MINHA TÉCNICA INICIAL PARA SAIR DO CORPO CONSCIENTE

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Como já tive oportunidade de relatar no capítulo XIV do Sana Khan III, que agora coloco neste site, lembro de experiências fora do corpo a partir dos 17 anos, mas não saía consciente do corpo naquela época.

Somente em 1978, com 19 anos, perto de completar 20, comecei a buscar a saída astral consciente.

Lembro que naquele ano li um livro sobre Budismo, que pertencia a uma tia, e comecei a ler livros sobre yoga, tanto prática quanto a Filosofia Yogue.

Com a coleção do Yogue Ramacháraca, virei vegetariano e naturalista radical no meio do ano, lia Teosofia, Espiritismo, e então descobri livros sobre Projeção Astral. Tudo no mesmo ano. Era um devorador de livros. Um a cada dia, ou dois dias, quando eles tinham mais de 300 páginas.

Foi um ano rico de descobertas para mim, de aprendizados, de estudos teóricos e de práticas também.
Naquela época em Salvador só eram vendidos quatro livros de projeção astral, que eram A Projeção do Corpo Astral, Viagens Fora do Corpo, Experiências Fora do Corpo e A Viagem de Uma Alma.

Devorei esses três livros de projeção, e a partir daí meu foco passou a ser a saída consciente do corpo.

Diariamente praticava a Hatha Yoga em casa, me alimentava de cereais integrais, notadamente de arroz integral e pão integral, frutas, mel de abelha, verduras e outras coisas, como soja, grão de bico, ervilha verde, etc.

Ia frequentemente ao Parque da Cidade, onde fazia exercícios respiratórios, meditava, refletia, me integrava com a natureza, com os animais, que atraía para perto de mim.

Praticava muito o relaxamento corporal no final da Hatha Yoga, e então comecei a aliar a técnica de relaxamento com o que aprendia nos livros de projeção.

De noite, após uma refeição leve e bem cedo, por volta de 18:00 ou 19:00 horas, me deitava lá pelas 21:00 horas, no máximo, de barriga para cima, sem relógio, estendia as mãos ao longo do corpo, com as palmas viradas para baixo, e começava a respirar lentamente, muito lentamente, até ir sentindo meu corpo todo relaxado.

Todos os músculos iam relaxando aos poucos, até o ponto em que não mais sentia meu corpo. Sentia apenas meus pensamentos. Eles iam e vinham, em todas as direções. E eu apenas os observava, como praticava na meditação, como fase inicial, para ter completo domínio da mente.

Quando não mais sentia o corpo, então ficava prestando atenção apenas na minha respiração.

Sentia o ar entrando e depois saindo pelas narinas. Ficava um tempo assim. Até que parava de mexer o tórax, e nem sentia o ar entrando e saindo. Em seguida passava a sentir o torpor do corpo, que ficava primeiro pesado, muito pesado, antes de ficar leve como uma pluma, que era a fase seguinte, que vinha quando eu já havia me fixado no corpo astral, ou seja, quando a consciência já estava toda no corpo astral. Não sentia mais o peso do corpo físico.

O mais comum na fase do relaxamento, no início do treinamento, é adormecermos. Isso acontece na yoga também, quando relaxamos profundamente. Principalmente quando fazemos exercícios e trabalhamos durante o dia, pois de noite estamos cansados.

Depois de vários dias de relaxamento profundo até sentir que meu corpo inicialmente parecia afundar no colchão, e depois não mais o sentia de modo algum, e tendo sempre dormido durante o relaxamento, tive a ideia de aliar ao relaxamento uma técnica utilizada pelos faquis indianos.

Fazia o relaxamento deitado durante um tempo, e, depois de já estar bastante relaxado, levantava o antebraço direito ou esquerdo (não faz diferença), deixando-o na vertical, em ângulo de 90º em relação ao tronco, e continuava relaxando cada vez mais.

De vez em quando eu começava a cochilar, e o antebraço ia descendo, e então eu despertava, pois o movimento do braço me despertava mentalmente, e me deixava alerta, e eu erguia novamente o antebraço até a posição vertical.
Não saía do relaxamento quando começava a cochilar, mas nos primeiros dias devo ter cochilado e dormido sem perceber, já não lembro direito, pois faz muito tempo que fiz isso.

Todavia, ao longo de vários dias, talvez um mês, não sei bem, praticando esse relaxamento profundo e colocando o antebraço para cima para despertar quando ele começasse a descer, fui ficando cada vez mais alerta, cada vez mais consciente do momento em que passava do estado de vigília para o estado de sono.
Em outras palavras, fui ficando consciente do momento em que dormia, ou, ainda em outras palavras, fui aprendendo a dormir consciente.

Sei que parece paradoxal. Mas foi exatamente isso o que eu fiz.

Sei que fui yogue em uma vida passada, na Índia. E tive bons mestres, e talvez isso tenha me trazido lembranças e me dado facilidades, e talvez essa técnica me tenha sido inspirada.

Fui realmente criando minha própria técnica, que não conhecia de livro algum.

Batizei essa técnica de “dormir acordado”.

Paradoxal, mas possível.

Diariamente, levava meu corpo a um estado de relaxamento profundo, induzido, mas semelhante ao relaxamento natural que acontece quando vamos dormir.

Todavia, a diferença era que eu não apagava totalmente, poi a mente permanecia alerta o tempo todo, apesar de meu corpo estar entrando em sono profundo. Eu aprendi a dormir, sem contudo dormir totalmente. Só o corpo dormia, mas eu, o ser pensante, não estava dormindo. E isso foi um passo para a saída astral consciente.
Lembro que me mudei por uns dias para o quarto de empregada, porque ficamos sem empregada por algum tempo. Antes eu dormia num quarto com outro irmão, e isso me atrapalhava um pouco na concentração e no relaxamento, pois ele entrava no quarto e acendia a luz de vez em quando, além de fazer algum barulho, e me desconcentrava.

Então, passando a ficar sozinho, pude me preparar para avançar em meus experimentos.

Coloquei uma mesinha ao lado de minha cama, e em cima dela coloquei uma vela acesa, para dar um clima místico.
Nessa época eu ainda usava um pouco essas coisas, como incenso também, e isso me ajudava um pouco.
Junto à vela acesa, colocava um espelho e o livro A projeção do Corpo Astral.

Antes de me deitar, ficava um tempo olhando a capa do livro, que tem um homem deitado na cama e o corpo astral flutuando acima do corpo, e isso me enchia da ideia de sair do corpo da mesma forma como a capa do livro mostrava. A sugestão auxiliava.

Depois, pegava o espelho e ficava me olhando, na penumbra, pois a luz do quarto já estava apagada, estando acesa apenas a vela.

Isso era para me dar a ideia de me ver ao sair do corpo. Ver o meu rosto físico quando estivesse fora do corpo. Era para me sugestionar também. E isso ajudava mesmo.

Então depois apagava a vela, dizia para mim mesmo que iria relaxar e sair do corpo consciente. Repetia isso algumas vezes e me deitava.

Fazia todo o processo de relaxamento. Já não colocava o antebraço para cima, pois já havia aprendido a entrar em relaxamento profundo sem dormir, sem perder a consciência, ou seja, já havia aprendido a “dormir acordado”.
Relaxava até sentir inicialmente o meu corpo físico afundando na cama, que é a primeira fase do relaxamento, e então depois não mais sentia o corpo. Perdia a sensação de peso, e me sentia só mente. E então vinha em seguida a sensação de leveza extrema.

De repente eu ficava leve como se fosse uma pena.

Então, pela primeira vez, senti minhas mãos formigando levemente e ficando leves demais, e elas flutuaram acima da cama.

Sentia claramente que não eram as mãos físicas, pois eu estava em relaxamento profundo. E então, por curiosidade, abri rapidamente os olhos e levantei a cabeça para ver se eram as mãos físicas que estavam flutuando, mas não eram.

Tentei novamente todo o processo uma, duas, três, quatro vezes durante alguns dias, então deixei de abrir os olhos, salvo quando um dia senti todo o braço flutuando. Era demais. Abri os olhos, com um pouco de medo. Medo do desconhecido, medo do novo. Isso é natural, mas precisa ser vencido, ou não avançamos.
Depois de algumas tentativas, perdi o medo, e não mais abri os olhos para ver se eram os braços físicos que estavam a flutuar sobre a cama, e então a coisa fluiu e avançou ainda mais.
Voltei para meu quarto, pois chegou a nova empregada. Mas aí eu já havia feito algumas conquistas durante os dias em que dormi sozinho.

Logo logo comecei a me sentir todo leve na cama, após o relaxamento completo do corpo físico.
A leveza já era a consciência transferida para o corpo astral. Eu me sentia leve nele.
Um dia, pela primeira vez, senti um zunido no ouvido, e logo em seguida senti todo o corpo vibrar, como se levasse um choque fraco, mas sem dor, sem desconforto, e me senti flutuando totalmente, ainda sem que tivesse subido, sem que tivesse levantado.

Simplesmente sentia o corpo leve e flutuando, sem contato com a cama, e balançando de um lado para o outro.
Sabia, naquele momento, que se quisesse levantar, levantaria efetivamente.
Então, pela primeira vez, acho que depois de uns três meses desde que iniciei todo o meu treinamento de relaxamento com o antebraço levantado, pensei “vou me levantar”, e antes mesmo que terminasse meu pensamento nesse sentido já estava sentado na cama.

Fiquei por alguns instantes sentado na cama, plenamente consciente, sem a menor dúvida sobre a saída do corpo, que eu provocara deliberadamente.

Via cores na minha frente, um verde abacate brilhante e acho que um vermelho intenso, mas não sei do quê se tratavam. E então quis me levantar para ficar de pé, mas senti que minhas pernas estavam presas, e tive medo, e então despertei no corpo físico.

Quando despertei, vi que minhas pernas estavam cobertas com um cobertor pesado até perto dos joelhos. Era um hábito antigo, que tive que largar, mas isso só me atrapalhou no início.

Lembrei então que um dos livros que havia lido sobre projeção falava da repercussão. Ou seja, o cobertor em cima das pernas do corpo físico me causou a sensação de peso sobre as pernas do corpo astral, e isso me fez ter medo, e me fez retornar ao corpo, e despertar.

Fiz algumas outras tentativas, flutuando acima do corpo.

Um dia, relaxei, fiz todo o procedimento que vinha praticando, e quando me senti flutuando totalmente acima do corpo, e após sentir o zunido no ouvido e a vibração no corpo todo, e sentir meu corpo solto, balançando acima da cama de um lado para o outro, ouvi uma voz dizendo “Beto, saia”.

Simplesmente me levantei num impulso muito rápido, e fiquei totalmente de pé, ao lado da cama, e ali vi uma amiga do centro espírita que eu frequentava. Uma senhora de meia idade. Seu nome verdadeiro era Celene.

Essa experiência está descrita no início do Sana Khan I, e por isso não vou repetir toda aqui.

A partir de então, passei a sentir durante um tempo o zunido e a vibração, o choque fraco, em todo o meu corpo antes de sair consciente, e isso acontecia praticamente dia sim, dia não.

Depois de um tempo, deixei de sentir o zunido, e a também a vibração. Simplesmente saía, de uma forma mais natural, sem tanta preocupação e concentração. Acostumei-me com o processo de saída.
Há muito tempo que não sinto o zunido e a vibração no corpo. Aliás, hoje quase já não saiu consciente. Isso não é mais necessário para mim. Não tenho mais dúvidas quando saio do corpo, quando estou projetado, no plano astral. De vez em quando sinto que estou saindo, mas sem sentir qualquer vibração.
No início minha técnica foi muito importante, para me dar a certeza do que estava acontecendo, de que eu realmente estava saindo mesmo, de verdade, do corpo físico, e entrando em outra dimensão.
Por isso, acho importante no início termos saídas conscientes, para termos a certeza de que isso é real mesmo.

Depois, é relaxar e desfrutar de todas as potencialidades de trabalho e aprendizado no plano espiritual, com cautela e responsabilidade.

Para aqueles que ainda não leram, e que estão começando a buscar as projeções conscientes, recomendo que leiam meu primeiro livro, o Sana Khan – Um Mestre no Além, volume I, pois ele traça toda a minha trajetória de desenvolvimento de projeção astral.

Aproveitar as experiências dos mais antigos no caminho é sempre bom, nos poupa trabalho e dissabores. Eu sempre fiz isso em minha vida, e ainda continuo fazendo. Não me iniciei nas aventuras astrais sem antes ler vários bons livros sobre essas coisas, e continuo lendo muito.

Bons estudos, boas práticas, e BOA VIAGEM!

Muita paz a todos!
Salvador, 13 de setembro de 2009.
Luiz Roberto Mattos

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