COMPETIÇÃO x COOPERAÇÃO

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Desde ontem, após a derrota da seleção brasileira no jogo com a seleção da Holanda, venho pensando em um tema que sempre me passa pela cabeça, e sobre o qual muitas vezes pensei em escrever aqui, mas ainda não tinha sentido esse impulso.
Hoje decidi escrever, para reflexão de todos nós.
Deixei de ligar para futebol em 1978, quando comecei a sair do corpo sem perda de consciência e conservando a memória posteriormente.
Naquele ano não curti a copa.

Todavia, depois voltei a assistir aos jogos do Brasil nas copas posteriores, e a torcer pela nossa seleção.
Futebol hoje só existe para mim de quatro em quatro anos, na copa do mundo.
Torci pela seleção ontem, e também desejei “espremer a laranja”, “fazer uma laranjada”, etc, como todo mundo.
Todavia, não fiquei arrasado, não perdi o sono, não passei a odiar a Holanda, nem os holandeses por causa da derrota de nossa seleção.
Tampouco chinguei o Dunga e os jogadores da seleção brasileira. Já superei esse nível faz tempo. Não que eu seja superior a qualquer outra pessoa, mas tenho há muito tempo buscado superar esse tipo de comportamento, que considero imaturo, quando penso em evolução espiritual.

Foi apenas uma competição! E uma competição de futebol apenas! Não foi uma guerra entre dois países! A Holanda não invadiu o Brasil!
Vi também tantas pessoas desejando a derrota da seleção argentina, devido à rivalidade entre as nossas seleções, e isso às vezes me dá, confesso, a impressão de que somos países inimigos. Mas trata-se apenas de rivalidade no futebol, e nada mais. A Argentina nunca foi inimiga do Brasil. Até já lutamos como aliados, na Guerra do Paraguai, no século XIX.
Vejo homens, principalmente, e de todas as idades, torcendo de forma fanática por times de futebol, e discutindo, trocando ofensas e até brigando e matando por causa de futebol.
Nos estádios de futebol os adolescentes e jovens brigam, trocam pauladas e pedradas, e fora dos estádios algumas vezes até atiram nos torcedores de times adversários, como se estivessem em guerra e atirando nos inimigos.

Isso não acontece apenas em países como o Brasil, mas também em nações ricas e instruídas da Europa, mostrando que esse comportamento não é apenas Tupiniquim, nem exclusividade de países subdesenvolvidos, como se dizia antigamente.
O fanatismo não tem pátria nem fronteira! E ele não está restrito ao futebol, mas também está presente nas religiões e na política.
É o espírito de competição presente ainda no ser humano!

Viemos do animal, biologicamente falando. E também como espíritos.
Passamos longo período estagiando no Reino Animal, desenvolvendo o cérebro e a mente, que não são a mesma coisa.
O cérebro pertence ao corpo de carne! A mente pertence ao espírito!
A evolução se dá conjuntamente. O espírito se desenvolve em contato íntimo com a matéria, internado, encarnado nela.
Assim, devido ao longo tempo vivendo como animais, e muitas vezes encarnados em animais que vivem em permanente competição, para sobreviverem, desde os dinossauros até os modernos leões, nós nos acostumamos com a competição.

A competição era e ainda é necessária para muitos animais. Ela é ainda uma questão de sobrevivência para eles.
Todavia, nós não somos mais animais! Somos agora homens!
Integramos um novo Reino, o Reino Hominal.
A passagem do animal para o homem levou milhões de anos, e foi duro o aprendizado.
Nossa inteligência hoje supera enormemente a inteligência de nossos antepassados, mesmo os mais próximos.

Os animais hoje mais próximos geneticamente dos humanos são os chimpanzés, e eles possuem uma genética em torno de 96% igual à nossa. É grande a identidade de DNA entre nós.
Apesar disso, a diferença de inteligência, de cultura, etc, e de evolução espiritual entre os seres que encarnam nos nossos irmãos chimpanzés e nós humanos é imensa.
Em que pese a nossa evolução biológica fantástica, acima de todos os demais animais do Planeta Terra, e do distanciamento intelectual entre nós humanos e eles, ainda nos comportamos de modo muito parecido com nossos irmãos do Reino Animal em muitos aspectos, e um deles é a competição, que não conseguimos ainda abolir de nossas vidas.
Nós humanos ainda competimos por terras, por fronteiras pedregosas e arenosas, por fontes de energia, como o petróleo, por fontes de água, por terras férteis. Competimos por homens e por mulheres. Competimos por empregos. Competimos com os vizinhos pelo carro mais bonito na garagem, pelo jardim mais bonito, pelo cachorro mais bonito.
Competimos com os irmãos, com os pais muitas vezes, ou com os filhos. Competimos com amigos, com colegas de trabalho. Competimos pelo poder político. Competimos por tantas coisas que encheríamos uma página inteira para nominar todos os tipos de competição habitual entre os humanos.

O homem já consegue cooperar um pouco.
Quando há, por exemplo, terremotos, tsunamis ou guerras, muitas nações enviam equipes de resgate, enviam médicos, remédios, roupas, alimentos, etc, demonstrando solidariedade, que é cooperação.
A palavra cooperação pode ser dividida em co + operação, ou seja, operar em conjunto, agir conjuntamente.
Dois vizinhos que resolvem se juntar para limpar um terreno ao lado cheio de lixo e que está atraindo ratos e outros animais perigosos e que prejudicam os dois estão agindo em cooperação.
Dois países que se juntam em um projeto de construção de uma usina hidroelétrica no rio que separa os dois, e que beneficiará a ambos, na geração de energia elétrica para os dois povos, estão agindo em cooperação.
Esses dois simples exemplos demonstram uma evolução do ser humano, em termos de cooperação.

Na antiguidade isso não aconteceria. No segundo exemplo, a nação mais forte simplesmente invadiria a mais fraca e anexaria seu território, e então construiria a usina em seu território.
O mundo aos poucos vai evoluindo. E a cooperação lentamente vai ocupando os espaços. Mas isso realmente ainda é um processo muito lento.
Precisamos pensar mais em cooperação, e menos em competição.
Temos que ir substituindo de forma mais rápida a competição pela cooperação, pois isso tornará o mundo cada vez melhor para se viver, e mais agradável.
Vejam o quanto os países e as pessoas investem em competições, de todos os tipos, em comparação com o quanto se investe em cooperação.
A palavra cooperação ainda é muito pouco usada em nosso dia a dia.

A competição é constante, em vários setores de nossa vida.
Até dentro de nossos lares há competição.
Marido e mulher competem! E muitas vezes até na cama!
Competição sempre foi, é e será uma grande fonte de estresse!
Competição afasta! Competição desune!

Nem todos sabem perder! Nem todos aceitam bem a derrota! Mas em toda competição há sempre um vencedor e um derrotado!
O derrotado muitas vezes sente raiva do venceder, e planeja depois vingança. Vejam a Alemanha derrotada na Primeira Guerra Mundial, e o que ela fez na Segunda Guerra.
O vencido pode desenvolver o ódio, o pior dos sentimentos humanos!

A competição já deu o que tinha que dar para a nossa evolução, para o desenvolvimento do nosso intelecto.
Agora é hora de substituir a competição pela cooperação.
Vamos parar de competir! Vamos cooperar mais!

Vamos trabalhar juntos, toda a humanidade, pelo bem comum de todos nós, ao invés de ficarmos lutando, disputando seja lá o que for.
Competição é choque e desperdício de energia! Cooperação é soma de forças e economia de esforços e energia!
A união de esforços, que é a cooperação, gera resultados muito melhores para todos do que a competição, a disputa, em que uns querem sempre vencer e derrotar outros, deixando sentimentos ruins nos vencidos.

A cooperação não gera nada ruim! Só gera gratidão, confiança, união e amor!
Diga não à competição, e sim à cooperação!
Vamos construir um mundo melhor para todos nós!

Muita Paz.

Salvador, 04 de julho de 2010.
Luiz Roberto Mattos

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