OBSESSÃO II

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Vamos continuar falando ainda sobre obsessão, pois o tema é amplo e complexo, tendo muitas variações, muitos ângulos, e muitos desdobramentos.

Allan Kardec, o fundador do que hoje é conhecido como Doutrina Espírita, classificou a obsessão em três tipos, que foram a obsessão simples, a subjugação e a fascinação.

A obsessão simples, como o próprio nome indica, não tem maiores complicações. Trata-se de um processo de obsessão sem utilização de aparelhos, nem ovóides, nem clones, mas apenas tendo um espírito desencarnado perto e influenciando o encarnado, seja por afinidade de comportamentos e gostos, como no caso de pessoas que têm o hábito de beber muito, de tomar drogas, de fumar, ou que têm uma vida sexual desregrada, seja por motivo de vingança, por algo que o agora encarnado lhe fez nesta ou em outra vida passada.

Na obsessão simples, quando motivada por vingança, muitas vezes consigo convencer o desencarnado a se afastar e até a perdoar o encarnado utilizando a regressão de memória, fazendo-o ver um ato no passado em que ele, que agora se sente vitima, fazendo a mesma coisa ou até mesmo pior ao outro, agora encarnado, e isso normalmente “amolece” a vontade de se vingar. Quase sempre funciona com a regressão, pelo menos comigo.

Quando a ligação do espírito desencarnado é gerada por algum vício do encarnado, e quando os dois compartilham esse vício, o convencimento é um pouco mais difícil, e depende da transformação do encarnado. Afastar o desencarnado, pura e simplesmente, nem sempre cura o encarnado, porque se ele continua na mesma vida, cultivando os mesmos vícios, atrairá outros desencarnados para dividir o gozo dos vícios.

De um modo geral, a obsessão simples não é tão difícil de ser curada, mesmo levando algumas semanas de tratamento adequado, com passes de desligamento do desencarnado, palestras, outros tratamentos energéticos, e às vezes acompanhamento psicológico também.
Na subjugação, todavia, a coisa é um pouco mais complicada.

A subjugação é também chamada de possessão.
Nesse tipo de obsessão, o desencarnado se ajusta tanto ao encarnado que chega mesmo a compartilhar o seu corpo, durante várias horas em cada dia, e a pessoa chega a demonstrar grande transformação na maneira de ser e de agir. E muitos são considerados loucos quando estão nesse estado. Isto numa visão leiga, e antiga. Do ponto de vista da psiquiatria, são considerados esquisofrênicos.

O subjugado passa a agir de acordo com a vontade do desencarnado, que lhe domina a mente por completo, em casos mais graves. Há vampirização energética também.
Nesses casos, o tratamento de desobsessão é mais difícil e mais demorado, demandando muitas sessões de passes de desligamento, tratamento de recomposição energética, acompanhamento psiquiátrico e psicológico, e não é recomendável deixar de tomar a medicação prescrita pelo psiquiatra.

Esse tipo de obsessão está normalmente ligado a um processo de vingança, e envolve quase sempre muito ódio, sendo mais difícil o convencimento do desencarnado, que normalmente é espírito esclarecido, inteligente, e que pode estar sendo ajudado por mentes ainda mais esclarecidas, e contando com o apoio de organizações das trevas que utilizam aparelhos parasitas, que implantam aparelhos no cérebro e em outras partes do corpo do encarnado, e isso nem sempre é percebido em reuniões mediúnicas.

Muitas vezes é preciso cirurgia espiritual para a retirada de aparelho instalado no encarnado, e outras vezes a simples mudança de comportamento e o desejo de se curar do encarnado, passando a orar, a ouvir palestras, etc, possibilita que os aparelhos sejam expulsos pelo próprio corpo mesmo sem uma intervenção direta de terceiros.
As obsessões complexas envolvem a utilização de aparelhos, de ovóides e de clones, e elas são de difícil cura, porque nem todos os grupos de trabalho mediúnico estão abertos a essas possibilidades e realidades, que consideram muitas vezes fantasiosas.

Porém, a obsessão que considero a mais complexa e difícil de ser curada é a fascinação.
Nela não há uma dominação física. Não há uma vampirização das forças do encarnado.
O que acontece na fascinação é uma aproximação mental, uma influenciação nas ideias do encarnado, que, sendo aceitas, vão permitindo que o desencarnado tenha cada vez mais ascenção psicológica sobre o encarnado.
O desencarnado vai aos poucos dando ideias, propondo reflexões, mostrando coisas, pensamentos, e sempre trabalhando com a vaidade e o orgulho do encarnado.
Por isso Allan Kardec nos advertiu no final do Livro dos Médiuns que a queda dos médiuns se dá pelo orgulho e pela vaidade.

O espírito vai aos poucos, num processo lento, que pode levar anos mesmo, e sem pressa, levando o encarnado a mudar seu pensamento, suas ideias, sua filosofia, e vai exacerbando pouco a pouco a vaidade e o orgulho do encarnado, que já existem, pois nenhum espírito pode criar a vaidade e o orgulho em quem não possui esses defeitos e limitações de caráter.
É assim que muitos espiritualistas se transformam ao longo dos anos, passando de pessoas simples a mestres e gurus, salvadores, avatares, Deus encarnado, etc.

Vi muita gente boa mudar ao longo dos anos.
Acompanhei um guru indiando, que no início dos anos 1980 era um homem aparentemente simples, de vestimenta simples, se transformar num super star, num guru famoso mundialmente, que fundou uma super comunidade, mudou completamente sua maneira de se vestir, de falar, enriqueceu extraordinariamente, e armou a sua comunidade até os dentes.

A mudança foi tremenda, mas de difícil percepção durante o seu curso, porque lenta, gradual.
Somente percebi a mudança porque perdi o contato com o guru, e depois de anos soube novamente notícias dele, e vi fotos, e quase não acreditei. Totalmentre fascinado por algum desencarnado afim.

Houve outro indiano que também vivia em um fundinho de quintal e da noite para o dia ficou muito famoso e rico, mudou suas vestes, passou a morar em uma mansão dentro de sua comunidade-fortaleza, e que já foi acusado de pedofilia por alunos de suas escolas, além de ser acusado de falsas curas e de realizar falsos fenômenos, na verdade de magia barata, como aqueles fenômenos que vemos em festinhas de criança.

Também esse indiano foi lentamente influenciado e fascinado, devido ao seu orgulho e à sua vaidade, que são visíveis quando se observa sem os olhos do seguidor cego e já fanatizado.
No Brasil não foram poucos os fascinados.

Um na Bahia chegou a dizer aos seus discípulos que havia sido esquartejado e que o Pai permitiu que ele recompusesse o seu corpo para cumprir uma missão.
Mudou as vestes, para se destacar, fundou uma ordem, fez sermão da montanha como Jesus e influenciava jovens até nos casamentos. Totalmente fascinado por um espírito espertíssimo.

Como a maioria de nós somos também vaidosos, e orgulhosos, nem sempre conseguimos perceber a vaidade e o orgulho do outro, e por isso nos tornamos muitas vezes presas muito fáceis para esses “mestres”, “iluminados”, “gurus”, etc.

Se um dia vocês me virem usando roupas diferentes das outras pessoas, me destacando pela vestimenta, dizendo ser um avatar, uma encarnação de Deus, ou de Jesus, um guru, ou algo parecido, ou fundando uma comunidade diferente, afastem-se imediatamente de mim, e orem por mim, porque eu certamente estarei obsediado, fascinado por algum desencarnado que me dominou a mente completamente.

Cuidem da vaidade, e do orgulho, mantenham esses defeitos sob controle, para que vocês não sejam vítimas de fascinação, que é, para mim, a mais lenta, mas a mais difícil forma de obsessão, e a mais trabalhosa para a cura.
É difícil um fascinado reconhecer essa condição, exatamente por causa da sua vaidade e do seu orgulho, e sem a cura da vaidade e do orgulho, não há chance de cura para essa obsessão tão cruel, e o encarnado na maioria das vezes desencarna ainda sob a influência do seu “mentor”, do seu “guia”, ou até mesmo, em alguns casos, do que eles acham que é “Deus”.

Dominem o orgulho e a vaidade, causas maiores da queda dos médiuns, e porta aberta para a obsessão.
Muita Paz.
Salvador, 27 de outubro de 2009.
Luiz Roberto Mattos

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