MEDITAÇÃO

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É muito comum no mundo ocidental, e até mesmo nos países orientais se fazer confusão entre meditação e reflexão.

A meditação vem da Índia, da yoga antiga, praticada há milênios.
Os yogues antigos procuravam refúgio nas florestas e muitas vezes em cavernas nas montanhas, completamente retirados do convívio social, em busca de paz, de sossego, de silêncio externo a fim de tentarem atingir o completo silêncio interno, ou interior.

Hoje, nas cidades modernas ocidentais, pessoas praticam meditação com música, entoando mantras, visualizando mandalas, etc, o que nada tem a ver com a verdadeira meditação desenvolvida na antiga Índia.
Para se saber o que realmente é meditação, é preciso encontrar um local realmente silencioso, o que já é extremamente difícil nos dias atuais nas cidades grandes, sobretudo nelas.

O silêncio externo permite que a pessoa se concentre apenas no seu interior, na sua mente, e a partir daí vá atingindo estados cada vez mais profundos de consciência, até chegar a se sentir consciência pura.
Os ruídos externos incomodam, atrapalham, e impedem o aprofundamento da meditação verdadeira.

Assim, falar em música para meditação, para mim, é um grande contrasenso, uma grande contradição. A música mantém a mente focada nela, e não em si mesma, e a pessoa acaba seguindo mentalmente os acordes, a melodia, os sons diversos, ou mesmo um único tom, ou a monotonia.
No màximo, a meu ver, a música ajuda a relaxar, a acalmar a mente, e também o corpo, auxiliando no início do processo. Mas manter a música durante todo o tempo em que se busca a meditação é impedir por completo o atingimento do estado desejado, é fechar a porta que leva ao silêncio da mente para sentir a consciência pura.

A música monótona, isto é, a música de um só tom, de um só acorde, como uma única nota de órgão, que se assemelhe ao som denominado de OM, pode ajudar no início. Mas deve ficar somente aí. Há que se abandonar por completo a música e qualquer tipo de som se se quiser atingir estados mais profundos de consciência.
Quando comecei a tentar a meditação, após estar a algum tempo praticando a Hatha Yoga em casa, em 1978, buscava o total silêncio no meu quarto, sem som, sem música, e tanto fazia sentado, na postura de lótus, quanto deitado, antes de dormir.

Todavia, o melhor, e mais recomendável, se seguirmos as tradições antigas da yoga da Índia, é praticar a meditação pela manhã cedo.
Alguns yogues antigos começavam suas práticas antes mesmo de o sol nascer, por volta de 4:00 ou 5:00 horas da madrugada, porque, após uma boa noite de sono, não se corre mais o risco de bater o sono, devido ao cansaço.
Muitas pessoas atualmente vão para as academias de yoga à noite, depois de trabalharem o dia todo, ou estudarem, estando já bastante cansadas, às vezes exaustas. Isso pode relaxar, o que é bom, mas muitos sentem muito sono, e terminam cochilando. E isso está longe de ser meditação.

Qualquer um pode tentar a meditação em casa, pela manhã cedo, antes de todos acordarem, e até mesmo antes de o sol nascer, o que é o ideal, inclusive porque os carros ainda não saíram às ruas, o que significa menos barulho, menos agitação energética, menos vibrações, e até os animais em grande parte ainda estão recolhidos e dormindo, como os pássaros.
Vamos meditar.

Procure um lugar sossegado. Sente-se e acomode-se. Não precisa ser no chão necessariamente. Pode ser numa cadeira confortável.
Se preferir, e conseguir, sente-se no chão, com as pernas cruzadas. Poucos ocidentais conseguem fazer a posição de lótus sem sentirem dor nos joelhos e nas articulações das pernas, porque nosso estilo de vida não trabalha nossos músculos e articulações para facilitar essa posição. Por isso ela é muito difícil e desconfortável para nós.
Assim, não se torture. Não tente ser um indiano de dois mil atrás. Ou melhor, não tente ser um yogue antigo no século XXI.

O que importa é o estado mental, é a prática interior. A posição corporal em si mesma é secundária.
Encontrada a posição ideal, respire suavemente…permaneça alguns minutos respirando lentamente…sinta o ar entrando e saindo pelas narinas…
Após alguns minutos, sentindo o corpo relaxado, e também a mente, porque a respiração lenta acalma tanto os batimentos do coração quanto a mente, os pensamentos, estaremos prontos para começar o processo de interiorização.

O silêncio externo é fundamenta! Ajuda mesmo. Qualquer ruído exterior nos desconcentra, e nos remete ao mundo exterior, e desvia o foco da mente para o exterior.
Quando conseguimos relaxar profundamente o corpo, ao ponto de não o sentirmos mais, nos sentimos apenas mente, sentimos que somos mente, e que não temos, naquele momento, um corpo para nos atrapalhar no processo.

Focada toda a atenção apenas na mente, sem as preocupações do corpo, percebemos, no início de nossa pràtica de meditação, que nossa mente é como um papagaio, uma tagarela mesmo. Gostava de pensar assim no início, de usar essa comparação.

Relaxado o corpo, percebemos como os pensamentos surgem e vão embora rapidamente, em uma sucessão de ideias, sons e imagens, e podemos ver que não temos total controle sobre isso.
Tentamos controlar nossos pensamentos, mas isso não é fácil no início.
Tentamos parar de pensar, mas isso parece quase impossível.

Se tentarmos e pensarmos que em poucos dias estaremos já dominando a mente indisciplinada como quem doma um potro selvagem, nos iludiremos, nos frustraremos, e fatalmente desistiremos, achando que a meditação é algo inatingível, e impossível de ser realizada.

Os antigos yogues levavam anos praticando. Às vezes levavam a vida inteira para conseguir.
Pensemos que durante milhões de anos temos pensado sem parar, desde os tempos dos longínquos hominóides.
Desse modo, parar a mente de repente é mesmo tarefa árdua, difícil mesmo. Quem achar que será fácil é melhor nem começar, pois desistirá logo mesmo. Será pura perda de tempo.

Meditação precisa de calma, paciência, persistência, perseverança. Quem não tiver essas qualidades, nada conseguirá além de relaxamento.

Atingido, pela prática, o relaxamento corporal, passamos a focar a mente nela mesma, pois nos desligamos totalmente do mundo exterior, inclusive do corpo.

Agora é só a mente…sem contornos…sem limites espaciais…como um lago imenso, sem limites…mas de início agitado, como se o vento provocasse ondas na água…

Nessa metáfora, que sempre gostei de utilizar, as ondas, por menor que sejam, são perturbações na água, e isso são os nossos pensamentos circulando na mente…

No início é difícil fazer essas ondas de pensamento desaparecerem…é preciso muita prática, e muita perseverança mesmo…sem isso, nada feito…

Com o tempo, se você não desistir, vai sentindo que gradativamente consegue um maior controle sobre seus pensamentos, já conseguindo neutralizá-los, e até extingui-los.
A prática vai permitindo, pouco a pouco, que você consiga olhar as ondas de pensamento chegando e indo como se você fosse um mero observador, um espectador imparcial, sem julgar os pensamentos, sem tentar comandá-los a princípio, mas depois dominando-os.

Quando após algum tempo você conseguir ir diminuindo, diminuindo, e diminuindo o fluxo e a constância de seus pensamentos, o lago, que é sua mente, vai se acalmando cada vez mais, pois as ondas vão desaparecendo, desaparecendo…o lago vai ficando cada vez mais calmo…mais sereno…até a água parar de se mexer…pronto…o lago atingiu o ponto máximo de inércia…nada se mexe…nada perturba as águas do lago…já não há mais ondas…já não há mais pensamentos perturbando a mente…e se você não está mais pensando, analisando, criticando, tentando controlar, mas continua consciente, então quem está ali…que consciência está ali presente…

Quando as águas do lago cessam todo movimento, quando sua mente pára de pensar, haverá apenas consciência…mas não se trata de ter consciência de algo, o que é inteiramente diferente…não é ter consciência…é ser puramente consciência…ou ser consciência pura…e essa consciência pura, ou Consciência Pura, como prefiro escrever, com letras maiúsculas, é o Absoluto, o Tao, A Consciência Cósmica, o Arquiteto do Universo, Deus…que importam os nomes…

Meditar é, pois, silenciar a mente, mas falamos de silenciar na verdade os pensamentos, porque a mente Real que existe não pode jamais ser silenciada, porque a consciência Real que existe é a Consciência Cósmica, que está manifestada na matéria…o Criador na Criatura…o Todo em suas partes…

Meditar é, em verdade, apenas e simplesmente acalmar a mente para que ela perceba quem ela é em realidade…para que ela apenas se perceba de verdade…a meditação visa o autodescobrimento, a autorealização…e realização é perceber o Real…e o Real é o Absoluto…

O Absoluto após longo tempo internado na matéria, com a consciência embotada, finalmente busca, por meio da meditação transcendental, silenciar os pensamentos para reconhecer-se a si mesmo.
Isso é Meditação!
Muita Paz.

Salvador, 03 de outubro de 2009.
Luiz Roberto Mattos

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