APENAS FICANDO

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Faz algum tempo que ouço os jovens dizerem que ficaram ou estão ficando com alguém, querendo dizer que ficaran durante uma noite, uma festa, ou em uma balada, etc, com outra pessoa, geralmente do sexo oposto.

Isso na verdade não é inteiramente novo. Ou seja, o fato não é novo, mas apenas a expressão utilizada – ficar – é que é nova, para representar um fato antigo.

Na minha juventude, e já estou agora com 50 anos, os jovens já ficavam. Só não falavam dessa maneira.

Todavia, no meu tempo, as pessoas usavam muito mais o verbo namorar, porque efetivamente se namorava muito mais do que hoje.

Agora, grande parte dos jovens sequer gosta de usar esse verbo. Preferem ficar, sem compromisso, sem vínculo, sem elo.

O que significa o “ficar”?
Talvez seja mais fácil começar dizendo o que o “ficar” não significa.

Quando os jovens dizem que ficaram com outra pessoa em uma balada, em uma festa, querem dizer que estiveram fisicamente com ela durante algumas horas, se beijando, se acariciando, se abraçando, e fazendo sexo, muitas vezes. Mas nisso não está envolvido o coração, o sentimento. Ou seja, ficar não envolve sentimento, mas apenas emoção ligada ao prazer físico.

Ficar está muito associado a dar uns “amassos”, uns apertos. Trata-se tão-somente de contato físico, momentâneo, superficial, porque só há envolvimento com a superfície do ser, que é o seu corpo físico.

No ficar, não há participação, ou não deve haver, segundo aqueles que cultuam essa prática, do coração. Não deve haver sentimento, nem mesmo um forte envolvimento emocional, porque as pessoas que ficam não querem se sentir presas, compromissadas, e não querem normalmente ver novamente a mesma pessoa. Nem pegam o telefone, para não terem que ligar no dia seguinte, e terem que ver a mesma pessoa novamente. É o cúmulo da superficialidade do ser.

Há jovens, e também adultos jovens, ou adultos adolescentes, que levam anos a fio sem se envolverem verdadeiramente com alguém. Estão sempre “ficando”. Ficando excitados, ficando com desejos, ficando com vontade de fazer sexo, de beijar, de agarrar, e ficando solitários, cada vez mais solitários.

Na verdade, o ficar traz solidão com o tempo, pois ninguém se envolve, ninguém gera vínculo, ninguém gera amizade sincera e profunda, mas apenas ficam juntos de forma temporária e passageira, por poucas horas, visando apenas o prazer instantâneo e rápido.

Nas grandes cidades ocidentais as pessoas estão ficando cada vez mais solitárias, cada vez mais sozinhas, e infelizes.

As pessoas estão ficando sozinhas, mesmo que acompanhadas.

A solidão a dois, e a solidão em grupos grandes é cada vez maior.

Buscando fugir do envolvimento emocional e sentimental, por medo de compromisso, por medo de sofrer decepções, por medo de experimentar para aprender, as pessoas se lançam cada vez mais a aventuras corporais superficiais, e saem cada vez mais solitárias, insatisfeitas e infelizes dessas experiências do “ficar”.

A alma tem sede de sentimento. A alma tem sede de amar, e ser amado. Só o corpo tem sede de amassos e sexo.

Fugindo de envolvimento, fugindo do sentimento, as pessoas se tornam superficias, periféricas, vazias.

Só o sentimento do amor é capaz de preencher as carências da alma. Sexo e mais sexo somente gera sede cada vez maior de sexo, de atrito corporal, de troca de fluidos corporais, de hormônios, sem preencher as lacunas da alma.

O vazio toma conta aos poucos daqueles que apenas ficam. E essas pessoas passam a viver ansiosas com o tempo, sempre desesperadas e em busca de novos parceiros para ficarem por alguns minutos ou horas. E a alma continua vazia de afeto.

O frenesi do sexo e do ficar prende a alma na superfície do ser, embotando a sua capacidade de amar, que é um impulso natural do ser.

Ficar com alguém não significa verdadeiramente estar com alguém, no sentido de estar em alma, com o coração envolvido.

No tempo em que se namorava mais, as pessoas às vezes levavam meses para dar o primeiro beijo, e isso gerava uma grande expectativa, e o sexo só vinha, normalmente, depois do casamento, isso até os anos 50.

Modernamente, sexo se tornou algo banal, periférico. Todos fazem, todos querem, todos vivenciam, mas de forma cada vez mais superficial, porque a alma não está envolvida no ato. Só o corpo está presente na maioria das vezes no ato sexual.

As pessoas “ficam” e “ficam”, cada vez mais, e as almas vão ficando e ficando cada vez mais vazias, insatisfeitas, e infelizes.

É preciso redespertar o namoro, o namoro de almas, profundo, verdadeiro, e recolocar o sexo no seu devido lugar novamente, lugar de complemento, não de centro das relações amorosas.

Só isso fará retomar o caminho dos sentimentos puros e verdadeiros, capazes de levar as almas ao paraíso do amor sublime, das relações profundas baseadas no amor, e não apenas uma relação momentânea, física, sexual.

A alma quer afeto. A alma quer amar, e ser amada. E o ficar não preenche, e jamais preencherá essa necessidade da alma.

Vamos ficar juntos, vamos amar, vamos namorar e casar, sempre com amor, não apenas baseados na aparência externa, na forma externa e na beleza aparente do corpo, porque tudo isso é transitório e passageiro, como uma nuvem que trafega no céu.

Sentimento nas relações. Amor nos corações. Sexo só com amor, com sentimento.

Assim, estaremos nos afastando do vazio interior, da insatisfação, e da infelicidade.

O que adianta ganhar muitos corpos por alguns momentos e ter a alma eternamente vazia, insatisfeita e infeliz?

A alma quer amor, quer amar, quer paz, quer se doar, quer sentir de verdade, e ela deve conduzir a nossa vida, não cabendo ao corpo e aos nossos hormônios e desejos incontrolados nos levar onde querem, e nos levar aos abismos vazios do coração.

Namorar mais, amar mais, conhecer mais, e “ficar” menos, menos insatisfeitos, menos vazios, e menos infelizes…

Diga sim ao amor! Diga não ao ficar…solitário, vazio, infeliz…

Muita Paz.
Salvador, 22 de fevereiro de 2009.
Luiz Roberto Mattos

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