DEFICIENTES DA CONSCIÊNCIA

Print Friendly, PDF & Email
Avalie o artigo

Ontem pela tarde saí com meu filho caçula para cortar o cabelo em um salão que fica em um supermercado perto de minha casa.
Ao encontrar uma vaga para estacionar, vi uma mulher, aparentando entre quarenta e cinquenta anos, se aproximando de seu carro, e abrindo a porta para entrar.
A cena a princípio pode parecer normal. E seria, caso a vaga não fosse destinada a deficientes físicos.
A vaga tinha o chão pintado de azul forte, em grande destaque no asfalto cinza escuro do estacionamento, o que chamava logo atenção, além de ter pintado o símbolo que identifica os deficientes físicos, assemelhando-se a uma cadeira de rodas.

A mulher andava normalmente, e não demonstrava ter qualquer espécie de deficiência física, o que me chamou logo a atenção, e por isso comentei o fato com meu filho de treze anos, pois sempre estou tentando ensinar alguma coisa positiva a ele.
Vale ressaltar que havia muitas vagas comuns no estacionamento.
Esse fato me fez pensar em como ainda há pessoas sem consciência neste mundo.
Não falo da consciência que todos são, manifestação da Consciência Cósmica, do Absoluto, de Deus, na visão monista, não se confundindo com a visão monoteísta nem tampouco antropomórfica.

Ser uma consciência e ter consciência de algo é coisa diferente, sendo aplicações diferentes da mesma palavra consciência.
Somos seres conscientes. Todos os seres do Universo são conscientes, isso no sentido apenas de ser, o que não é o mesmo que ter consciência de alguma coisa.
Quando uma pessoa reconhece que é alcoólatra, por exemplo, ela passa a ter consciência de sua dependência do álcool. Mas essa pessoa desde os primórdios da evolução já era um ser consciente.

Temos hoje em nossa sociedade uma gama de tipos de deficiência já plenamente identificadoss e reconhecidos, como a deficiência física, do tipo cegueira, surdez, mudez, paralisias, etc, e temos os deficientes mentais, também chamados hoje de portadores de necessidades especiais.
Podemos falar também em deficientes emocionais, que são aqueles que não conseguem lidar bem com suas emoções, e que não as controlam, e há ainda os deficientes sentimentais, que não possuem sentimentos saudáveis.

Há deficientes de caráter, que não conseguem viver de forma equilibrada e honesta no seio da sociedade.
Todavia, ontem comecei a pensar nos deficentes de consciência.
São pessoas que não conseguiram ainda desenvolver uma consciência mais ambrangente da sociedade, do todo, e não conseguem sair do centro do seu universo particular e egoísta. Vivem ainda centradas no seu umbigo, como gostam de dizer alguns psicólogos modernos.

Há pessoas vivendo em cidades grandes como se vivessem sozinhas em uma ilha, como se fossem o Robson Crusoé da literatura.
No entanto, elas vivem em sociedade, em meio a milhões de outras pessoas, todas querendo sobreviver, todas tendo suas necessidades, e com muita competição.
Vejo todo dias pessoas deficientes de consciência no trânsito, que não dão passagem a pedestres, às vezes até mesmo na faixa de pedestres, e com o sinal fechado para os veículos, nem dão passagem a outros motoristas em cruzamentos, nas esquinas, nas saídas dos edifícios, etc.

Quantas vezes fico quase cinco minutos tentando sair da garagem do meu prédio, enquanto passam dezenas e dezenas de carros e nenhum pára. E para entrar na garagem, quando venho de direção que não me favorece, é a mesma coisa. Fico parado e dando sinal, e raramente um “filho de Deus” pára e me deixa atravessar a rua e entrar na garagem.
Nas estradas, quantas vezes, quando acontecem acidentes, e há congestionamentos, muitos transitam pelo acostamento, mesmo sabendo que isso é proibido, para passar na frente dos demais que aguardam na fila até o trânsito andar.

Quanta gente fura fila, coloca alguém para guardar lugar na fila, ocupa duas filas ao mesmo tempo, sempre querendo levar vantagem sobre os outros, de uma forma egoísta.
Quantos políticos desviam dinheiro público neste país. Quantas pessoas fraudam o INSS, o programa de seguro-desemprego, o imposto de renda, com as sonegações. Quanta gente invade os sinais de trânsito, sobe nas calçadas dirigindo embriagada e atropela e mata, sem ter a menor consciência de seu papel social, do seu papel na vida.
Há muita gente no mundo sem consciência dessas coisas, sobretudo nos países menos desenvolvidos, como o Brasil.
Diria mesmo que no Brasil há muito mais deficientes de consciência do que deficientes físicos e mentais.

Pessoas jovens que não respeitam os mais velhos em casa e na rua; políticos que não respeitam a coisa pública; colegas de colégio que não sabem viver sem competir pela melhor nota, como se isso fosse uma coisa saudável e normal, e que vá lhe render alguma coisa no futuro; amigos que traem uns aos outros; sócios que traem sócios; maridos que traem as esposas e vice-versa; índios que desmatam usando a moto-serra para vender a madeira; sem-terra que fazem invasões para conseguir terra e depois de atingido o “objetivo” vendem a terra; policiais que traem o juramento e viram verdadeiros sócios dos bandidos, tornando-se iguais a eles, e colocando a sociedade em situação de maior risco e incerteza; professores que fingem que ensinam; alunos que fingem que estudam; trabalhadores que fingem que trabalham; empresários que fingem que pagam um bom salário; juízes que fingem que julgam; médicos que fingem que curam, etc. Quanta gente finge que vive…mas apenas são levadas pela vida, em total inconsciência…como um pedaço de pau levado pelas águas do rio…não sabem para onde estão indo…
Há tanta inconsciência no mundo. Há tanta gente com deficiência de consciência.

É preciso abrir a mente e perceber a nossa inconsciência no trato com os outros. Precisamos nos dar conta de que não vivemos sozinhos no mundo, e de que os outros também buscam a sobrevivência e a felicidade, como nós.

Todos querem a felicidade. Todos querem viver bem. Ninguém quer sofrer. Mas se todos estiverem sempre lutando para levar vantagem em tudo, no final ninguém levará vantagem em nada.
Despertar a consciência adormecida…passar a olhar os outros não como rivais na selva, mas como sócios de uma sociedade. Do contrário, não faz o menor sentido chamar a humanidade de sociedade humana, se formos apenas um amontoado de gente disputando o tempo todo e sempre querendo levar vantagem em tudo, mesmo que para isso tenhamos que passar por cima dos outros, causando-lhes dor e sofrimento.

Consciência ecológica, consciência política, consciência social, consciência econômica, consciência espiritual…precisamos ter mais consciência das coisas, e principalmente de que somos espíritos apenas temporariamente ligados a um corpo de carne aprendendo neste mundinho de meu Deus…e que não vale a pena pisar no coração dos outros para que o nosso seja feliz…
A felicidade não será jamais alcançada pela humanidade enquanto houver gente com fome e com sede na Terra, gente sendo maltratada, humilhada, presa por motivos políticos, saindo para a rua com medo do lobo mal humano no cruzamento, ameaçando com uma pedra por algumas migalhas de dinheiro.
Consciência para a vida. Consciência de que somos todos na verdade Um só, e que devemos nos amparar, nos apoiar, nos ajudar, e, acima de tudo, cooperar uns com os outros, ao invés de competir sempre e o tempo todo, como normalmente as pessoas fazem.

Ter consciência de que se quisermos a felicidade, temos que trabalhar pela felicidade geral, porque, neste universo holístico em que vivemos, não haverá felicidade de poucos em detrimento da felicidade de todos.
Vamos tentar curar a nossa deficiência de consciência.

Muita paz.
Salvador, 09 de março de 2010.
Luiz Roberto Mattos

Conheça nossa loja virtual: http://mestresanakhan.com.br/loja/

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *