BELEZA INVISÍVEL

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A beleza faz parte da natureza!
O Planeta Terra é pleno de belezas naturais! E o homem também cria coisas belas, cria beleza!
A atração pelo belo não é anormal!
Nós nos sentimos atraídos por uma montanha bela, por uma praia bela, por um rio belo, por um cavalo belo, por um cachorro belo, por um gato belo, por uma borboleta bela, por uma flor bela, etc.

Também nos sentimos atraídos e admiramos um ser humano belo!
Todavia, nós humanos, racionais, distorcemos o sentido da beleza!
Passamos a admirar a beleza exterior de uma forma diferente daquela como os animais admiram a beleza de sua espécie, principalmente do sexo oposto.
Como no Reino Animal não há indivíduos com deformidades de caráter, indivíduos psicopatas, maldosos, perversos, enganadores, falsos, etc., diferentemente do Reino Humano, os animais se sentem atraídos pela beleza, e também pelo canto e outras coisas mais dos seres do sexo oposto de sua própria espécie de uma forma natural e instintiva.
Assim agiam também os humanos no início de sua caminhada evolutiva.

Contudo, com o passar do tempo fomos perdendo essa pureza extintiva, e também a pureza de motivação, que nos impelia apenas para a sobrevivência.
Fomos com o passar do tempo nos ligando cada vez mais aos aspectos apenas exteriores das pessoas, como beleza e força física.
As mulheres, por necessidade de sobrevivência, buscavam no passado quase sempre os homens mais fortes, para garantirem a sua proteção e também a de sua família. E os homens buscavam quase sempre as mulheres mais belas.
Chegamos a um ponto tal que hoje a busca pela beleza se tornou doentia!
A febre pela juventude eterna e pelas formas perfeitas, com a busca cada vez maior das academias, salões de beleza e clinicas de estética, faz com que as pessoas busquem desenfreadamente a beleza exterior.

Há hoje no mundo uma preocupação muito maior com a beleza exterior do que com a beleza interior.
As pessoas hoje gastam muito mais tempo em academias de ginástica, salões e clínicas do que lendo livros que contribuirão para uma boa formação do caráter, como livros de filosofia, por exemplo.
Nessa corrida louca pela beleza externa, as pessoas atropelam umas às outras de várias formas.
A cultura excessiva e desajustada do belo em nossa sociedade atual tem feito com que cada dia mais as pessoas se entreguem aos mais belos rapidamente, sem antes conhecerem uns aos outros.
Hoje muita gente conhece outra pessoa em um bar, bebendo, e em poucas horas já está se entregando sexualmente. E a beleza exterior é o fator preponderante nessas relações superficiais.
Como os mais belos, dentro do padrão social estabelecido, normalmente são os mais procurados para parceiros sexuais, e para casamento, por “encherem os olhos” com sua beleza aparente, a sociedade passou a valorizar a beleza de uma forma exacerbada.

Hoje uma pessoa muito bela praticamente tem a sua sobrevivência garantida.
Essas pessoas muito belas são logo pedidas em casamento, sobretudo as mulheres, mesmo sem estudo, ou convidadas a posarem para capas de revistas, e às vezes até a posarem nuas, e mesmo aquelas que eram contra isso acabam cedendo, diante das altas quantias oferecidas.
Até mesmo artistas de renome terminam muitas vezes cedendo a essa pressão e posando para revistas, e as mulheres muitas vezes posam em posições bastante expostas.
As pessoas muito belas estão se tornando invisíveis!
Outro dia assisti a um filme em que dois amigos conversavam e um deles disse ao outro que ele não estava vendo a pessoa com quem ele estava se relacionando, sua namorada, porque a beleza dela estava tornando-a “invisível”.
É isso o que acontece com muita gente!

Muitas vezes conhecemos uma pessoa muito bela, nos encantamos com a sua forma externa, com a sua aparência, antes mesmo de falar com essa pessoa, antes de conhecer o seu caráter, e, quando fazemos contato, já estamos presos à beleza, e isso “contamina” a nossa visão sobre a pessoa.
Quando o encantamento com a forma surge antes do conhecimento da pessoa, dos aspectos do seu caráter, de sua personalidade, de seus valores, etc., esse encantamento prejudica o julgamento acerca da pessoa.
Com isso, a pessoa encantada fica “cega”, e o objeto do seu encantamento fica “invisível”.
Quando nos encantamos com a forma exterior, com a aparência, com a beleza exterior de alguém, não vemos com clareza o interior da pessoa, e por isso podemos nos apaixonar até por um psicopata, e isso acontece mesmo na vida real.

A beleza externa, por ser supervalorizada, esconde e torna “invisível” o ser humano que está dentro do corpo belo.
Quem se encanta pelo corpo belo, pelos belos olhos, pela aparência agradável, não vê o ser que está por trás, que está dentro daquele corpo. Isso passa a ser secundário para o encantado, e às vezes nem é mesmo objeto de procura de quem está muito encantado pela forma.
Desse modo, a pessoa bela demais acaba tornando-se um corpo, um objeto, dentro do qual habita um espírito, que pode ser também belo, mas que pode ser muito feio.
Uma pessoa extremamente bela pode se casar com pessoas ricas que fazem dela apenas um objeto para exibição social. E podem nem ser amadas pelo outro, que buscou apenas um corpo belo como se procura uma joia bela.
Para algumas pessoas, a beleza externa compensa tudo o mais que a pessoa tenha dentro de si.
A pessoa bela pode ser uma pessoa complicada, doente, desajustada, etc., mas, se forma bela demais, e muito desejável sexualmente, nada mais importa.
Assim, os muito belos vão se tornando cada vez mais invisíveis!

Quantos ídolos belíssimos de cinema e de televisão são pessoas desajustadas, e de caráter deformado. Mas quem quer saber disso?
O que importa para muita gente é apenas a beleza!
Hoje algumas pessoas belas sofrem de solidão!

Depois de um ou dois casamentos pela sua aparência, ou de muitos namoros que não deram certo, ficam receosas de entrarem em outra relação em que somente a sua beleza conta.
Depois de sofrerem com a “invisibilidade” no casamento ou no namoro, em que o outro só via e só queria mesmo ver a sua beleza externa, algumas pessoas acabam ficando sós.
Algumas pessoas sofrem muito com essa “invisibilidade” por causa da beleza, mas outras ainda tiram partido e se aproveitam disso, de sua beleza reconhecida pelos outros.
Quando as pessoas veem outras nas ruas, que são muito belas fisicamente, nem sequer cogitam do que vive ali dentro daquele corpo belo.
Só importa o exterior belo! Nada mais!

Nessa situação, o ser que habita o corpo belo já está “invisível” para quem o olha. O olhar é apenas para o corpo físico, o exterior.
O espírito ali dentro não é visto! E poucos querem saber como é a pessoa ali dentro do corpo belo!
Precisamos fazer um exercício de abstração da beleza externa para que possamos pensar na pessoa que está dentro do corpo belo.
Não somos apenas um corpo, belo ou feio, de acordo com nosso padrão de beleza, e do padrão de beleza socialmente estabelecido pela mídia.
Somos todos espíritos, apenas temporariamente ligados a um corpo físico.
Hoje belos, ontem feios, amanhã belos novamente, etc.

Precisamos enxergar a pessoa dentro dos corpos, sejam mais belas ou menos belas, e lembrar que realmente a beleza interior é mais importante do que a beleza externa e mais aparente.
Vamos acabar com a “invisibilidade” tanto dos belos quanto dos feios, de acordo com nosso padrão de beleza.
Ao olharmos para uma pessoa, seja magra ou gorda, clara ou escura, de olhos redondos ou puxados, etc., tentemos pensar que ela pode ser uma pessoa boa, de bom caráter, mas que pode ser também uma pessoa má, complicada, e mau caráter.
Olhemos além da forma bela! Olhemos para alma!

Vamos valorizar mais o conteúdo do que a forma, mais a essência do que a aparência!
Acabemos com a “invisibilidade” das pessoas, seja pela beleza ou pela feiúra!
Muita Paz.
Salvador, 31 de janeiro de 2011.

Luiz Roberto Mattos

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