CÉU E INFERNO

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Céu e inferno são palavras e conceitos antigos na humanidade, e que possuem significados às vezes diferentes entre as pessoas, entre os povos, as religiões e as diversas culturas.

Apenas para exemplificar, lembremos que para os povos do norte da Europa, como os nórdicos, os vikings, o inferno é frio, ou melhor, gelado. Isso porque eles vivem em regiões extremamente frias, sobretudo no inverno, quando as temperaturas podem chegar até a 20 graus negativos, o que para os povos do Emisfério Sul do planeta é dificil de compreender, porque vivem no calor, e não conhecem o frio extremo.

Por outro lado, os povos do sul, como os hebreus antigos, hoje judeus, os egípcios, os árabes, que vivem em regiões onde a temperatura pode alcançar 50 graus, com 40 graus na sombra, têm dificuldade em entender o que seja o frio do norte, com temperaturas de 20 graus negativos. Os árabes antigos não conheciam o gelo.

Como religião tem muito de cultura local, os povos das regiões quentes criaram a imagem do inferno como sendo um lugar extremamente quente. Assim, o inferno dos árabes, dos judeus, dos primeiros cristãos, dos babilônios, dos egípcios, etc, era quente. Fala-se no fogo do inferno, no fogo que nunca se apaga, em demônios colocando as almas no fogo que arde sem cessar, etc. E esse é o inferno que herdamos das tradições judaico-cristãs no Ocidente.

Já nas regiões frias, os povos idealizaram em suas religiões um inferno muito frio.

Cada povo criou seu inferno particular, em sua mentalidade limitada e condicionada, sempre de acordo com seus valores, sua cultura, seu clima, etc.

Da mesma forma aconteceu com o céu. Por isso há religiões que falam em céu jorrando leite e mel, em paraíso com muitas virgens para os homens fazem sexo à vontade, céu cheio de anjinhos nus, etc, etc, etc. Seria impensável a imagem de anjinhos nus no frio da Islândia, por exemplo.

Há uma grande variedade de céus, e também de infernos, para todos os gostos.

Cada um cria o céu e o inferno da maneira que acha que ele é ou que deveria ser, e isso nem sempre está atrelado a uma realidade fática e física, em termos de um lugar existente no mundo espiritual.

Depois de estudar várias religiões por mais de trinta anos, e vivenciar experiências fora do corpo também por mais de trinta anos, concluí muitas coisas a respeito de céu e de inferno, e é sobre isso que pretendo escrever aqui hoje.

No mundo espiritual, nas dimensões extrafísicas, neste mesmo planeta, há muitas “camadas” de matéria, de energia, desde os espaços que ficam abaixo da crosta do planeta até muitos quilômetros acima dela.

As diversas regiões do planeta têm no mundo espiritual, no plano astral, verdadeira réplica do plano físico, no tocante ao ambiente físico. E em parte isso se deve ao pensamento emitido pelas mentes das pessoas encarnadas.

Assim, nas regiões quentes, como na Arábia Saudita, por exemplo, o plano astral, mais próximo do plano físico, é muito semelhante ao físico, e possui desertos, muita areia, e se tem a sensação de que a região é quente, porque os espíritos encarnados na região assim estão acostumados. Não poderia ser diferente. Um espírito que vive 50 anos no deserto quente e cheio de areia não se acostumaria, por exemplo, com o frio extremo se para uma região dessas fosse levado ou se lá se visse logo após seu desencarne. E da mesma forma um espírito não se acostumaria rapidamente saindo de uma região fria e se vendo de repente numa região desértica e quente depois de morrer. Os índios brasileitos quando desencarnam normalmente ficam um tempo em florestas no mundo astral. Tudo requer um tempo de adaptação.

Normalmente, logo após a morte, vamos para lugares semelhantes à nossa zona física da última experiência na Terra.

Desse modo, as cidades espirituais, ou colônias, como alguns preferem chamar, como nas fantásticas obras psicografadas pelo espírito André Luis, que estou a reler, estando agora na décima obra da coleção, são muito parecidas com as cidades terrenas mais próximas.

Nosso Lar, por exemplo, colônia tão citada no primeiro livro de André Luis, e que dá nome ao primeiro livro da coleção, é a cidade espiritual que fica mais perto do Rio de Janeiro, cidade brasileira onde viveu André Luis em sua última vida física, e é para lá que vão normalmente os espíritos encarnados na região, desde que, é lógico, tenham um padrão vibratório mínimo para poder chegar e viver lá.

Muitos espíritas, e aí também já me incluí no passado, sonham em ir para Nosso Lar após a morte, como costumava dizer Divaldo Franco em suas palestras. Todavia, não é possível que todos os espíritas, nem todos os brasileiros adentrem os portões de Nosso Lar, que é apenas uma das inúmeras cidades espirituais só do Brasil. A cidade não poderia atender quase duzentos milhões de habitantes, população do Brasil.

Próximo a Salvador, por exemplo, existe uma cidade chamada Colônia Nova Esperança, da qual durante nove anos ouvi os espíritos fazerem referência em uma reunião mediúnica da qual fiz parte entre 1978 e 1987, e para onde os mentores do trabalho sempre encaminhavam os espíritos atendidos na mediúnica.

Se considerarmos que tanto Nosso Lar quanto Nova Esperança são apenas duas colônias, ou cidades, mais perto da crosta terrestre, e que acima delas há outras mais elevadas, nas regiões superiores do mundo espiritual, teremos, só no Brasil, mais de 3.000 cidades espirituais só nas regiões mais baixas do astral. São muitos milhares de cidades no Brasil e no mundo todo. Não há somente Nosso Lar no astral.

No mundo espiritual mais elevado, há cidades cada vez mais avançadas, com tecnologias inimagináveis para nós na Terra, e onde não há doenças nem dor, sofrimento ou lamentações, desastres naturais, crimes, fome, e nada que aqui consideramos ruim.

Para baixo, no entanto, há zonas escuras, frias, sem que se veja a luz do sol jamais, com ventos frios, sem tecnologia, sem estrutura social organizada, com dor, sofrimento, lamentações, muito choro e ranger de dentes, como dizia Jesus em seu tempo, ao se referir ao inferno.

Há no mundo espiritual ao redor da Terra realmente céus e infernos para todos os gostos, e cada um escolhe, inconscientemente, seu próprio céu, como também seu próprio inferno.

Quando morremos, ou seja, quando deixamos de forma definitiva o corpo de carne, o corpo físico, nossas mentes e nossa vibração nos levarão para cima ou para baixo, de acordo com nosso padrão mental, emocional e psíquico.

Nossa identidade espiritual é formada pelo conjunto de nossos pensamentos, nossas emoções e nossos sentimentos. Assim, da mesma forma que nossa impressão digital nos é única, também nossa vibração nos é também única, distinta de todas as demais. Desse modo, podemos reconhecer e identificar qualquer espírito no mundo espiritual pela sua vibração, mesmo que ele tente se esconder mudando de forma, e até mesmo quando estão encarnados em um novo corpo. Mas isso requer muita prática, experiência e vivência.

Ao deixarmos o corpo pela morte, ninguém vai nos levar para o céu ou para o inferno. Nós é que, inconscientemente, nos elegemos para um ou para outro.

Os mais atrasados, egoístas, vaidosos, orgulhosos, que só fizeram o mal aos outros, os criminosos contumazes, os corruptos e os corruptores, automaticamente descerão, pela força da atração gravitacional de seus corpos espirituais mais densos, mais pesados, de forma um pouco semelhante ao que acontece com a matéria mesmo, que tende a descer, atraída pelo centro da Terra.

Os mais evoluídos, tendo bons pensamentos, boas e equilibradas emoções, bons e puros sentimentos de amor ao próximo, já mais libertos do egoísmo, do orgulho, da vaidade, e que já trabalharam em prol da coletividade, por puro amor e compaixão, possuindo corpos energéticos menos dendos, mais sutis, mais leves, automaticamente sobem, e vão parar, mesmo sem que um anjo venha buscá-lo, em zonas superiores, em regiões verdadeiramente paradisíacas, no paraíso, como muitos gostam de chamar.

Não é preciso que um diabo venha buscar os maus para levar para o inferno, nem que Deus ou Jesus, ou qualquer outro líder religioso venha buscar para levar para o céu. Cada um sobe ou desce, de acordo com a sua vida na Terra, de acordo com seus pensamentos dominantes, suas emoções, seus sentimentos, seu histórico de vida, suas ações, etc, porque é tudo isso que vai construir nossa identidade energética, que será nosso passaporte para o céu ou para o inferno.

Ninguém entra no Reino do Céu de forma violenta, como dizia Jesus. Ou seja, não se adentra o céu pela força, invadindo-o, nem corrompendo os seres angelicais. É preciso ter merecimento, ter cacife, ter vibração elevada. E, por outro lado, o diabo, na representação de algumas religiões, não precisa vir buscar os seus “afilhados”, os seus iguais, os seus simpatizantes. Os maus o buscam o tempo todo em vida, e fatalmente irão ter com ele e seus asseclas depois de deixarem o corpo físico pela morte.

Acima de tudo, céu e inferno é uma questão de consciência, de ideal, de construção mental. Tornando-nos bons ou maus, mais evoluídos ou menos evoluídos, estaremos automaticamente nos inscrevendo para viver no céu ou no inferno após a morte. E temos o livre arbírtio para fazer nossas escolhas a este respeito.

Cuidemos melhor de nossos pensamentos, de nossas emoções, de nossos sentimentos, e busquemos nos livrar do egoísmo, do orgulho e da vaidade, e fazer o maior bem possível, se quisermos conquistar o passaporte para o céu. Se não fizermos isso, poderemos um dia nos surpreender com nossa chegada em uma região escura onde um “diabo” estará nos esperando com um grande sorriso nos lábios, e dizendo: “Chegou mais uma besta para o meu domínio”.

Cuidado com a vida que se leva, porque é isso que determinará o futuro de bem-aventurança ou de desgraça e sofrimento para nós.

Nós escolhemos no dia a dia de nossas vidas o céu ou o inferno para viver em vida e após a morte.
Muita Paz.
Salvador, 19 de abril de 2009.
Luiz Roberto Mattos

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