O INDIVIDUALISMO

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Estou em São Paulo, capital, onde há a maior concentração de veículos do Brasil. É uma sequência interminável de congestionamentos.

A cada vez que pego um congestionamento, fico a refletir sobre o nosso individualismo.

Cada família quer ter pelo menos um veículo, e muitas possuem dois ou mais, contribuindo para a superlotação das ruas com os incontáveis automóveis.

Se pensarmos em termos de futuro, veremos que é impossível continuar a aumentar a quantidade de veículos nas grandes cidades do planeta, como no caso de São Paulo.

As ruas não se alargam, só os veículos aumentam. Isso não tem futuro. Isso é absurdo. Isso é loucura.

Breve chegaremos a um ponto em que as pessoas levarão mais tempo no trânsito do que em casa ou no trabalho. E isso, convenhamos, e admitamos, é um imenso desperdício de tempo, energia e dinheiro.

O estresse gerado pelo longo tempo dirigindo, preso a longos congestionamentos, tem sido um grande fator de adoecimento das pessoas que residem nos grandes centros urbanos.

As ruas de São Paulo já não comportam tantos veículos, mas eles continuam chegando, com maior facilidade de financiamento, redução de preços e alongamento do prazo de pagamento.

Alguma coisa precisa ser feita. Mas qualquer solução que passe pela redução da utilização dos veículos, com maior utilização de metrô encontra certa má vontade de grande parte da população, que não aceita abrir mão do conforto de estar só no seu veículo, ouvindo música sem ser incomodado.

Somos tão individualistas que não aceitamos abrir mão de um pequeno conforto no deslocamento em prol da coletividade, e mesmo de nossa própria saúde.

Adoecemos, morremos, mas não vamos pegar o metrô em vez que sair de carro.

Ontem estive circulando de taxi e pensando que as ruas poderiam ser utilizadas para metrô, ou bondes de superfície, como existe em Zurique, na Suíça. São bondinhos elétricos, pequenos, que deslizam suave e silenciosamente em trilhos pelas ruas da cidade, sem atingir grande velocidade, perfeitos para pequenos deslocamentos dentro da cidade. E o metrô subterrâneo é mais indicado para percorrer maiores distâncias, e por baixo da superfície, de forma mais veloz.

Ambas as formas de trem são movidas por eletricidade, sem poluir, sem fazer barulho, sem grande risco de acidentes.

A natureza agradeceria se andássemos mais de veículos elétricos, sem queima de gás, petróleo, álcool, ou outro tipo de combustível poluente. E destruiríamos menos nosso planeta para retirarmos dele as matérias primas necessárias para fabricar tantos automóveis. E essa destruição não terá retorno.

Haveria menos acidentes, e menos estresse, mais muito menos mesmo, e menos adoecimento, se usássemos mais transportes coletivos rápidos e sem atrasos.

As ruas poderiam ser aproveitadas para os pequenos trens, ou bondes, que poderiam inclusive ficar suspensos, como em algumas cidades, sem ocupar toda a rua.

Imaginem as ruas quase sem carros, e vocês se deslocando rapidamente para o trabalho, voltando rapidamente para casa, tendo transporte com hora marcada, sem precisar ficar em pontos esperando por horas. Pensem que teríam menos poluição, menos estresse e menos risco daqueles chatos acidentes de trânsito.

E sem falar em gastos menores, com combustível, com manutenção de veículos, seguro, IPVA, etc.

Mas quem abrirá mão de ter o seu carrão para desfilar nas ruas, mesmo congestionadas e sem ninguém ver o motorista escondido por trás das películas de proteção…para os vizinhos ficarem com inveja ao ver o nosso carrão na garagem…será que é isso…

Quem aceitaria trocar a vaidade e o pseudo conforto de ter veículos particulares pela rapidez dos deslocamentos, pela diminuição do estresse, pela saúde pessoal e planetária…
Não é fácil. E dificilmente as pessoas farão isso.

Poderia ser a solução para muitos problemas, mas o individualismo nos cega, e provavelmente levaremos ainda algumas décadas nos estressando, e cada vez mais, até o ponto de loucura, até ninguém mais suportar a situação do trânsito, e então talvez chegue a hora de revermos o nosso individualismo, e buscarmos soluções coletivas.

Já estive em cidades com metrôs fantásticos, como em Paris e Munique, na Alemanha, onde você vai a quase todos os lugares de metrô. E não senti falta alguma de um carro individual.
Em Munique muitas pessoas vão para o contro da cidade trabalhar ou mesmo a passeio, ou para um jantar, etc, de metrô, e deixam seu carro em casa, pois é muito mais rápido e seguro ir de metrô do que de carro, seja pela falta de estacionamento, seja pelo tempo que se perde.

Se vivêssemos em cidades bem estruturadas em termos de metrôs e bondes elétricos como os de Munique e Zurique poderíamos no máximo usar o carro em finais de semana, ou para viajar. Ou simplesmente poderíamos apenas alugar um carro quando necessário, para irmos a lugares onde não houvesse metrô, trem ou outro tipo de transporte coletivo.

Se em minha cidade, Salvador, tivesse metrô que eu pudesse pegar para ir rapidamente ao trabalho, e de forma segura, só usaria meu carro em finais de semena, ou para viagens ao interior.

A humanidade aprenderá a duras penas que as cidades não poderão ser cada vez mais abarrotadas de carros parcitulares, e que a única solução inteligente é mesmo o transporte coletivo, mas não ônibus. Metrô é muito mais rápido, seguro e econômico do ônibus, e estes causam também congestionamentos, devido à sua grande quantidade nas ruas. Não há congestionamento de metrô, e raramente há acidentes nesse tipo de transporte.

Um dia, depois de termos sofrido muito por conta de nosso exagerado individualismo, perceberemos por fim que precisamos pensar mais coletivamente, e então iniciaremos o caminho da consciência coletiva, que ainda não existe na Terra.

Por enquanto, essas minhas palavras não passam de um sonho, como o de Martin Luter King: I had a dream…

Vou voltar para o congestionamento de São Paulo, para jantar com amigos queridos que aqui residem, Mário e Mariana…

Muita Paz.
Salvador, 25 de junho de 2009.
Luiz Roberto Mattos

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