O CIÚME

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Há alguns dias atrás, assisti a um filme francês chamado Un Secret (Um Segredo), baseado em fatos reais que se sucederam durante a Segunda Guerra Mundial na França.
Uma família judia e alguns amigos que viviam em Paris tentam fugir, com documentos falsificados, para um lugarejo no interior.
No caminho, em uma parada, após fazerem uma refeição, chega uma viatura da polícia francesa, que estava cooperando com os nazistas, que já estavam ocupando a França, e os policiais começam a pedir os documentos das pessoas ali presentes.

Algumas mulheres e um homem do grupo mostram seus papeis, e quando um policial chega perto de uma das mulheres, que estava sozinha em uma mesa, ela pega um documento na bolsa, parecido com um passaporte, e mostra ao policial, mas depois pega outro documento que mostra que ela é judia e o entrega, e o policial pergunta de quem é a criança que corre pelo local brincando, um garotinho de seis anos, se não me falha a memória, e ela diz que é seu filho.
O policial manda prendê-la e também ao menino, e colocam os dois na viatura.
Os outros integrantes do grupo ficam apenas olhando de longe, atônitos, mas sem esboçarem qualquer reação que os denuncie, e sem nada poderem fazer, pois do contrário também seriam presos, e encaminhados para um campo de concentração na Polônia, para onde sabiam que os judeus franceses estavam sendo levados de trem.
A mulher simplesmente se entregou aos nazistas para morrer, e entregou também seu filho de seis anos, pondo fim à vida de ambos.
O leitor que ainda não viu esse filme deve estar se perguntando: Por que ela fez isso? Era louca?
Um ato suicida, e mais que isso, levou também seu filhinho para morrer com ela. Por quê?

A resposta é exatamente o título deste texto: O Ciúme!
Ela era casada. Seu esposo já estava na casa de campo para onde o grupo estava indo.
A mulher do irmão dela era uma mulher muito bonita e sensual, uma atleta de salto olímpico em piscina. E ela já havia visto como seu esposo olhava diferente para a outra, com desejo.
A mulher do irmão já havia chegado à casa de campo onde o esposo estava.
A mulher que se entregou nunca viu nenhuma atitude concreta de traição, de adultério de seu esposo. Ela apenas viu como ele olhava para a outra. Apenas isso.
Não houve nenhum envolvimento entre seu esposo e a outra mulher. E a mulher do irmão inclusive, como mostra o filme, deixa claro para o esposo da que se entregou aos nazistas que ela não se envolverá com ele, pois via claramente o desejo estampado nos olhos do homem.

Só de pensar que o esposo podia estar já envolvido, ou que iria se envolver com a outra mais bonita e sensual, a esposa resolveu se entregar para morrer nas mãos dos nazistas, e não quis deixar o filho com o esposo e a outra, talvez como forma de vingança, e por isso também entregou o menino para a morte cruel na câmara de gás em campo de concentração nazista na Polônia.
Essa triste estória real mostra do que as pessoas são capazes de fazer quando sentem grande ciúme.
Quantas vezes já vi pela TV, em telejornais, casos em que o marido matou a mulher por ciúme. Caso em que a mulher jogou álcool e colocou fogo no marido dormindo, por causa de ciúme, e tantos casos desse tipo ou pior.
O sentimento do ciúme é destruidor, e tem uma força incrivelmente grande.
O ciúme corrói e destrói.

Pessoas matam e se matam por causa dele.
E o que gera o ciúme? O sentimento de posse que temos sobre o outro!
Quanto mais apaixonadas, mais as pessoas se sentem donas das outras. E o dono não admite dividir, partilhar, compartilhar, nem mesmo aceita ver “seu amado” muito perto de outra pessoa, ainda que o outro seja do mesmo sexo.

O apaixonado se sente possuidor, dono, proprietário do outro, e sente ciúme. Se sente incomodado, agoniado, só de pensar que pode ser traído, ou abandonado.
O sentimento do ciúme age devagar, consumindo o ciumento por dentro, como um câncer, até levar a pessoa a destruir o outro, ou se destruir, se a pessoa não conseguir se dominar, controlar o ciúme doentio.

O ciúme é verdadeiramente uma doença. Uma doença do sentimento. Uma doença da alma. E ele precisa ser domado no início, porque depois que ele já consumiu a mente e o coração, nem sempre é possível controlar a sua força destruidora, e impedir a pessoa de fazer uma coisa ruim para e/ou outro ou para si mesma.
É preciso refletir sobre o ciúme, reconhecer que ele existe, exercitar a sua superação, dominando-o, antes que ele domine a pessoa e faça um grande estrago que levará tempo para ser desfeito ou consertado.

Um ato insano de ciúme leva a uma morte que será pranteada por muitos anos, ou séculos, se tivermos a visão do espírito imortal.
O carma adquirido pelo ato insano do ciumento poderá acompanhá-lo por muito tempo, e gerar desejo e concretização de vingança, coisa que vemos cotidianamente em reuniões mediúnicas.
Não deixemos o ciúme nos dominar! Tenhamos domínio sobre nós mesmos! Controle sobre as emoções! Prudência nas ações! Reflexão antes de agir!
Quando sentir um forte ciúme de alguém, lembre-se do filme e do ato insano que a mulher cometeu, matando a ela mesma e a seu filhindo de seis anos, que tinha uma vida inteira pela frente.
Muita Paz.

Salvador, 15 de abril de 2010.
Luiz Roberto Mattos

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