LAÇOS DE ÓDIO

Print Friendly, PDF & Email
Avalie o artigo

O título deste texto une laços a ódio.

Laço já nos dá a ideia ligação, de união, que pode ser indissolúvel ou não. E ódio…ah…que palavra que desperta sentimentos pesados, ruins, negativos. A palavra chega mesmo a ser feia, desagradável até de se pronunciar.

Laços de ódio, assim, dá a clara ideia de uma ligação pelo sentimento do ódio.
Não devemos confundir o ódio, que é um sentimento, e que é duradouro, com a raiva, que é apenas uma emoção, e que pode ter uma existência muito breve.
Podemos ter uma raiva momentânea de alguém, por algo que nos foi dito ou feito em determinado momento, mas essa raiva pode se dissolver e se esvair em poucas horas, ou em alguns dias.

Todavia, com o ódio não se dá a mesma coisa.
Para alguém odiar, normalmente é preciso que lhe faça alguma coisa mais séria, não uma coisa menor que apenas gera uma raiva. E por isso o ódio normalmente é fruto de um ou vários atos danosos e que causaram muita dor.

Nunca conheci alguém que tivesse passado a odiar outra pessoa sem uma razão, sem um forte motivo.
Assim, praticamente todo ódio tem uma causa sólida, concreta e real.

No meu labor constante em contato com espíritos desencarnados, desde 1978, em reuniões mediúnicas, tenho acompanhado incontáveis casos de laços de ódio nascido de atos praticados egoisticamente, irresponsavelmente, causando dor e sofrimento a outras pessoas.
Vou dar alguns exemplos de níveis de ódio diferentes, e sua relação com uma maior ou menor possibilidade de perdão.
Cenário, Brasil, Região Nordeste, 1751.

Em um engenho de cana de açúcar, um escravo revoltado causava problemas, e era odiado pelo senhor do engenho, que manda castigar o escravo.
Após o terrível castigo pela chibata, o escravo, ainda mais revoltado, na primeira oportunidade que aparece pega um caco de vidro e ataca o seu dono, cortando-lhe o pescoço, e se agarra a ele, até que o senhor do engenho morre de hemorragia.

Em seguida, o capataz da fazenda, ao chegar ao local, dispara um tiro no escravo, que tomba morto, ao lado do dono.
Os dois despertam no mundo espiritual cheios de ódio, que é recíproco, e assim permanecem, odiando, e literalmente grudados um ao outro. O escravo montado no pescoço do dono.
O tempo passa, para nós, que temos dia e noite e temos relógio. Mas para eles não existe mais a percepção de tempo, pois estão “parados no tempo”, em região escura, devido ao sentimento de ódio que os domina, e que faz o corpo espiritual ficar mais denso.

Então eles são levados, sem perceberem, para uma reunião mediúnica, onde eu trabalho, e começou a conversa com o doutrinador da reunião.
Quem incorporou em uma médium foi o senhor de engenho, pedindo para tirarem o escravo do pescoço dele.
O pobre homem, desencarnado desde 1751, exatamente, como informou, não tinha noção do tempo que se passara, e não compreendia como nós poderíamos estar em 2010. Foi uma conversa longa e difícil.

Ao final, o doutrinador conseguiu convencer os espíritos a se separarem, e cada um foi encaminhado para um lugar diferente no mundo espiritual, posto que não havia ainda condição emocional de se manterem os dois juntos, após tantos anos de ligação próxima e pelo ódio que devotavam um ao outro.
Segundo cenário, Egito, três mil anos ou mais atrás.

Em uma organização religiosa, havia um pacto de não envolvimento sexual com mulheres, e a completa proibição de ter filhos.
Um de seus membros, quebrando a regra do grupo, envolve-se com uma mulher, e disso resulta um filho, um menino.
Quando o grupo descobriu o que consideraram ser uma traição à ordem religiosa, pegaram o menino e decidiram mumificá-lo vivo, na presença do pai, que estava amarrado dentro da câmara própria para o tipo de ato.

O pai, enlouquecido de raiva, foi obrigado a assistir todo o ritual e procedimento de mumificação de seu filho vivo, até que o enfaixamento com as ataduras chegou a cobrir-lhe os olhos arregalados e aterrerizados. E o pai lutando para se livrar das cordas que o prendiam, mas sem poder, e jurando vingança, promessa que fez ao filho no momento de sua morte.
Em 2009, três mil anos depois, o líder do grupo, que foi quem ordenou a mumificação da criança viva, está encarnado, e sofre há muitos anos de problema respiratório, e também seu filho. E vão ambos se tratar em um centro de cura, uma casa espiritualista.

Durante o tratamento, o espírito, guardando um ódio milenar, é levado a incorporar na reunião mediúnica para conversar conosco.
Chega revoltado, arrogante, sem admitir interferência nossa no caso, e termina por nos contar a triste estória, após minha insistência.
Ele estava se vingando do líder do grupo egípcio, causando-lhe problemas respiratórios, tendo dito que havia envolvido o encarnado em faixas, como na mumificação, e muito apertadas, para não permitir sequer que ele respirasse, e de fato o encarnado sentia falta de ar e dificuldade de respirar, e seu filhinho também estava com problemas respiratórios.
O desencarnado queria matar os dois, pai e filho, em vingança pelo que ele fez com seu filho no Egito antigo.

Muita conversa sobre perdão, fizemos regressão de memória, e nada de o espírito aceitar deixar o seu projeto justo de vingança, na sua ótica.
Naquela noite, o espírito saiu sem o convencimento quanto a desistir da vingança, muito menos convencido a perdoar.
Ele dizia que fez um juramento a seu filho, lá no Egito antigo, de que se vingaria, e que não poderia quebrar o juramento que fez a seu filho. E ele nunca mais viu o flho, nestes três mil anos de desencarnado.

O ódio ainda era muito forte, e o perdão ainda difícil de ser conseguido.
Nessas situações, cada caso é um caso. Nem sempre na primeira conversa o ser que está cheio de ódio desiste da sua vingança e perdoa facilmente.
Muitas vezes são necessárias varias conversas, em dias diferentes, atá convencermos o espírito a deixar de lado seu objeto de ódio e seguir o seu caminho.
Laços de ódio podem durar séculos, ou até milênios, como nesses dois casos acima citados ligeiramente, e sem maiores detalhes, principalmente quando envolvem assassinato, e ainda mais entre amigos, e de forma cruel.

Irmãos que matam irmãos, sócios que roubam e matam sócios para ficarem com a sua parte da sociedade, marido que mata a mulher, etc, são situações muito difíceis de perdoar.
O ideal é a prevenção. Não causar dor, não fazer sofrer, não magoar, não matar, etc, para não gerar um ódio que pode durar séculos ou milênios.
Os laços de ódio são fortes, e nem sempre é fácil e rápido o processo de convencimento do espírito que se sente vítima a perdoar, nem mesmo a desistir de sua justa vingança.
É normal o ser se sentir vítima, pois na última existência de fato ele foi a vítima. Mas quando lhe mostramos um pouco do seu passado, através da regressão de memória, e ele vê o que ele fez ao seu antigo algoz anteriormente, na maioria das vezes o atual vingador abaixa a cabeça, e se sente envergonhado, e termina deixando em paz o seu algoz, por ver que antes seu algoz foi igualmente a sua vítima, e em muitos casos o atual vingador fez antes coisa pior àquele que hora persegue.

A regressão de memória tem sido para mim uma ferramenta espetacular para casos de vingança e ódio. Serve também para diversas outras situações, mas para esvasiar a vingança não conheço método melhor.
Evitemos de toda forma magoar, fazer o mal, lesar de qualquer forma, ferir, e tudo o mais que possa despertar o sentimento do ódio, esse sentimento forte e enlouquecedor que pode nos acompanhar por muito tempo, e nos trazer também dor de retorno, em cumprimento da Lei de Causa e Efeito.
Não despertemos o ódio nos outros!
Não odiemos jamais!

O único antídoto eficaz ao ódio é o amor!
Amar ao próximo como a si mesmo, e não fazer aos outros aquilo que não gostaríamos que nos fizessem. Essa é uma regra de conduta que evitará seguramente que geremos ódio nos outros contra nós.

Muita Paz.
Salvador, 07 de março de 2010.
Luiz Roberto Mattos

Conheça nossa loja virtual: http://mestresanakhan.com.br/loja/

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *