O DESPREPARO PARA A MORTE

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Minha longa experiência no contato com espíritos desencarnados através de reuniões de intercâmbio mediúnico e projeções astrais tem me mostrado o quanto a maioria das pessoas está despreparada para enfrentar a morte, para adentrar o plano ou mundo espiritual após deixar o corpo de carne definitivamente.

Tenho atendido e conversado com padres e freiras que estavam confusos por não estarem no céu, e se perguntavam onde estavam, se no purgatório ou no inferno, em meio a vivos e mortos, e sem ver Jesus ou Deus.
Ao se verem em reunião mediúnica, muitos religiosos, às vezes também pastores de igrejas evangélicas desencarnados, tentam me convencer de que estamos sendo enganados pelo Diabo, e que estamos praticando algo ruim e proibido pela igreja deles.

Quantas vezes atendi espíritos que foram escravos negros no Brasil, e que sequer tinham se dado conta de seus desencarnes, achando-se ainda vivos no corpo, em busca de seus senhores e proprietários, para deles se vingarem, ou já estando em processo de vingança, que tentamos desfazer, pelo convencimento.

Inúmeras vezes conversei com espíritos de várias culturas, que desencarnaram em épocas às mais longínquas possíveis, muitas vezes há cem, duzentos e até quinhentos anos e que ainda não sabiam que tinham morrido.
Pode parecer loucura tudo isso, mas é a mais pura realidade em qualquer reunião mediúnica.

Muitas pessoas se dizem religiosas, frequentam igrejas várias, mais a fé e a religiosidade de muitos é tão-somente de fachada, e meramente superficial.

Não podemos nos esquecer, ainda, daquelas pessoas que acreditam nas ideias materialistas, que acham que depois da morte nada mais haverá, e que a morte é o fim de tudo.

Dia após dia as pessoas desencarnam completamente despreparadas para a vida na outra dimensão, dita espiritual.
Muitos deixam o corpo físico sem sequer se darem conta do que lhes está acontecendo. Perdem a consciência no momento do desencarne, e levam dias, meses e até mesmo anos para despertarem.

Alguns seres que acreditam que a morte põe fim a tudo, inclusive à consciência, levam um tempo dormindo um sono sem sonhos, que lhes faz parecer que tudo se acabou mesmo, exatamente como acreditavam que aconteceria, porque suas mentes estão muito sugestionadas com a ideia do “nada” depois da morte. E então encontram o “nada”, mas apenas temporariamente, e ficam a perder tempo dormindo no outro mundo, sob vigilância ou abandonados à própria sorte, a depender da situação de cada um.

Ainda hoje escrevi um relato de experiência vivida por mim na terça-feira passada sobre uma dessas situações, em que um espírito acordou cerca de trinta e cinco anos depois da morte, sem saber que tinha morrido, julgando-se ainda vivo. Vale a pena ler e conferir em Relatos do Autor, data de hoje.

Escravos em fuga, ou ainda sentindo as dores do chicote, ou as dores do espancamento são atendidos frequentemente em nosso grupo, porque não se dão conta de que deixaram o corpo, e conservam em suas mentes condicionadas a situação passada, que vivenciam ainda como se fossem o seu presente. E de fato, para eles, é tudo presente, porque o tempo é relativo para o espírito.

Muita gente fica “parada no tempo” durante anos, séculos, e até milênios, sem perceber as mudanças que ocorrem na superfície da Terra.

Recentemente, conversei com uma rainha da Prússia, desencarnada no século XVI, e que sabia que estava desencarnada, mas ainda se dizia rainha, e que tinha seguidores, paparicando-a, fazendo-lhe as vontades. E só a muito custo a convenci a ir com outro espírito até a superfície da cidade que ficava onde ela fora rainha, e então ela viu automóveis, ônibus, prédios, e se espantou, pois vivia em zona inferior, onde tudo se parecia com sua época, o século XVI. Imaginem o choque cultural.

Lideres políticos, cientistas, nobres do passado, homens ricos, quantos permanecem ligados ao seu passado, sem avançar, sem evoluir, porque não tinham em vida a menor ideia do que encontrariam após a morte.
As religiões não preparam as pessoas para a vida futura, salvo talvez o Espiritismo, que não é exatamente uma religião, a depender da maneira como o entendemos. Para muitos, é religião.

Nenhuma igreja dá aos seus seguidores sequer uma vaga ideia do que é o mundo espiritual, ou do que é e como funciona o corpo espiritual. Todas falam apenas de céu e inferno, mas a maioria das pessoas não vai para o céu, nem tampouco para o inferno, se considerarmos céu as zonas mais elevadas do mundo espiritual e o inferno as zonas mais inferiores. A maioria fica em região intermediária, mais próxima da Terra física, um pouco acima ou um pouco abaixo da superfície da Terra.

Desse modo, as pessoas deixam seus corpos físicos completamente despreparadas, sem saber para onde ir, o que fazer e o que será de suas vidas.

O apego às coisas da matéria, ao modo de vida do plano físico e aos prazeres meramente fisicos também contribuem muito para o sofrimento após a morte, pois as pessoas buscam a carne para comer, e não a encontram; buscam álcool, e não o encontram; buscam sexo, e encontram, e ficam com isso presos às mesmas sensações que vivenciavam na carne, e permanecem presos a esta dimensão.

Como não se consegue fabricar álcool no plano espiritual, muitos buscam ambientes de bebida, como bares, buscam viciados em bebida, e sentem indiretamente um pouco do prazer que antes podiam sentir, e continuam presos e alimentando o antigo vício por longo tempo.

Muitos querem ainda continuar sentindo os prazeres do sexo, e além de buscarem o sexo com os desencarnados, que é possível, buscam também as formas mais tradicionais de prazer através de encarnados, ligando-se a corpos físicos nos momentos do ato sexual, mas somente quando o sexo é feito entre pessoas sem moral elevada, e buscando apenas o prazer físico momentâneo.

Da mesma forma as drogas. Quantos espíritos buscam viciados encarnados, depois da morte, para continuar sentindo um pouco do “barato” que tanto gostavam em vida.

Assim, muita gente fica presa à Terra, por causa da prisão aos vícios, e aos prazeres que o corpo pode proporcionar.

Quem continua preso às sensações da matéria, como sexo, comida, álcool, cigarro e drogas, precisará logo retornar ao mundo físico, em nova encarnação, e não pode subir para planos mais elevados.

A mente presa às sensações da matéria busca a satisfação de seus desejos contínuos, não controlados, repetindo e repetindo as mesmas experiências até que se liberte dos apegos, e não mais sinta desejos pelas coisas desta dimensão, e só assim começarão a trilhar a jornada de subida a planos superiores.

É bom ler obras espíritas como as de André Luis, psicografadas por Chico Xavier, a conhecida coleção que se inicia com o livro “Nosso Lar” e termina com “E a Vida Continua”. São treze livros excelentes, e que nos dão uma ideia muito verdadeira sobre o mundo espiritual para onde iremos após a morte.

Livros de Robson Pinheiro, médium mineiro, como “Tambores de Angola”, “Aruanda”, “Legião”, “Senhores da Escuridão” e outras também nos dão uma excelente visão do mundo onde habitaremos em breve tempo.

Precisamos ler, ouvir palestras, e acreditar que realmente a vida não terminará no túmulo, nem começou no berço.
Vivemos incontáveis vezes neste mesmo planeta, e a ele ainda retornaremos tantas vezes quantas forem necessárias, para resgates, aprendizados, missões, serviços, estudos, crescendo sempre, evoluindo incessantemente.

A morte é a coisa mais certa que existe na vida, e por isso precisamos nos preparar para a partida inevitável.
Não se trata de viver para o mundo espiritual, de viver a vida de espírito na Terra, mas de viver como seres imortais que somos, dentro de uma perspectiva imortalista, que transforma verdadeiramente a nossa vida.
Não sejamos imprudentes ao ponto de não nos preocuparmos com a nossa vida futura, ou o nosso futuro nos trará muita dor, como tenho visto semanalmente em reunião mediúnica, com espíritos que sequer sabem que estão em outro mundo, não sabem para onde ir, nem o que fazer. E que precisam das orientações mais básicas para começar a entender o outro mundo, que passou a ser o seu mundo natural.

Sejamos precavidos, e nos preparemos para o amanhã, para que, quando ele chegar, não nos pegue desprevenidos.

Sejamos espertos, e aprendamos desde já como vivem os “mortos” no outro mundo, e saibamos mais ou menos o que faremos quando lá estivermos.

Podemos até fazer planos de estudos e trabalho para a vida no mundo espiritual, que logo chegará. E podemos trabalhar e estudar desde já no outro mundo, ao sairmos de nossos corpos durante o sono, que somente retira a consciência do corpo, não da mente.

Vivamos em vida dupla, aqui e lá. É isso o que eu faço há muitos anos.

Acho que não terei grandes surpresas nem dificuldades de adaptação quando deixar o corpo de vez, pois dele saio com frequência, e a ele retorno sem problemas, e com a morte a única diferença será que a ele não mais retornarei. A morte é uma projeção astral definitiva.

Preparem-se para a vida e também para a morte. Preparem-se para a vida além da morte.

Muita paz.
Salvador, 27 de agosto de 2009.
Luiz Roberto Mattos

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