DESARME-SE!

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Ao falarmos em desarmamento, a primeira coisa que nos vem à mente é abandonar as armas como meio de solução dos conflitos.
Está correto!
Todavia, não vamos falar aqui do desarmamento material, mas, sobretudo, do desarmamento mental.
É claro que é importante o desarmamento material, mas ele depende diretamente do desarmamento mental.
Toda violência física começa na mente!
Agimos violentamente porque não conseguimos controlar nossos impulsos agressivos, e principalmente porque não conseguimos controlar nossas emoções.
Uma pessoa emocionalmente equilibrada, calma, pacífica, mesmo que esteja portando uma arma não a utilizará sem que isso seja absolutamente necessário, para sua defesa pessoal ou na defesa de terceiros.

Assim, não é o simples fato de alguém portar uma arma que determina se ela a utilizará de fato.
É o estado mental, emocional e o equilíbrio que farão com que a pessoa use ou não a arma.
O homem primitivo, recém saído da animalidade, logo após descer das árvores, descobriu que um pedaço de osso ou um pedaço de pau podia ser utilizado para defesa contra ataques de animais, e de outros homens, como mostra a introdução do filme 2001 – Uma Odisséia no Espaço, e isso fez nascerem as armas, inicialmente em forma de porretes, e depois de lanças primitivas, de arco-e-flecha, para mais adiante vermos surgirem as armas de fogo como pistolas, fuzis e canhões, e também as armas nucleares.
O homem inicialmente usava armas para se defender de agressões de outros homens ou de ataques de animais ferozes.
Com o passar do tempo, porém, as armas levaram à invenção de algo que só os homens conhecem, que é a guerra, pois os animais não conhecem e não fazem guerra.
Guerras por fontes de água, por território, por pastagens, por terras férteis, por petróleo, guerras ideológicas, religiosas, étnicas, etc.
A guerra existe desde o início da civilização.

O homem evoluiu muito em ciência e tecnologia, desde o surgimento das primeiras cidades, por volta de 8.000 anos atrás. Todavia, não evoluiu muito em termos de controle emocional, de pacificação interior, de serenidade espiritual, e por isso ainda continua usando armas para matar por vingança, para assaltar, para intimidar e para fazer guerras de conquista.
Pessoas, normalmente homens, ainda saem de noite para bares, casas noturnas, shows, etc, levando consigo armas de fogo.
Para quê? Por quê?
Se você possui arma e anda armado procure se perguntar por quê.
Alguns dizem que é para se protegerem, para se defenderem.
Contudo, muitas vezes essas pessoas armadas atiram ao menor sinal de contrariedade, por terem muitas vezes o que se chama de “pavio curto”.
Essas pessoas de “pavio curto” não têm bom equilíbrio emocional, não possuem calma e tranquilidade, nem disposição para tentar resolver os conflitos pelo diálogo. Elas usam logo o argumento da força, por não saberem usar a força dos argumentos.

A força é o argumento dos fracos!
Quem sabe argumentar com equilíbrio não precisa de armas, a não ser diante de psicopatas, que não são pessoas normais. Mas há poucos psicopatas hoje nas ruas.
Não faz muito tempo que as pessoas andavam normalmente armadas nas ruas. Primeiro com espadas, e depois com revólveres na cintura.
Hoje, no início do século XXI, já não vemos mais isso!
Houve grande avanço no desarmamento pessoal.

Poucas pessoas ainda saem às ruas armadas, e são essas poucas pessoas que vemos diariamente nos noticiários, envolvidas em homicídios estúpidos em bares, no trânsito, em casas noturnas, após discussões ridículas, muitas vezes após beberem muito, o que faz com que aqueles que possuem agressividade em seu interior a coloque para fora.
Muitas mortes seriam evitadas, e transformadas apenas em alguns hematomas, decorrentes de brigas corporais, se as pessoas não andassem armadas.
É preciso que as pessoas entreguem suas armas à polícia, ou a deixem em casa, bem escondidas, apenas para necessidades extremas, como em uma invasão de domicílio, e jamais levem armas para a rua, para o trabalho, para o shopping, para o estádio de futebol, para a escola, etc.

Acima de tudo, é preciso que as pessoas comecem a se desarmar mentalmente!
As ações são sempre precedidas de pensamentos! Assim, toda ação violenta decorre de pensamentos de violência, de desejo de violência.
O desarmamento maior e mais eficaz deve ter início na mente, no interior do ser!
As pessoas verdadeiramente pacíficas não agem com agressividade, nem com violência sem necessidade real.
As mortes em casas noturnas, em festas e no trânsito, por armas de fogo, ou por armas brancas, como facas, começam com palavras, com a elevação do tom da voz, com ofensas verbais, etc.
Assim, tudo se inicia com o desequilíbrio emocional, com a exacerbação das emoções, com o despertar da raiva, com a intolerância, com a impaciência, e passa pelo orgulho, pela vaidade, pelo egoísmo, etc.

São as nossas emoções que comandam nossas ações!
Uma pessoa emocionalmente equilibrada age normalmente com equilíbrio. Conversa com calma, em tom de voz baixo, utiliza argumentos para dissuadir um possível agressor ou oponente, etc.
Com humildade, muitas vezes evitamos uma agressão! Deixamos de perder a vida, mesmo nos deixando ser humilhados.
De que adiante manter a “cabeça erguida”, não tolerando uma ofensa verbal, por causa do nosso orgulho, e depois levar um tiro e abaixar a cabeça até ela ficar na mesma altura do corpo, na maca do necrotério e depois dentro do caixão, na horizontal?
Quanta gente morre porque não suporta receber uma ofensa, e reage, e então é baleada?

O que vale mais, o orgulho ou a vida?
Não é melhor levar um desaforo para casa do que não voltar para casa, e deixar os filhos órfãos, e a esposa viúva?
Precisamos nos desarmar! Primeiro por dentro, e depois materialmente, para sairmos às ruas sem armas de tipo algum, não mais colocando a vida dos outros e também a nossa em risco.
Andar com equilíbrio interior, com tolerância às ofensas, com humildade, com resignação, vencendo o orgulho e a vaidade a cada dia, para que eles não nos derrubem, e não nos causem prejuízos, nem aos outros.
Desarme-se! Entregue sua arma à polícia, para que ela não seja tomada de você por gente do crime, que poderá usá-la depois contra você mesmo, e também contra outros, contra toda a sociedade, contra a polícia, e quem sabe levando à sua própria morte.
Contribua para o desarmamento geral do mundo!

Seja um ser humano pacífico, calmo, equilibrado, sereno, incapaz de tirar uma vida, salvo em situação muito extrema, e se você preferir matar a morrer.
A legítima defesa é um direito criado pelo homem! Mas os seres verdadeiramente elevados não fazem uso desse direito, pois sabem que só sofrem aquilo que estiver previsto para sofrerem, devido ao seu carma, e por saberem que matar gerará um efeito ruim para o seu futuro.
Gandhi, Buda, Jesus, São Francisco de Assis e muitos outros renunciaram a esse direito de matar em legítima defesa.
A morte apenas nos devolve ao mundo original, de onde viemos, o mundo espiritual, e ninguém escapará da hora da morte apenas porque está armado. Muita gente morre com arma na mão, em assaltos, o que prova que andar armado não resolve nada.

Quem anda armado está sempre passível de usar a arma, até mesmo por se sentir mais valente, mais poderoso, o que é apenas uma grande ilusão.
Na hora determinada pela Lei de Causa e Efeito todos nós partiremos deste mundo material, mesmo que estejamos armados!
É melhor partir como assassinado do que como assassino!
O assassinado está apenas colhendo os frutos podres do que plantou no passado, e poderá subir a planos superiores, mas o assassino está plantando agora para colher frutos podres no futuro, e sempre desce a planos escuros!

Desarme-se! Ande sereno, sem medo da morte, confiante na Lei de Causa e Efeito, e confiante na Justiça Divina!
Não gosto de armas! Já fui ameaçado de morte em decorrência de um processo trabalhista, muitos anos atrás, e nem mesmo assim comprei ou usei arma para me defender! E continuo ainda vivo, até a hora em que o Senhor do Universo determinar que chegou a hora do meu retorno ao mundo original.
Seja pacífico, verdadeiramente pacífico, e não pense em usar arma, pois não vale nunca à pena!

Desarme-se como um todo, tendo sempre palavras doces nos lábios, fale com calma e sempre baixo, não ofenda, não revide as ofensas, não revide uma agressão física, e carregue sempre um sorriso gostoso no rosto, seja paciente com os erros dos outros, tolerante com os limites dos outros, e tente sobreviver a este mundo causando o menor dano possível a você mesmo e também aos outros.

Muita Paz.

Salvador, 01 de janeiro de 2011.
Luiz Roberto Mattos

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