QUEM SÃO OS SEUS HERÓIS?

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Desde a mais remota antiguidade o homem tem cultuado heróis.
Nossa cultura ocidental, que tem seu berço maior na Grécia, cultuou longamente o grande e poderoso Hércules, considerado um semideus. Cultuou o grande guerreiro Aquiles, herói grego da Guerra de Tróia.

Depois, em menor escala, já mais como homem, cultuou Alexandre, o Grande, conquistador macedônio, e Júlio Cesar, o grande conquistador romano.
Os grandes heróis do passado, de todos os povos, eram todos guerreiros, homens valentes, destemidos, protetores da civilização, dentro da concepção dos homens, e de acordo com a visão de mundo que eles mesmos tinham.

Só mais recentemente, já no Renascimento, a partir de 1.500, a civilização ocidental começou a cultuar homens de saber, de inteligência não relacionada com a arte da guerra, como Sócrates, Platão e Aristóteles.
Algumas pessoas, ainda em minoria, começaram a dar valor ao intelecto, mais do que à força bruta e à destreza para matar.
Para alguns, Sócrates passou a ter mais valor do que Aquiles e Alexandre da Macedônia. Platão e Aristóteles passaram a ser maiores do que Júlio Cesar e Napoleão Bonaparte.
Homens como Jesus, o Cristo, ou Jesus de Nazaré, têm sido adorados e cultuados por milhões de pessoas em todo o mundo, mas não são tidos como heróis pelas pessoas.
Buda, Maomé, Confúcio, Lao-Tsé e outros têm sido cultuados, e até endeusados, mas não são tidos como os heróis de antigamente.
As pessoas se habituaram durante milênios de civilização a cultuar heróis guerreiros. E por isso sentem grande dificuldade em cultuar heróis pacíficos, heróis que somente pregam a paz e o amor, como Jesus e Buda.

Muita gente ainda está presa ao modelo antigo de herói guerreiro, forte fisicamente, valente, que mata.
Aos poucos as pessoas, no entanto, começam a substituir seus heróis guerreiros por heróis pacíficos.
Nossos filhos, quando crianças, são levados a cultuar heróis, ou super heróis, que são um misto dos heróis guerreiros antigos com heróis modernos com poderes paranormais.
Assim, nossos filhos, como também nós mesmos fizemos num passado não muito distante, cultuam heróis ou super heróis como o Super Homem, o Batman, o Homem Aranha, o Homem de Ferro e outros.

Observem que todos esses heróis e super heróis são fortes, destemidos, valentes, defensores da sociedade, que combatem os criminosos e os maus, e usam para isso a força, seja física mesmo, seja através de super poderes. Mas todos usam a força. Batem, e alguns até matam na defesa da sociedade.
Compreendo que ainda há espaço para os super heróis no mundo, no nível no qual a humanidade ainda se encontra.
Quando vejo meu filho curtindo e cultuando Batman, Homem de Ferro, Homem Aranha e outros fico feliz, pois esses super heróis são “do bem”.
Assim, mesmo ainda utilizando a força e a violência no combate ao mal, os super heróis estão do lado do “bem”.
Ficaria muito preocupado se visse meu filho se identificando com o “vilão”, como o Curinga, inimigo do Batman, ou com o Duende Verde, inimigo do Homem Aranha, etc. Não gostaria de ver um filho cultuando Bin Laden.

Identificar-se com os “mocinhos”, com os heróis, ou com os super heróis é uma coisa saudável no nosso nível evolutivo humano, pois representa uma identificação e associação com as forças do “bem”.
Comprar roupas dos super heróis para as crianças não é uma coisa ruim, se levarmos em consideração nosso nível de evolução, mas jamais devemos comprar para nossos filhos roupas do “vilão”, do bandido, do criminoso, pois isso poderá incentivar as crianças a se identificarem com aqueles que praticam o mal, e que lutam contra o bem.
É preciso muito cuidado com a inversão de valores.
Quais são os nossos valores? Que valores queremos passar para os nossos filhos?

Hoje, graças a Deus, vemos pouca gente no mundo se identificando com personagens como Hitler, que com seu extremo orgulho e preconceito racial levou uma das nações mais cultas do mundo, a Alemanha, a entrar em guerra contra o resto do mundo, causando a morte de dezenas de milhões de pessoas. Causou grande destruição, e muito sofrimento. A Segunda Guerra causou a morte de 60 milhões de pessoas. Se incluirmos feridos, órfãos, viúvos e viúvas, chegaremos a mais de 100 milhões.
Todavia, mesmo estando a humanidade deixando de cultuar homens como Hitler, ainda cultuamos e damos valor a conquistadores como Alexandre, Júlio Cesar, Napoleão, Gengis Khan e outros.
Todos esses conquistadores também levaram morte e sofrimento a outros povos.
Alexandre, o Grande, como ficou conhecido, não conquistou parte do mundo antigo com palavras ou com flores, mas com a espada, matando e destruindo, assim como fizera seu pai, Felipe da Macedônia para conquistar a Grécia e unificá-la.

Gengis Khan não formou um grande Império na Ásia com diplomacia, mas com arco e flecha, e muita destruição. O mesmo fizeram Júlio Cesar e Napoleão, e tantos outros.
Todos os conquistadores mataram, saquearam, destruíram, para construir o “seu mundo”, a sua “civilização”, à sua imagem e semelhança, como se fossem autênticos deuses. E muitos se consideravam deuses mesmo, como os imperadores romanos, Alexandre e os faraós do Egito.
Ao longo do tempo muitos passaram também a cultuar pessoas que combatiam ditaduras, combatiam o poder estabelecido, como fizeram Fidel Castro, Che Guevara, Mao Tsé Tung e tantos outros.

Hoje no mundo muitos ainda cultuam Che Guevara, um herói da juventude universitária, que combateu a ditadura do governante cubano Fulgêncio Batista, e ajudou a implantar um regime ainda mais autoritário na ilha de Cuba, ainda sobrevivente em pleno século XXI.
Che Guevara matou, usou a força, a crueldade em algumas situações, assim como Fidel Castro, e assim como fizeram tantos outros em maior ou menor escala.
Stalin para criar o “Império Soviético” matou muitos milhões de pessoas. Só na Rússia ele matou mais de vinte milhões, por não estarem de acordo com seus planos e métodos de ação. Eram gente de próprio país, seu próprio povo.

Está na hora de pararmos de cultuar homens violentos, sejam conquistadores como Alexandre e Napoleão, sejam “defensores” da sociedade, como Fidel Castro e Che Guevara, e passarmos a dar mais valor a homens pacíficos e intelectuais realmente valorosos e que deram contribuição enorme à humanidade.
Está na hora de darmos mais valor a homens como Jesus de Nazaré, a Gautama Buda, a Confúcio, a São Francisco de Assis, a Nelson Mandela, e a mulheres como Madre Tereza de Calcutá e Irmã Dulce.

Os novos heróis, do Terceiro Milênio, devem ser os homens e as mulheres que criam coisas para o bem, com inteligência, e sem usar a força, sem destruir para criar depois o seu mundo, o seu projeto de mundo, como muitos fizeram no passado, como Nero, imperador romano, e como Hitler tentou fazer.
O novo herói do futuro deve ser um ser pacífico, como Chico Xavier, grande exemplo recente no mundo, homem de bem, criativo, inteligente, que nada destruiu, que não era contra nada nem ninguém, que não matou, não saqueou, que não usou jamais a violência, nem mesmo verbal, para impor as suas ideias.
É hora de substituirmos heróis do passado como Alexandre por heróis como Francisco de Assis; heróis como Napoleão por heróis como Chico Xavier; heróis como Che Guevara por heróis como Nelson Mandela; heróis como Fidel Castro por heróis como Madre Tereza de Calcutá.

Precisamos também, aos poucos, substituir os heróis de nossos filhos; Batman por Jesus, Homem Aranha por Francisco de Assis, Homem de Ferro por Chico Xavier.
São apenas exemplos para demonstrar os níveis dos nossos heróis e os heróis de nossos filhos, que copiaram o nosso modelo de heróis.
Quando toda a humanidade cultuar heróis pacíficos, heróis que somente pregam e praticam a paz, e que falam e vivem o amor, então já não teremos mais guerra, nem mortes violentas por armas de fogo, armas brancas, armas atômicas, etc.

Os nossos modelos de heróis têm muito a ver com o nosso nível evolutivo.
Se ainda acreditamos na violência, na força física, na luta armada, e ainda levamos a imagem de Che Guevara em nossos carros, em adesivos colados, e em tatuagens no corpo, estaremos carregando esse tipo de herói na nossa vida, acreditando ainda na violência como forma de resolver os problemas do mundo. E enquanto acreditarmos nesse tipo de herói, que mata para derrubar governos que consideram autoritários, e implantam governos ainda mais autoritários, estaremos incentivando, sem querer, e sem saber, o surgimento de outros heróis desse mesmo tipo.

Nós criamos os heróis!
Nós endeusamos os homens e os tornamos heróis!
Quem são os seus heróis?
O que eles fizeram pelo mundo? Que modelo de sociedade eles idealizaram, e o que construíram de fato?
Quem é mais herói para você, Gandhi ou Che Guevara?
Jesus ou Alexandre?

Bin Laden ou Chico Xavier?
Que tipo de herói você está criando e passando para seus filhos?
Reflita muito sobre isso!

Muita paz.
Salvador, 04 de junho de 2010.

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