios, com qualidades também, e que não se revolta consigo mesma, não se maltrata por causa do que vê e não gosta dentro de si mesma.

A aceitação deve ser um movimento interno da alma na direção da evolução superior.

Quem não se aceita, não aceita o outro, porque quem não se ama não pode amar o outro com leveza de alma.

Precisamos nos aceitar de verdade, olhando diariamente para nós mesmos, num mergulho interior sincero e profundo, enxergando tudo o que temos dentro de nós, sem esconder absolutamente nada.

Quem tenta esconder seus defeitos para si mesmo acabará tendo que esconder também para os outros. E isso gera um grande estresse para a mente.

É preciso ser verdadeiro, o tempo todo, sem representar papéis. Não podemos ser uma pessoa em casa e outra na escola, no trabalho, na rua, ou em qualquer outro lugar. Isso é mentira, isso é falsidade, isso é fraude.

Aceitar-se é um grande passo na existência do espírito. Aceitar-se como viciado em álcool, em uma droga qualquer, em tabaco, em sexo, etc. Aceitar-se pura e simplesmente. E então, se não gostar do que descobrir dentro de si mesmo, movimentar-se na direção da mudança. Colocar a mente e o coração para trabalharem na mudança interior, na mudança de padrões, na mudança de comportamento, de maneira de ser, etc.

Aceitar o outro como ele é. Isso é outra coisa importante, pois facilita muito as relações sociais.

Quando não aceitamos o outro, seja o irmão, o filho, o esposo ou a esposa, o colega de trabalho ou de escola, o vizinho, etc, tudo se complica e fica mais difícil, porque então passamos a cobrar do outro um padrão de comportamento que não é natural nele. Procuramos transformar o outro em um outro “eu”.

Mas não há um outro “eu” igual a mim. Eu sou único. Todos nós somos únicos, cada um à sua maneira, com seus defeitos e qualidades, vícios e virtudes. Ninguém é perfeito, mas ninguém é o diabo.

Não somos nem deuses nem demônios. Não somos anjos ainda, nem devemos ter a pretensão de ser anjos por hora, pois todos nós aqui neste planeta ainda temos uma longa, muito longa jornada de aprendizado, de estudo, de vivência, até nos libertarmos de todos os nossos entraves evolutivos.

Ainda precisamos trabalhar o nosso orgulho, por menor que achemos que ele seja, pois todos ainda temos alguma forma de orgulho, mesmo disfarçada e não identifica, nem reconhecida ainda, porque o próprio orgulho nos impede de enxergá-lo.

Todos nós ainda temos vaidade, em maior ou menor grau, e só os muito vaidosos acham que não possuem mais nenhuma vaidade.

Lembro-me de um velho amigo, que não vejo há muito anos, que dizia uma frase que demonstra, de forma engraçada, como o orgulhoso não enxerga o seu orgulho.

Um homem teria dito a outras pessoas a seguinte frase: “Eu sou humilde, muito humilde, mas tão humilde que me orgulho da minha humildade”.

Ora, quem se orgulha da sua humildade na verdade não é humilde coisa alguma, mas apenas um vaidoso disfaçado, ou iludido consigo mesmo, apenas um pretenso humilde, mas ainda vaidoso, que se orgulha de uma suposta virtude, como a humildade.

Assim somos nós. Muitas vezes nos orgulhamos de nossas virtudes, achando que elas são mesmo virtudes, e muitas vezes elas são apenas ilusões, como a falsa humildade da frase acima transcrita.

É preciso aceitar os outros de forma verdadeira, exatamente como cada um é. Só isso é aceitação de verdade.

Aceitar-se como alguém que não enxerga, porque nasceu cego ou perdeu a visão ao longo da vida; aceitar-se como alguém que nasceu surdo ou perdeu a audição; aceitar-se como alguém que nasceu sem um membro, ou o perdeu em um acidente ou por causa da diabetes; aceitar-se como alguém que tem uma doença rara e incurável, que o levará fatalmente à morte, etc.

Aceitar os limites físicos momentâneos, acreditando que em breve, muito breve mesmo, pois a vida passa muito rápida, o corpo será recomposto, restaurado. Falo do corpo espiritual.

O velho remoçará; o paralítico voltará a andar, e até voará; o cego voltará a enxergar perfeitamente; o louco recobrará o equilíbrio.

As limitações da matéria serão vencidas na outra vida, no mundo espiritual, acredite nisso. E aceite o que você não é capaz de mudar agora.

A aceitação, em vez da revolta, nos dá mais leveza na vida, mais suavidade, mais tranquilidade de espírito.

Quem se aceita, quem aceita seus limites, físicos e mentais, vive mais tranquilo. E isso permite a aceitação do outro com todos os seus defeitos físicos e mentais, com todos os seus vícios, e com todas as suas limitações.

Amar, amar de verdade, traz embutido, no próprio sentimento, a capacidade de aceitação de si mesmo e também do outro.

Jesus amava a todos, e por isso aceitava cada um do seu jeito.

Pregar um caminho, uma filosofia, um jeito de ser, como Jesus fazia, não quer dizer impor mudanças, mas apenas sugeri-las, incentiva-las. E era isso o que Jesus fazia.

Orientava, aconselhava, recomendava, sugeria, mas nunca obrigava os outros a serem como ele mesmo, porque sabia que isso não seria possível. Ele estava muito acima de nós, na escala evolutiva. Mas mostrou um caminho que pode acelerar o nosso progresso espiritual, e nos levar aos céus.

Aceitemos o nosso próximo de verdade, do jeitinho que cada um é, chato, segundo nosso ótica, ranzinza, medroso, orgulhoso, cobrador, egoísta, vaidoso, ingrato, etc, porque assim estaremos nos aproximando mais dele, e ele de nós, e isso permitirá uma troca salutar de conhecimentos, de experiências, e tudo fará com que todos nós cresçamos de verdade, e nos amemos realmente.

Aceitar o próximo como a si mesmo, e amar o próximo como a si mesmo. As duas coisas são inseparáveis.

Não cobremos ações, atitudes, comportamentos, etc, dos outros que eles não podem vivenciar ainda. Tenhamos a sabedoria e o discernimento para entender os seus limites, e aceitar o próximo no seu momento, no seu exato momento, que não é igual ao seu, nem ao meu. Isso nos aproximará mais e mais, até um dia todos nos amarmos sem restrições, sem condicionamentos, sem barreiras.

Aceitação, pessoal e do outro, essa a palavra que me veio à mente hoje para reflexão.

Muita Paz.
Salvador, 28 de fevereiro de 2009.
Luiz Roberto Mattos

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