OBSESSÃO

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Acabei de ler o relato de Victor Rabelo no espaço Relatos do Autor, neste site, pois ainda não havia lido.
Seu relato é por demais pertinente, e me deu vontade de escrever algo sobre obsessão, a partir de minhas experiências pessoais.

Victor me inspirou a escrever, pois o tema é importante demais, e há certos aspectos no relato dele que são realmente pouco levados em conta quando se trata a obsessão.

Normalmente, chamamos simplesmente de obsessor o espírito desencarnado, que é aquele que está influenciando negativamente um encarnado.
Habitualmente não buscamos as causas, as raízes da obsessão, nem quem está atraindo quem e alimentando o processo obsessivo.

É claro, normalmente pensam as pessoas, que é mais fácil culpar os outros por nossos defeitos, nossos vícios, nossas limitações, nossas doenças, etc.

Isso não nos dá o trabalho de refletir sobre a nossa particição no processo de construção de nossas doenças, não nos permite reconhecer a nossa culpa, e isso impede a cura real e verdadeira.
Afastar o chamado, muitas injustamente, obsessor é o caminho mais fácil e rápido, mas nem sempre o mais eficaz e duradouro, e isso nem sempre garante a cura total e definitiva da obsessão.
Então vamos analisar um pouco o que seja a chamada obsessão.

Se considerarmos apenas do ponto de vista psicológico, uma pessoa pode estar obsecada por outra pessoa, obsecada por um objeto, por uma ideia, etc. Isso é uma obsessão íntima e pessoal, sem a participação necessária de terceiros, sejam encarnados ou desencarnados.
A paixão, por exemplo, é uma forma de obsessão, que tem graus variados, e que pode levar ao suicídio e ao homicídio (assasinato).

Na paixão, a pessoa apaixonada tem a ideia fixa na outra, que passa a ser muitas vezes a razão do seu viver, a razão da sua vida, e tudo o mais passa a ser secundário. A pessoa apaixonada fica verdadeira cega, do ponto vista psicológico e espiritual.
Há pessoas obsecadas por ideias, que passam a ser ideias fixas.
Mas não tratamos propriamente desse tipo de autoobsessão aqui.

Vamos falar de obsessão externa.
No Santuário Luz e Vida, por exemplo, centro de cura onde trabalho em Salvador, temos tratamento também para a obsessão, mas não usamos esse nome, porque não gostamos de chamar o desencarnado de obsessor, nome pesado, indigno, ofensivo, mesmo porque muitas vezes a obsessão é recíproca, é simbiótica, entre o encarnado e o desencarnado.

A equipe espiritual de nosso centro holístico de cura prefere chamar de influência espiritual nociva. E ela nem sempre indica que o desencarnado é o maior responsável pelo adoecimento do encarnado.
Tratamos os dois em nosso hospital, o encarnado e o desencarnado, pois ambos são merecedores de nossa ajuda, de nosso respeito, de nossa atenção e de nosso carinho.
Vemos no dia a dia de nossa reunião mediúnica que na maioria das vezes a influência espiritual se dá realmente, como bem escreveu Victor Rabelo, com anuência e concordância do encarnado. É a simbiose da biologia, que tanto conhecemos.

Lembrem-se daquele exemplo clássico dos livros, em que um pássaro pousa nas costas do rinoceronte e come os carrapatos que estão agarrados ao couro do animal, e que podem lhe causar doenças.
Nesse caso, não há parasitismo, e sim uma simbiose, pois o pássaro se alimenta daquilo que é um incômodo para o rinoceronte. Ou seja, os dois ganham na relação simbiótica.
No parasitismo, de modo diferente, somente um ganha, e o outro sempre perde, como no caso dos carrapatos e das pulgas em nós humanos. Nós perdemos nessa relação parasitária, e somente eles ganham.
Nas influências espirituais nocivas, que alguns preferem chamar de obsessão, tanto há relações de parasitismo quanto de simbiose.

Há influência espiritual nociva, ou obsessão, por vingança, em que o desencarnado está cobrando diretamente de seu desafeto (inimigo) do passado, de outra vida, ou da vida atual mesmo, sugando-lhe as energias, em verdadeiro processo de vampirização energética; há influenciação nociva apenas pela influenciação mental, buscando o adoecimento da mente, até levar ao processo de loucura; há processos obsessivos que envolvem indiretamente espíritos que fazem partes de organizações espirituais, às vezes somente composta de desencarnados, mas também às vezes compostas de encarnados e desencarnados, como acontece com algumas religiões de origem africana ou de outras bandas do planeta, que trabalham com magia negra, como o conhecido vodu; e há influenciação espiritual também sem envolver qualquer processo de vingança, sem ódio, sem desejar o mal, mas apenas desejando o desencarnado partilhar com o encarnado o seu vício.

O caso do relato do Victor Rabelo se encaixa exatamente nessa última situação citada.
Semanalmente recebemos em nossa mediúnica espíritos desencarnados ligados a nossos pacientes encarnados pelo vicio, dividindo com eles seus vícios, seus gostos, suas preferências, seus desejos mais íntimos.
Há espíritos ligados pelo sexo desvairado e compulsivo, pela bebida excessiva, pelo fumo, pela droga, pelo jogo.
Veja a gama de variedade de vícios a que nós, humanos, estamos ligados.
Ainda há muitos encarnados presos ao hábito e ao vício do tabaco, do sexo, da droga, do álcool, e em menor número ao jogo também.

Muitas vezes é extremamente difícil convencer um desencarnado a se afastar de um encarnado quando os dois têm o mesmo gosto, o mesmo vício.
Tentamos convencer o espírito a passar um tempo em uma cidade espiritual para que ele tenha contato com outras coisas, com outras realidades que ele ainda não conhece, mesmo estando desencarnado há muito tempo, mas nem sempre eles querem esse afastamento das coisas de que gostam muito.

Quantos de nós ainda não conseguimos nos desapegar da carne, do sexo, do álcool, da droga, do jogo. Por que pensamos que após a morte automaticamente isso muda, e que o nosso desejo e apego desaparecem como um passe de mágica? Isso não existe. Isso é ilusão e fantasia.

De fato, nós atraímos muitas vezes para perto de nós companhias espirituais por pura afinidade.
O bebedor contumaz atrai espíritos para perto dele que também igualmente curte muito o álcool.
O viciado em droga atrai o igualmente viciado desencarnado, que nada mudou após a morte do corpo de carne.
Da mesma forma, o viciado em jogo, em sexo, e algumas outras coisas.

Já tive muito trabalho para afastar pelo convencimento um desencarnado viciado em jogo e que comandava um local de jogo, local físico, na Terra, mas dominado por ele, pois ele não aguentaria – dizia ele – ficar uma semana em uma cidade espiritual, que foi a minha proposta e meu convite, sem que levasse pelo menos um joguinho. Com grande esforço consegui convencer o ser preso ao vício do jogo. E ele dizia que a paciente lhe chamava para jogar.
Desse modo, mesmo que afastemos pelo convencimento um desencarnado que alimenta um vício, compartilhando-o com o encarnado, se este último não mudar, não se transformar, não se libertar verdadeiramente de seu vício, virá logo outro desencarnado tomar o espaço que ficou vazio com o afastamento do espírito, e o encarnado atrai isso, e gosta, muitas vezes, dessa relação simbiótica.

Como vemos, nem sempre a chamada obsessão, ou influência espiritual nociva se dá pela força, pela dominação. Muitas vezes nós encarnados chamamos e atraímos os desencarnados para nos ajudar a concretizar nossos desejos.
É preciso ter muito cuidado com o que desejamos, diz o coordenador espiritual do Santuário Luz e Vida, porque nossos desejos podem se realizar.

Muitas vezes ao falarmos em voz alta um desejo nosso, ou simplesmente pensarmos em algo, alguém desencarnado que está por perto, e que se afina com o nosso desejo, pode se encarregar de nos ajudar a concretizar e a realizar nossos desejos, mas ficarão ligados a nós talvez por muito tempo, e às vezes dá muito trabalho para o desencarnado depois se afastar de nós.

Além disso, muitos desencarnados dizem que se pedimos as coisas, mesmo sem pedirmos diretamente a esse ou àquele espírito, eles se sentem no direito de nos cobrar depois pelo que nos deram, e isso envolve dinheiro, fama, sexo, poder, etc. E eu vejo isso a todo instante na mediúnica.
É o que alguns chamam muitas vezes de fazer um “pacto com o Diabo”.

Não é diretamente com o Diabo, que sequer sabemos com certeza se existe como uma única pessoa, mas de se aliar e se beneficiar do trabalho de desencarnados que não dão “ponto sem nó”.
Tudo o que eles, que atuam deliberadamente nas sombras, nos dão, eles depois nos cobram, e essa cobrança pode ser pesada demais para nós.
Portanto, cuidado com o que pedem ao “universo”. Cuidado com seus desejos. Se você pede uma oportunidade de estudo, com certeza alguma boa alma vai tentar te ajudar a conseguir isso, que é bom para você, mas se pedir muito dinheiro, fortuna e poder, muito sexo, nenhum espírito de luz vai te ajudar a conseguir isso, mas certamente alguém de baixo virá te ajudar a conseguir, mas vai cobrar depois.
Se os espíritos menos evoluídos nos influenciam, é porque estamos em sintonia com eles, vibrando na mesma faixa de frequência, e temos os mesmos desejos que eles.
Uma mente sadia, aliada a um coração sadio, ou seja, sentimentos, emoções, pensamentos equilibrados, junto com desejos sadios, somente atraem espíritos bons, de luz, que só nos ajudam a crescer e evoluir.
Pensamentos, emoções, sentimentos e desejos negativos, maldosos, vingança, vícios, ódio, ganância, usura e tudo o que não presta somente atrai espíritos de baixa evolução, e eles podem se instalar em nossa casa, que passa a ser deles também, e depois pode ser muito difícil despejá-los.
Não atraiam más companhias desencarnadas, cuidando de suas mentes, de seus corações, de seus pensamentos.
Oração e vigilância, como dizia Jesus, para não cair em tentação. Isso ainda é uma boa receita para nos manter longe das más influências espirituais.
Deixemos de obsediar a nós mesmos com ideias fixadas em coisas ruins, e de obsediar os outros, encarnados e desencarnados chamando-os para compartilhar conosco os nossos vícios.
Esse é o melhor remédio, e preventivo, contra toda e qualquer forma de obsessão, ou influência espiritual nociva.
Muita Paz.
Salvador, 22 de outubro de 2009.
Luiz Roberto Mattos

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