MORTO E VIVENDO COMO VIVO

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Em minha experiência em contato com espíritos desencarnados já vi muitas coisas estranhas, coisas inusitadas, coisas surrealistas, mas ontem, na reunião mediúnica na qual trabalho, vivenciei uma experiência um pouco diferente, e que me deu muito trabalho de convencimento.

Recebemos um homem desencarnado, que incorporou em uma médium de psicofonia, e comecei a conversar com ele, e em poucos minutos descobri que ele estava ligado a uma de nossas pacientes encarnadas em tratamento na casa, e que estava morando ainda na casa que um dia foi dele, junto com a família.
A paciente era a sua esposa em vida, e ele a estava acompanhando sempre que ela ia para o nosso centro de tratamento, e já há alguns dias estava tentando falar conosco.
Não aceitava a ideia que já haviam lhe passado no plano espiritual de deixar a sua casa, a sua família, e seguir para uma cidade espiritual.
Comecei a tentar convencê-lo nesse sentido, e nada, ele não arredava o pé da ideia de permanecer com sua família e em sua casa.
Ele dizia ter sido um homem honesto, trabalhador, que nunca traiu a esposa, nunca fez nada de errado, e não via sentido em se afastar de sua família e de sua casa, pois ali era o seu lar, e ele não conhecia mais nada além daquilo.

Desencarnou há mais de cinco anos, e todo esse tempo tem estado em sua casa, junto dos familiares.
Disse que não estava fazendo mal a ninguém, e que eles gostavam de sua presença, e que durante a noite, quando eles saíam do corpo, conversavam entre si, se abraçavam, e que eles gostavam disso tanto quanto o próprio desencarnado gostava também, não havendo mal algum nisso.
Aos poucos, ao longo da conversa, que se alongava, chegando a 20 ou 30 minutos, o que é muito numa mediúnica, ele foi falando sobre a esposa, que estava se tratando de dores nas pernas e também de dor no peito e de tristeza, e eu ia mostrando a ele a relação entre a sua permanência na casa da família e a doença da esposa.

É claro que durante muito tempo ele resistia aos meus argumentos, e insistia que não estava atrapalhando a esposa, mas ao mesmo tempo ele acabou contando que também sentia dor no peito, um aperto no peito, e tristeza, e eu mostrava a ele que coincidentemente eram as mesmas coisas que a esposa dele sentia também, e que ele podia estar transmitindo para ela o que ele mesmo sentia, e que isso devia ser por causa da situação dele, invisível dentro de sua própria casa, sem ser visto, salvo durante a noite quando os familiares saíam do corpo.
Falava que ele estava doente tanto quanto ela, e estava passando a doença para ela, e que a doença era de fundo muito emocional, pela saudade, pelo sentimento de perda e afastamento.
Tentei convencê-lo a ir passar um tempo numa cidade espiritual, mas ele resistia.
Dizia que dormia na cama dela, que também era dele, e que gostava de ler jornal, mas que não comia, nem busca sua esposa para fazer sexo, como muitos desencarnados fazem.
Ele levava uma vida quase igual àquela que levava quando em vida física.

Perguntei se ele quando encarnado acreditava na vida após a morte, e ele me disse que nem acreditava nem desacreditava, e eu disse que então na verdade ele não acreditava, pois não há meio termo nessa crença, e que a sua falta de crença na vida espiritual estava agora atrapalhando o seu futuro, pois ele não subia para os planos mais elevados, que são maravilhosos, e ficava preso à Terra, à sua casa.
Falava também para ele que se seguisse para uma cidade espiritual poderia depois voltar para visitar seus familiares, mas ele dizia que não queria ir à sua casa como visita, que ele queria morar lá, como sempre fez. E aí perguntei se ele tinha medo de experimentar e conhecer o mundo espiritual, e ele disse que talvez sentisse mesmo medo, o medo do desconhecido, que muitos de nós temos.
Trabalhei a ideia do medo, para que ele a superasse, e tentei convencê-lo de que sua mulher não iria ficar boa nunca, se ele não se afastasse de casa, o que era muito difícil para ele aceitar, mais do que de entender.

Falava que ele também precisava de tratamento, e que o amor que ele e seus familiares sentiam uns pelos outros não desapareceria pelo simples fato de ele se afastar da casa e ir residir no mundo espiritual propriamente dito, que não era a sua casa física.
Depois de muito esforço, e ajuda de outros dois dotrinadores do grupo, terminei convencendo o homem a ir conhecer e passar uns dias numa cidade espiritual, e ele terminou dizendo, rindo, que ele era muito “cabeça dura”, mas que nós éramos ainda mais do que ele, e aí eu disse também rindo que ele era o cabeça dura, e que nós éramos persistentes e insistentes, mas que fazíamos aquilo apenas para tentar ajudá-lo.

Existem muito mais desencarnados vivendo em nossas casas do que nós podemos imaginar e acreditar.
A descrença na vida depois da morte, o despreparo para a morte, o apego às coisas materiais, o apego à família, e o medo do desconhecido, do mundo espiritual, são fatores fortíssimos que prendem os espíritos em casa, no plano físico, e às vezes por muitos anos.
Há também o apego, a saudade, o chamado dos que ficaram, os encarnados, atraindo os desencarnados e os mantendo presos no plano físico.
Muitas vezes nascem relações obsessivas, de obsessão mesmo, entre pessoas que se gostam, mas por apego, ciúme, posse, e os desencarnados ficam em casa, querendo ficar próximos o tempo todo, interagindo, e muitas vezes interferindo na vida dos encarnados no seu dia a dia.

Um espírito que desencarna e fica triste, às vezes entrando em depressão em razão da própria morte que não aceita, pode transmitir as mesmas sensações que sente para seus familiares. E de repente um membro da família pode começar a apresentar sintoma de tristeza, de melancolia, e até mesmo de depressão, que pode se iniciar com fatores pessoais, por emoções pessoais, pela tristeza gerada pela morte do ente querido, e que se agrava com a presença dele, recebendo suas energias em desalinho.
Às vezes é difícil para um desencarnado, como no caso aqui relatado, entender como ele pode prejudicar e fazer adoecer um ente querido pela sua simples presença, mas acontece que o desencarnado doente irradia energias desequilibradas, e os encarnados acabam absorvendo essas energias, e por isso termina adoencendo também.
Acaba virando uma obsessão sem querer, sem intenção de prejudicar. O desencarnado termina prejudicando o encarnado achando que o está ajudando, por estar perto, aconselhando, consolando, protegendo, etc.

Nem todos os desencarnados estão aptos e capacitados para ajudar os que ficaram. É preciso primeiro se ajudar, se equilibrar, se adaptar ao mundo espiritual, para somente depois conquistar a condição de poder ajudar os que ficaram.
É preciso trabalhar o desapego de nossa casa, e de nossa família, o que não significa de modo algum deixar de amar ou deixar se importar com eles.
Quando morrermos, ou seja, quando desencarnarmos, devemos aceitar a sugestão de quem vier nos amparar para seguirmos para uma cidade espiritual para tratamento e repouso, quase sempre necessários após a morte, e depois de ficarmos bem poderemos voltar para revermos os entes amados e ajudá-los.
O apego, a ignorância e o medo do desconhecido, fruto de nossa falta de leitura sobre a vida futura, no mundo espiritual, é o que faz com que fiquemos presos à Terra, presos e confinados por vontade própria em nossa própria casa, como se fosse uma prisão domiciliar, mas tudo voluntariamente.

É preciso abrir a mente para aceitar novas ideias, novas experiências, para poder fazer um futuro melhor para nós mesmos e para nossos entes queridos.
Enquanto estivermos na Terra, encarnados, vivamos a vida terrena, mas, ao deixarmos definitivamente o corpo de carne, vamos viver a vida do espírito, no seu devido lugar, e ela pode ser melhor do que a vida que levamos na Terra, acreditem.
Muita paz.

Salvador, 21 de abril de 2010

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