O PERDÃO

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Cenário: Um monte que ficava em frente à cidade de Jerusalém, há dois mil anos atrás.
Por volta de meia-noite, um grupo formado por soldados e sacerdotes do templo de Jerusalém sobe o morro para prender um homem, que estava acordado, sem conseguir dormir, esperando a sua prisão e morte.

Um dos discípulos do homem procurado entra no horto de oliveiras e se aproxima dele, dando-lhe um beijo na face, a fim de identificá-lo para os guardas.
Então começa um tumulto, até que tudo se acalma, e o homem é levado, enquanto os guardas lhe dão puxões, estando ele amarrado nas mãos, e lhe dão socos e chutes.
Chegando ao templo, o homem leva mais socos, e uma paulada na cabeça.
Depois, o homem é levado até os sacerdotes, que o julgam rapidamente, já que tudo estava acertado entre eles quanto à condenação. Tudo é forjado para dar uma aparência de legalidade.
Durante o julgamento breve, soldados dão-lhe socos no rosto.
O homem, depois de ouvir a sentença que já estava pronta antes mesmo do julgamento, foi levado para Pilatos, governador romano da Palestina, assim que o dia amanheceu.
O governador romano não vê culpa no homem, e manda que ele seja levado para o rei Herodes, que governava a Galiléia, de onde o homem era.
Herodes também não vê culpa no galileu, e manda que ele seja levado de volta para os sacerdotes do templo, que o levam novamente para Pilatos, e este, depois de muita insistência dos sacerdotes em ver o homem condenado, manda dar-lhe um castigo severo, nos moldes romanos, com o flagelum, um chicote de três pontas, com um bolinha de ferro em cada ponta, e também navalhas afiadas.

Os verdugos aplicam impiedoso castigo no galileu, dando-lhe mais de duzentas chibatadas com o flagelum, que lhe arrancam a pele e parte da carne, devido às navalhas presas nas pontas do chicote.
Terminado o terrível castigo, o homem é levado, cambaleando, enfraquecido, até Pilatos, que sente piedade do homem, mas os sacerdotes insistem que ele deve ser morto, por crucificação.
Colocado contra a parede, e temendo uma rebelião da população e dos visitantes que enchiam Jerusalém, por causa da Páscoa, Pilatos termina por ceder à pressão dos sacerdotes, mas se lembra que existia uma antiga tradição, segundo a qual, na Páscoa, ele sempre libertava um prisioneiro.
Pilatos achava que isso resolveria o problema, pois o povo escolheria Jesus, e não um criminoso como Barrabás.
Para surpresa de Pilatos, o povo que estava no pátio da Fortaleza Antonia escolhe Barrabás, e então ele lavou as mãos, em sinal de isenção de culpa pela morte do homem da Galiléia.
Com isso, o galileu é sentenciado à morte por crucificação.

Nesse meio tempo, os soldados romanos batem muito no homem, e lhe colocam uma coroa de espinhos na cabeça, e põem nele uma capa, em gozação, dizendo que ele era o rei dos judeus.
O galileu é finalmente levado para o local da crucificação, levando muitos socos e chicotadas no trajeto, enquanto carragava uma pesada cruz nas costas.
Chegando ao local da colocação da cruz, pregam-lhe pregos nos pulsos e nos pés, pregando-o, assim, à cruz, que é colocada de pé.
Em pouco tempo, o homem, que estava sem beber água desde o dia anterior, e sem comer, e depois de inúmeros socos, pauladas, chutes, mais de duzentas chibatadas com o flagelum romano, e depois de muita perda de sangue, por fim estava enfraquecido, e quando estava já agonizando, asfixiado, com falta de ar, pois era assim que morriam os crucificados, ele olhou para o céu e disse: “Pai, pedoai-os, pois eles não sabem o que fazem”.

Depois esse homem, que ficou conhecido na História como Jesus Cristo, levantou novamente os olhos para o alto e disse: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”.
Para nós, humanos comuns, é muito difícil nos imaginar em tal atitude de perdão.
Depois de tudo o que lhe fizeram, desde a meia-noite do dia anterior, até 15:00 horas do dia seguinte, hora em que ele morreu, ainda conseguir perdoar, e pedir a Deus que perdoasse a todos os que estavam fazendo aquilo com ele.
É realmente uma atitude incrível!

Jesus falava muito sobre o perdão. Dizia que deveríamos perdoar não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete vezes, o que significava perdão ilimitado.
Sua morte serviu também, além de outras coisas, para dar uma lição de perdão.
Do alto da cruz ele lança um olhar entristecido, mas compreensivo, para os homens ignorantes que o prenderam e condenaram, e que o maltrataram, e sente uma imensa compaixão por eles, não raiva.
Antes mesmo de morrer ele já havia perdoado, ou talvez nem tenha se sentido ofendido. E pediu a Deus que perdoasse os seus algozes.
E nós, o que já conseguimos perdoar?

Carregamos muitas vezes mágoas inúmeras de coisas pequenas, coisas minúsculas, muitas vezes pueris e irrelevantes mesmo, se comparadas aos grandes e verdadeiros problemas de saúde, de liberdade e outros, que muitos passam no mundo.
Ficamos muitas vezes presos ao passado, guardando mágoa, rancor, ou até mesmo odiando aqueles que nos fizeram mal ou nos magoaram de alguma forma.
Cada mágaa é um grãozinho de areia que carregamos no nosso coração.
Com o tempo, vamos juntando muitos grãos de areia, até que passamos a carregar um caminhão cheio de areia, de mágoas não dissolvidas.
Essas mágoas vão ficando represadas, e um dia, como a água represada que arrebenta a represa frágil, o caminhão de mágoas faz arrebentar a represa do nosso coração, e nós adoecemos.
Mágoas em quantidade e guardadas por longos anos são um prato cheio para o desenvolvimento de um câncer.
A mágoa adoece a alma.

A única cura para a mágoa, que se conhece, é o PERDÃO!
Não há outro caminho!
Não existe pílula, comprimido, pozinho mágico, erva, chá, nem nada mesmo que faça desaparecer uma mágoa instalada em nosso coração.
É preciso um trabalho interior de perdão. É preciso exercitar o perdão. E o perdão tem que ser incondicional.
É preciso pensar todos os dias que aqueles grãozinhos de areia dentro do seu coração são coisas muito pequeninas, e que eles estão adoecendo você.
É preciso começar a fazer um exercício diário de perdão, inicialmente à distância, dizendo para si mesmo: “Isso que fulano me fez é muito pequeno”. “Eu o perdoo”.
Aos poucos, vamos interiorizando essa frase, até que a atitude se exteriorize de fato, e você termina perdoando mesmo, e um dia abraça a pessoa com sinceridade, dando-lhe um abraço apertado, para demonstrar que a ama de verdade.

Aos poucos, cada grãozinho de mágoa vai se desfazendo, até que um dia todo o caminhão de mágoas desapareça por completo.
Vamos exercitar o perdão! Vamos preparar o caminho para o perdão verdadeiro, incondicional!
Pai, perdoa o teu filho! Filho, perdoa o teu pai!
Mãe, perdoa o teu filho! Filho, perdoa a tua mãe!
Irmão, perdoa o teu irmão!

Esposa, perdoa o teu marido! Marido, perdoa a tua esposa!
Não deixe a reconciliação para amanhã, pois amanhã você poderá ter já partido para o mundo dos espíritos.
Reconcilia-te com o teu adversário enquanto estás lado a lado com ele, foi o que nos ensinou o maior mestre do perdão, Jesus de Nazaré.

Muita Paz.
Salvador, 30 de maio de 2010.
Luiz Roberto Mattos

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