O DESENCANTO COM O AMOR

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Ontem à noite, na reunião mediúnica na qual trabalho, houve uma série de manifestações de espíritos com a mesma problemática, o desencanto com o amor. Por isso o tema ora abordado aqui.

Caminhando na praça hoje cedo estive refletindo sobre o tema, e me deu vontade de escrever algumas linhas sobre isso.

Um dos espíritos era um homem, que era biólogo em vida, recentemente, e ele demonstrava não acreditar no amor, e dizia que na verdade as pessoas achavam que amavam, ou até mesmo acreditavam que amavam, mas que na verdade elas não amavam. Tudo, para ele, era apenas uma forma de alcançar o sexo, como forma biológica de garantir a reprodução da espécie. Uma visão bem materialista da vida, mas que trazia por trás um grande desencanto com o amor.

Outro espírito, uma mulher, que disse ter sido traída pelo marido, a quem encontrou beijando outra mulher, também dizia não acreditar no amor.

Houve ainda outros com manifestações semelhantes, deixando claro o desencanto e a descrença no amor.
Tudo isso me fez pensar em como as pessoas se prendem ainda à paixão, que confundem muito com amor, e como misturam a atração física, o desejo, o “tesão”, com paixão e amor. Tudo acaba sendo misturado como se fosse um grande milk shake de sensações, emoções e sentimentos, como se fosse tudo uma coisa só.

As pessoas se lançam de cabeça nas relações, como se o mundo fosse acabar amanhã, abrem toda a sua intimidade ao primeiro sinal de desejo, ou tão-logo se concretize a paixão, mesmo inicial, tênue e por demais fugaz.

Entregam-se, deixam muitas vezes de ter vida própria para viver em função do outro; anulam-se para fazer o outro feliz, como se isso fosse possível.
Jogam-se nas relações esperando o máximo do outro, e acreditando estar dando o máximo de si, o que nem sempre acontece, porque a maioria das pessoas ainda é egoísta.

Damos o suficiente para recebermos tudo o que esperamos receber, e de preferência com o mínimo de esforço e de
sacrifício.

Acontece que chega um momento em que o desejo amorna, arrefece, esfria, e mesmo a paixão mais louca e arrebatadora vai embora também.
Se não surgiu o amor verdadeiro, que não depende da forma, da aparência, de sexo, de dinheiro, de nada, então fica o vazio. A pessoa que perde o “ser amado” se sente traída, vazia, sem nada, e muitas vezes sente faltar-lhe o chão debaixo de seus pés, e parece que seu mundo ruiu.

É ái que começa o desencanto.
Quando sofremos muitas vezes por “amor”, na verdade por
causa da paixão normalmente, temos uma tendência de desacreditarmos no amor. Negamos a sua existência. Dizemos que nenhum homem ou nenhuma mulher presta.

Foi isso mais ou menos o que ouvi ontem.
Somos seis bilhões de seres humanos na Terra hoje. Metade mulher e metade homem, mais ou menos. Então, são três bilhões de homens e três bilhões de mulheres. Isso é só de encarnados.

Se pensarmos que cinco ou dez mulheres ou homens nos fizeram sofrer “por amor”, o que isso representa diante da quantidade de homens e mulheres que vivem no mundo. Que estatística embasa a nossa afirmação de que nenhum homem ou nenhuma mulher presta?

É preciso aprendermos a escolher melhor nossos parceiros para relacionamentos amorosos, não buscando apenas e principalmente a bela aparência, a beleza exterior, estética, mas sobretudo a beleza interior.

Ainda buscamos muito a embalagem graciosa, e fechamos os olhos para a essência das pessoas.
Quantas pessoas belas por dentro não possuem corpos físicos belos e atraentes…e quantas beldades de capa revista escondem por trás da beleza artificial um poço profundo de maldade, de egoísmo, de vaidade e de orgulho, que fazem ruir qualquer relacionamento…

Muitas pessoas hoje desencantadas com o amor sequer viveram de fato um grande amor…apenas viveram uma grande paixão…e toda paixão, por mais longa e forte que seja, sempre acaba…
O amor…ah o amor…sentimento belo, profundo, verdadeiro, eterno, não acaba nunca…

Quem conhece uma mãe que deixou de amar seu filho, mesmo que ele tenha se tornado um criminoso? Um viciado em droga, um alcoólatra, um pedófilo ou um corrupto?
Não, nenhuma mãe deixa de amar o filho, ou os filhos, mesmo que eles sejam muitos, como minha querida mãe, que tem oito filhos, e se preocupa com todos nós, mesmo estando todos já entre 45 e 55 anos…

Há mães que vão todo final de semana ao presídio visitar o filho que cumpre pena, mesmo que isso dure vinte anos. O amor que elas sentem durará para sempre, mesmo sabendo que seu filho é um desajustado social, ou doente social!
Tive muitas paixões na vida, e todas elas passaram!
Amo algumas pessoas, como minha mãe, meus irmãos, minha esposa, meus filhos, alguns amigos, e por eles deixarei de ir para o céu, se for o caso, e se um dia tiver esse direito, mas se tiver que descer ao inferno para ajudá-los a se recuperarem até poderem subir comigo. Não subirei deixando para trás aqueles que amo! Isso é amor!

Tenho visto há mais de trinta anos em reuniões mediúnicas mães desencarnadas que estão há anos tentando ajudar seus filhos que morreram em condições deploráveis, ou que estão nas trevas, fazendo coisas erradas. Elas nunca desistem de seus filhos. Desistem antes do paraíso a que têm direito, para acompanhar e ajudar seus filhos. E em muitos casos mesmo só conseguimos tirar o espírito do caminho do mal fazendo ele ver a sua mãe, porque isso sempre desperta um sentimento muito positivo e muito forte. Os espíritos líderes das organizações das trevas deploram essa tática, e dizem que isso é covardia nossa, pois eles não são convencidos por nossos argumentos, mas “desmontados” e “amolecidos” pelo coração, ao se defrontarem com a mãe de sua última existência. Poucos, e raríssimos, não amavam a sua mãe. Então isso quase sempre funciona.

O chamado “amor de mãe” é inigualável na Terra!
Pais também, em que pese não na mesma proporção, fazem o que as mães fazem, e eu posso dizer que sou um deles, porque sempre fui pai/mãe, de trocar fraudas, limpar cocô, dar mamadeira, levar para o parque, para a praia, para o cinema e o circo, etc.

Sei o que é amor de mãe, pois o sinto sendo pai…
É preciso amadurecer mais o nosso sentimento, para que ele saia da faixa da mera paixão e suba para a faixa do amor verdadeiro, incondicional, atemporal, eterno.

Devemos vencer o desencanto com o amor, acreditando que se deixamos de amar, é porque em verdade não amávamos, e que se o outro deixou de nos amar é também porque não nos amava de verdade.

Quem ama de verdade perdoa sempre, e jamais deixa de amar!
Muita Paz.
Salvador, 10 de fevereiro de 2010.
Luiz Roberto Mattos

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