POR QUE NÃO VAMOS PARA O CÉU?

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Inicialmente, gostaria de chamar a atenção do leitor para o fato de o título deste texto ser uma interrogação que contém embutida também uma afirmação.

Assim, quando pergunto por que não vamos para o céu, estou também na verdade de certo modo afirmando que não vamos para o céu, e ao longo do texto buscarei explicar as razões disso.
Cabe-me também neste início tentar dizer o que entendo por céu, tendo já em texto anterior (Céu e Inferno) feito algumas reflexões sobre o tema.

Religiões como o cristianismo, com suas variadas igrejas, dividem o mundo além morte em céu e inferno, e a Igreja Católica Apostólica Romana até bem pouco tempo atrás ainda incluía o Purgatório como zona intermediária entre eles, tendo sido extinto o Purgatório por decreto papal recentemente, como se um papa pudesse criar e desconstituir dimensões no mundo espiritual ao seu bel prazer por decreto.

O Islamismo apresenta o Inferno e o Paraíso, que nada mais é do que o Céu.
Tantas e tantas outras religiões falam de céu e inferno, ou de paraíso e inferno, mais ou menos da mesma forma.
Para os espiritualistas em geral, da linha mais ocultista, ou esoterista, como os teosofistas, os rosacruzes, os espíritas e outras mais, não existem apenas duas regiões separadas e distintas, como céu e inferno, mas várias zonas, ou dimensões, como plano astral, plano mental, plano causal, etc.

Algumas correntes chegam a dividir em número de sete os planos. E por isso alguns falam em sétimo céu, querendo com isso demonstrar que também o céu está dividido em regiões ou camadas.
Os espíritas falam em trevas ou abismo, em umbral, acima das trevas, e em dimensões acima dessas, mas todas integradas ao que genericamente denominam de mundo espiritual.

Não nos importamos com as definições que queiram dar. O que importa para nós é que, em geral, as religiões e as filosofias espiritualistas falam todas elas em duas regiões principais e distintas, uma abaixo da superfície da Terra e outra acima dela, o que pode ser chamado simplesmente de céu e inferno, para usarmos uma definição mais clássica e antiga usada por várias religiões.

É senso comum praticamente em todas as religiões, colocada de uma forma bem simplista, que os bons vão para o céu e os maus para o inferno.
Todavia, o que se entende por bom e mau é tratado de forma variada pelos religiosos.
Para alguns muçulmanos (islamitas), por exemplo, um homem-bomba que morre matando um monte gente supostamente em nome de Alá vai para o Paraíso, onde transará com 70 virgens e outras coisas mais.

No tempo das cruzadas, bancadas pela Igreja Católica, os cristãos fizeram misérias, mas abençoados pelo Papa, e até o canhões eram abençoados.
Para a Igreja Católica, se um pecador ao receber a extrema unção confessar seus pecados na hora da morte, e o padre o perdoar, ele vai para o céu. Simples assim. Todavia, se um pecador não tiver a mesma sorte de ter um padre por perto na hora da morte, irá mesmo para o inferno.

Existem absurdos em várias religiões, como essas poucas aqui apontadas, pois vão de encontro à lógica e ao bom senso da maioria.
Basicamente podemos dizer que as pessoas verdadeiramente boas, que nenhum mal fazem aos outros, e só fazem o bem, vão para o céu, e que os que fazem apenas o mal, e nenhum bem, vão para o inferno.
Mais isso é ser simplista demais.

Em verdade, tanto pelas leituras espíritas quanto teosofistas, bem como pelas nossas observações em reuniões mediúnicas e experiências fora do corpo, o mundo extrafísico, ou espiritual, que muitos subdividem em astral, mental, etc, é um vasto universo multidimensional, com muitas camadas ou zonas umas sobre as outras.
Mais embaixo, lá nas profundezes do planeta, fica o que se chama de trevas ou abismo, e aí, à medida que vamos subindo, vem o umbral, e depois zonas cada vez mais sutis, até as mais elevadas, que muitos chamam de céu ou paraíso.

São muitas as variáveis que determinam a zona ou região onde cada espírito pode viver no mundo espiritual.
Basicamente, podemos falar em densidade material, mas não da matéria física, e, sim, de matéria outra, mais sutil.
Quanto mais denso o corpo espiritual, mais o espírito desencarnado desce a planos mais densos. E quanto menos denso, ou mais sutil, o corpo espiritual, mais o espírito sobe a planos mais elevados e sutis.
E o que determina essa maior ou menor densidade do corpo espiritual?

Diversos fatores, como alimentação, enquanto encarnado, pensamentos, emoções e sentimentos.
O equilibro dos nossos pensamentos, das nossas emoções e dos nossos sentimentos determinam em grande parte a qualidade e a densidade de nossos corpos energéticos.

Uma pessoa, por exemplo, que sente inveja constantemente, que está cheia de mágoa, ou odiando, que tem raiva, fica com o corpo espiritual muito denso. Esse estado mental faz as moléculas se contraírem e se juntarem mais, aumentando a densidade do corpo de matéria mais flexível.
Uma pessoa que está deprimida, ou desesperada, ou com muito medo, também tende a manter seu corpo espiritual denso demais.

Já uma pessoa que está de bem com a vida, amando, que se dá bem com todos, que faz o bem em geral, que é otimista, altruísta, etc., com emoções, pensamentos e sentimentos equilibrados e positivos fica com seu corpo espiritual mais sutil, menos denso, menos material.

Desse modo, quem está com o corpo espiritual mais denso não consegue subir a planos superiores, e quem está com o corpo mais sutil pode subir, como pode descer livremente em serviço, a trabalho de ajuda, como muitos realmente fazem, e retornam quando querem a seus planos mais sutis sem problema algum.
Além do equilíbrio dos pensamentos, das emoções e dos sentimentos, há outra questão, nem sempre lembrada, e que tem sido objeto de minhas reflexões diárias há algum tempo, pois tenho convivido com essas questões na reunião mediúnica na qual trabalho.

Uma delas é a questão da energia das carnes, ou seja, do ectoplasma animal.
Os encarnados que comem carnes de animais mortos mantêm presos a seu corpo astral, ou espiritual, parte desse ectoplasma, e ao saírem do corpo, em projeção astral, podem viajar pelo plano físico, fora do corpo, até mesmo voando, e podem descer a planos inferiores, e subirem a plano logo acima da Terra, mas encontram um limite nessa subida, pois o ectoplasma, mesmo o humano, é impeditivo de subida maior, e o ectoplasma dos animais, que é ingerido com a carne dos animais, é impeditivo ainda maior.

O praticante de projeção astral que não come nenhum tipo de carne poderá subir a planos mais elevados que outro praticante que como carnes variadas, se considerarmos que os dois têm igual equilíbrio emocional psicológico e de sentimentos, é claro, pois isso é o mais importante de tudo.

O que quero dizer é que alguém, mesmo muito evoluído moralmente, se sair do corpo em projeção astral terá limites na subida a planos superiores por causa do ectoplasma animal, e se estiver desencarnado, e sentir ainda saudade da carne, ficará perto da Terra, para logo encarnar novamente, pois não consegue subir e deixar para trás o hábito milenar de comer carne.

Da mesma forma, o hábito e vício da bebida alcoólica, do cigarro e do sexo.
Quem não consegue se libertar do sexo, do álcool e do cigarro, não irá muito longe nos planos mais sutis após a morte. Ficará por perto da crosta terrestre, em planos mais periféricos do planeta, planejando uma volta a um novo corpo de carne o mais breve possível.
Os apegos à carne, ao álcool, ao cigarro e ao sexo são na verdade impeditivos a uma subida maior, ou seja, uma subida ao céu.

Há poucos dias ouvi um espírito desencarnado, na reunião mediúnica onde trabalho, me dizer que preferia o inferno ao céu, e que queria mesmo era ter o encontro com o Diabo. Como isso me chocou! Por quê?
Depois de muito refletir, concluí que ele estava ainda muito apegado às coisas da Terra, do plano físico, além de estar muito apegado ao poder, que algumas organizações das trevas possuem, relativamente, e provisoriamente.
Muitos espíritos desencarnados ficam por aqui se prestando a trabalhos de magia negra em troca de ectoplasma animal, que algumas religiões ainda utilizam, com a matança de galinhas, bodes, etc., com a cachaça e o charuto. Isso é verdade! Ainda existe mesmo, e muito!

Eles trabalham e recebem seu pagamento em fluidos desses alimentos e substâncias materiais, por sentirem ainda muita saudade das sensações da matéria.
Tenho conversado com tantos espíritos viciados em sexo, em jogo, em cigarro, em drogas e em álcool, e todos eles se recusam inicialmente a deixarem a vida que estavam levando depois da morte, junto a encarnados que possuem o mesmo vício, junto aos quais podem sentir um pálido reflexo das sensações que o encarnado sente.
Muitas vezes tento fazer um convite para passarem uma temporada em uma cidade no mundo espiritual, e eles perguntam se lá terá carne, sexo, bebida, jogo, etc., e ao responder eu que não, eles se recusam, pois não querem abrir mão de modo algum dessas coisas, desses prazeres.

O apego a essas coisas é a maior causa de nós não irmos para os altos planos, ou seja, de não irmos para o céu.
Ninguém nos prende na Terra. Não há barreira, não há fronteira, não há portão, não há guarda algum barrando a nossa entrada no céu. Nós não chegamos lá simplesmente porque não queremos. Porque não abrimos mão de certas coisas às quais nos apegamos demais ao longo de nossas milhares de encarnações, sobretudo a carne, o sexo, o álcool e o poder.
O gosto pelo poder, que leva muitos espíritos a se juntarem a organizações das trevas, é outro grande impeditivo da subida ao céu.

Quanta gente em busca de poder, seja na Terra, enquanto encarnados, seja depois da morte.
Como não encontram espaço para se espalharem nos planos superiores, onde comandam os mais elevados moralmente, os sequiosos de poder acabam se aliando aos mandantes das trevas, e ficam muitos séculos integrando suas organizações, e a saída muitas vezes é difícil. É como tentar sair da máfia. Eles não admitem a saída. Isso é considerado traição para eles.

Eu tive a coragem de sair há algum tempo, antes desta vida, e até hoje meus antigos companheiros me perseguem, e me consideram um traidor. Mas valeu a pena. Estou mais feliz no caminho da luz, sem tanto poder como já tive antes, mas aliado com os seres de luz, como o mestre Sana Khan e outros, que me ajudaram e me resgataram da loucura do poder.
Hoje só quero o poder de servir, ou seja, só quero poder servir.

Não tenho mais os poderes psíquicos que tinha antes, e o pouco poder que possuo procuro usar pelo bem de todos.
O céu está lá em cima, acessível a qualquer um, e a todos. Mas bem poucos querem realmente ir para lá. Há até piadas que retratam como as pessoas preferem ir para o inferno, alegando ser mais divertido, enquanto no céu só haveria oração. A coisa não é bem assim. Mas não há realmente churrasco, pois no mundo espiritual não podemos mais matar os animais, que já estão mortos. E não há bebida alcoólica, nem cigarro, nem droga, e o sexo só vai até um certo ponto, e mais além ele desaparece por completo, por perder a sua função e a sua finalidade, que é principalmente de reprodução, base da reencarnação, e também de união dos seres e desenvolvimento do amor. Uma vez que aprendamos a amar a todos, indistintamente, não mais precisaremos da ponte do sexo para fazer surgir o amor. Então o sexo desaparece mesmo. E é isso o que apavora muita gente, aqueles que ainda são muito apegados ao sexo carnal.

O inferno ainda está cheio aqui na Terra, super povoado, enquanto que o céu está ainda vazio.
Por que não vamos para o céu? Por que não queremos!
Porque ainda não estamos prontos para deixar para trás as coisas às quais estamos acostumados a ter há muitos milênios, como comida, sexo, bebida alcoólica, etc.

Somente quando nos libertarmos de tudo isso, e encontrarmos o equilíbrio emocional, psíquico e de sentimentos, amando de verdade, indistintamente, sem preconceitos, sem limites, sem amarras, sem condicionamentos, estaremos em condições de subir a planos maravilhosos, onde há outros tipos de prazer, mais sutis, mas que estão ainda muito além de nossa compreensão.

Nós realmente não vamos para o céu tão cedo! Não até termos conquistado outros valores, até aprendermos a amar a todos os seres vivos, e não mais assassiná-los para devorá-los condimentados e em belos pratos ricamente decorados e coloridos, disfarçando seu cheiro e seu gosto de carne morta. E isso tudo depois de não conseguirmos mais também fazermos qualquer mal ao ser humano primeiro.
Não iremos para o céu com sede de cerveja, com fome de carne, com vontade de fumar, de cheirar cocaína ou de fazer sexo.

Enquanto sentirmos todos esses desejos, permaneceremos por aqui mesmo, encarnando e desencarnado, nos atritando uns com os outros, comendo, bebendo, matando animais, e às vezes também seres humanos, casando, traindo, ganhando dinheiro, buscando fortuna e poder…
Esse é o desejo da esmagadora maioria dos seres humanos neste planeta.
Por isso não vamos para o céu! Porque não queremos mesmo ir!
Ninguém está a nos impedir de entrar no céu, a não ser nós mesmos!

Boa reflexão!
Muita Paz!
Salvador, 11 de novembro de 2009.

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