A REGRESSÃO DE MEMÓRIA NA DESOBSESSÃO

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Desobsessão, para os que não conhecem, é, em palavras simples, um tratamento feito em centros espíritas ou espiritualistas com vistas a sanar uma influência negativa exercida por um ou mais espíritos desencarnados sobre um encarnado.
A obsessão é a influência do desencarnado, por meio de pensamentos e irradiação de energia sobre o encarnado. Podemos chamar também de assédio ou cerco do desencarnado visando sempre o mal do encarnado.

Há ainda as obsessões mais complexas, com utilização de aparelhos fabricados pelos cientistas desencarnados, o que é uma realidade também, apesar de não ser ainda aceita nem compreendida por todos os que lidam com a problemática da obsessão. Eu já tive um aparelho implantado em mim, e vi ele sair de mim quando estava fora do corpo, quando mudei meu padrão mental. E há implantes de ovóides também.

No Santuário Luz e Vida, Instituto Holístico Para a Autocura, do qual sou colaborador, trabalhamos com a ideia que nos foi passada pela equipe espiritual de “influência espiritual nociva”, o que inclui toda e qualquer influência espiritual nociva, negativa, partindo de um espírito desencarnado, e agindo sobre um encarnado, mas não necessariamente de forma intencional.
Há desencarnados doentes em muitos lares terrenos fazendo encarnados adoecerem, sem que tenham, todavia, essa intenção. Muitas vezes são familiares que desencarnaram doentes e sem o devido preparo para a morte e permanecem na própria casa, querendo ajudar seus familiares, ou simplesmente com medo de se aventurarem pelo mundo espiritual, como tenho visto em muitos casos na mediúnica.

Mas a obsessão propriamente dita é sempre intencional, e por isso somente trataremos aqui da influência espiritual nociva intencional, ou seja, daqueles casos em que um ou mais desencarnados estão querendo mesmo prejudicar um encarnado, e normalmente por vingança.
Há também obsessões para manter o encarnado em um vício, como o tabagismo ou o alcoolismo, ou no sexo desvairado, para o desencarnado se aproveitar e também se deleitar no mesmo vício junto com o encarnado, porque não mais possui um corpo de carne para beber, fumar e fazer algumas outras coias. E nesses casos nem sempre há vingança, mas apenas vícios e viciados nos dois planos. Há obsessões para manter uma pessoa presa ao encarnado, como se fosse seu escravo, para vários fins. Obsessão para evitar que uma pessoa se case, e várias outras situações.

Todavia, em meus trinta e dois anos de experiências com obsessão e desobsessão, com trabalho mediúnico, a maioria dos casos de obsessão que tenho visto tinha como causa uma vingança, e toda vingança denuncia o sentimento de ódio.
É o ódio que faz o ser querer se vingar!

O ódio que nasce quando uma pessoa mata outra, principalmente sem motivo, e apenas para roubar, ou para tomar a empresa, o patrimônio, ou a esposa, etc. O ódio que nasce do despreso, dos maus tratos, como, por exemplo, quando um escravo era muito maltratado pelo senhor de engenho, e morreu de tanto apanhar. São tantas as causas geradoras do ódio.
Tenho visto ódio, perseguição e projeto de vingança de cem, duzentos, trezentos anos e até muito mais. Já vi um de cerca de três mil anos, que vem lá do antigo Egito.
Entre 1978 e 1987, participei de uma reunião mediúnica no Grêmio Espírita Perseverança e Caridade, em Salvador, tendo o grupo se formado inicialmente para o meu desenvolvimento em relação à projeção astral, que os espíritas chamavam tradicionalmente também de desdobramento.

O líder do grupo era o Professor Walter Porto, o maior doutrinador que já conheci, que sabia dosar com grande equilíbrio a energia e a doçura, a depender da situação e do momento.
Nossa ligação vem de muitos milênios. Já fui seu filho em passado distante.
Levei nove anos apenas ouvindo Prof. Walter doutrinar, pois eu não tinha nenhuma mediunidade ostensiva, e apenas doava ectoplasma, e somente perto de sair do grupo comecei a doutrinar, quando ele faltava.

Aprendi com ele a arte de fazer o espírito desencarnado regredir, voltar ao passado, para ver o que ele fez lá atrás, no tempo, e que gerou a necessidade de resgate, do sofrimento que o levou ao estado de ódio atual, e que movia o desejo e a concretização do processo de vingança.
Não era uma regressão de memória utilizando a hipnose, mas apenas induzida por meio da oração, da prece, do pedido ao Pai para que o espírito visse o que deu causa ao seu sofrimento. E naqueles nove anos nunca vi falhar.
Quando saí do grupo, criei e passei a coordenar uma reunião mediúnica da juventude do centro, e comecei a aplicar a regressão de memória também, quando cabível e necessária, e com grande sucesso em termos de resultados.

Muitos anos depois fiz curso de hipnose com um dos maiores hipnotizadores do Brasil, Antonio Carreiro de Almeida. Fiz duas vezes, para melhor fixação da teoria e também para praticar mais, e ainda fiquei voltando um tempo nos sábados em que havia outras turmas, para praticar mais.
Aplico habitualmente no trabalho de desobsessão em que atuo a regressão de memória, mas não com hipnose, e sim na forma que aprendi com prof. Walter Porto.
Há duas situações em que aplico a regressão. Uma delas é para conscientizar o espírito do seu desencarne, quando ele não tem noção, não sabe que morreu, muitas vezes tendo sofrido o processo de amnésia parcial por causa do trauma do momento da morte, geralmente quando ela se dá de forma violenta, como assassinatos e acidentes.
Aqui, todavia, somente interessa falar da segunda situação, que é a que envolve ódio e busca de vingança.

Sempre que um espírito chega à mediúnica já bradando, chingando, ofendendo alguém, irritado porque estamos ajudando o miserável que o matou, que o traiu, que o roubou, etc, imediatamente, antes mesmo de iniciar o diálogo com ele, penso logo que farei uma regressão de memória, e geralmente faço mesmo.
Isso se deve ao fato de que todos nós fizemos coisas erradas no nosso passado, em vidas anteriores. Nenhum de nós é santo, nem foi santo no passado. Quanto mais olhamos para trás, mas vemos as coisas erradas que fizemos. E vemos os inimigos que criamos com nossas ações egoísticas e muitas vezes com nossa crueldade.
Deixamos para trás um rastro de ódio, e muitos inimigos, ou desafetos, como os amigos espirituais do nosso centro preferem chamar.
Prof. Walter usava em sua doutrina algumas frases tiradas do Evangelho que nunca vou esquecer. Uma delas era: “Ninguém sofre inocente”. Outra era: “A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”.

Assim, quando me deparo com espíritos que sentem ódio por alguém, começo a conversa já preparando o caminho para a regressão de memória, por ter a certeza de que ele já fez coisa igual ou pior à mesma pessoa que o prejudicou em passado mais recente, e apenas não se recorda disso, pois logo que desencarnamos apenas lembramos a encarnação última, recém finda.
Como ninguém sofre inocente realmente, quem se sente vitima recente foi algoz um pouco antes, um pouco mais atrás no tempo, e seu recente algoz foi sua vítima antes disso.
A situação normalmente se inverte. Carrasco ontem, vítima hoje, e vice-versa.

É o que Jesus queria dizer com a frase “quem com ferro fere, com ferro será ferido”.
Não é a pena de Talião em ação, do olho por olho, dente por dente. É a Lei de Causa e Efeito em ação.
Plantou, vai colher!
Só o perdão pode colocar um fim numa relação muitas vezes interminável, secular ou até milenar de ódio e vingança.
Na busca do perdão é que faço a regressão de memória. Por quê?

Porque se todos fizemos o mal antes de sofrermos o mal, então não temos o direito de julgar, nem de condenar, nem muito menos de executar a pena.
Quando me deparo com alguém cheio de ódio, primeiro deixo a pessoa desabafar, o que considero necessário, pergunto o que o outro lhe fez, e às vezes chego até a concordar com o espirito que realmente o que o outro lhe fez foi muito cruel, foi uma grande maldade, etc, e assim aos poucos vou acalmando o espírito, e ganhando um pouco a sua confiança e a sua amizade, em alguns casos, e então pergunto “E o que foi que você fez a ele (a)?”. Muitas vezes ouço palavras duras, e o espírito sempre diz que não fez nada e coisa e tal, e para ele isso é verdade, mas uma verdade relativa, pois ele não lembra o seu passado, não lembra se um dia fez o outro sofrer.

É aí que entra a regressão de memória, para fazer o vingador, que muitos chamam de obsessor, palavra que também não uso mais, recordar o seu passado, e ver o que fez ao outro.
Pela minha estatística pessoal, a grosso modo é claro, o sucesso da técnica e o fim do processo de vingança está entre 95 e 100%.
Foram pouquíssimos mesmo os casos de insucesso. Alguns raros não viram nada, porque conseguiram travar a mente, quase sempre de forma intencional, de tal modo que não sofreu a ação magnética aplicada na regressão. E uns raros viram o passado, viram o que fizeram ao outro antes, e nem assim aceitaram desistir da vingança. Mas a estatística está totalmente a favor da regressão de memória, desde que se saiba usar, no momento e da forma correta, e que se saiba dar continuidade ao diálogo aproveitando o que o espírito descreveu ter visto durante a regressão de memória. Isso é fundamental. Não basta fazer ele ver. Tem que saber tratar as informações, e usar na doutrina.

Geralmente convenço o espírito a fazer a regressão, sou insistente, persistente, às vezes até chato, apelo para a hombridade de alguns espíritos, principalmente homens que eram corajosos, bandidos, traficantes, mas em geral apelo para a coragem, para ver se não fez nada no passado, e que tivesse levado o outro a se vingar, e na esmagadora maioria das vezes isso funciona mesmo.

Normalmente o espírito se vê no passado fazendo algo ruim a alguém, e nem sempre percebe de imediato quem é aquela pessoa que ele está vendo, sua vítima no passado, e então pergunto “Quem é ele (a)?”, ou digo “Veja quem é ele (a)”. E então o espírito percebe e responde “É ele (a)”. E abaixa o tom de voz, quase sempre. Esse é o momento de aproveitar. Falo que ele, o desencarnado, também fez o mal ao outro, feriu o outro, magoou o outro, trabalho um pouco, temporariamente apenas, o sentimento de culpa, pelo que ele fez, mostrando que quase sempre o que ele fez foi até pior do que o que o outro lhe fez mais recentemente. E isso acalma o espírito, e ele tende a se calar.
Depois de trabalhar a culpa, e com isso a força para a vingança já foi para o espaço, começo a falar de perdão. Aí é preciso saber falar de perdão, que um tem que perdoar, que não vale a pena levar aquela vingança adiante, porque isso levará a novos sofrimentos futuros, gererá novas causas para futuros resgates, criará mais raiva, mais ódio, e a alternância na vingança não terminará nunca, a não ser que um perdoe primeiro.

Em mais de 95% dos casos eu consigo fazer o espírito desencarnado desistir da vingança, deixar o outro seguir o caminmho dele, e convido o espírito a ir passar um tempo numa cidade espiritual, sendo levado pela equipe espiritual, e ele aceita.
Tudo isso em grande parte por causa da regressão de memória.
Quantos casos acompanhei em que outro doutrinador da mediúnica tentou longamente convencer o espírito a desistir da vingança e não conseguiu, e quando eu entrei na conversa, e convenci o desencarnado a fazer a regressão, consegui demover o espírito do desejo de se vingar, e ele foi encaminhado para uma cidade espiritual.
Outro dia tivemos um caso em que o espírito desencarnado disse que já tinha passado por várias reuniões mediúnicas, mas que ninguém nunca tinha antes feito ele ver o seu passado, ver outra vida. Foi aí que me dei conta do preconceito que ainda existe em alguns centros espíritas em relação à regressão de memória, mas unicamente em face da ignorância da técnica, e de sua eficácia. E talvez por pensarem que é preciso usar a hipnose, o que não procede.

A regressão de memória é apenas uma ferramenta, que quando bem utilizada auxilia demais no processo de desobsessão, pois, mostrando ao desencarnado que quer se vingar que antes ele fez coisa igual ou pior ao seu algoz recente, na maioria das vezes o desencarnado se sente envergonhado do que está fazendo, sente que está sendo injusto, e desiste de se vingar, e aceita o nosso convite para passar uma temporada em cidade do mundo espiritual, onde sabemos que tem muita gente mais preparada do que nós para esclarecê-lo, e é pouco provável que ele volte para a mesma vida de antes, pois estará em lugar de paz, de harmonia, de felicidade, e não vai querer voltar à Terra, que comparada às cidades do plano espiritual ainda é um pouco “inferno”.
Conclamo todos os que trabalham com desobsessão a refletirem, a estudarem, e a experimentarem a regressão de memória no trabalho de desobsessão, e verão os resultados fantásticos, encurtando o tempo das doutrinas e tendo muito mais sucesso na cura das obsessões, o que é bom tanto para os encarnados quanto para os desencarnados.

Muita Paz.
Salvador, 02 de maio de 2010.
Luiz Roberto Mattos

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