LOBOS E CORDEIROS

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Há alguns dias venho pensando em escrever este texto, exatamente desde o dia em que vi pela televisão a cena do jovem de 19 anos agredindo sem motivo outro jovem na Avenida Paulista, na cidade de São Paulo.
A cena da agressão chocou todo o país, exatamente pela falta de motivação, bem como pela classe social do agressor, classe média alta, ou seja, não foi uma agressão decorrente de assalto, que é mais comum.

Além disso, apenas alguns dias depois teve início a onda de ataques criminosos no Rio de Janeiro, na qual muitos veículos foram queimados, postos policiais atacados a tiros, e um motorista de ônibus baleado na cabeça dentro do veículo sem motivo algum.
Tudo isso vem me fazendo refletir sobre as razões da violência, da agressividade do ser humano, e sobre a índole criminosa.
Para os materialistas, a mente criminosa já nasceu criminosa, por causa da genética, ou ficou assim já na infância por falhas na educação, ou por traumas, ou por causa das questões econômicas, como dificuldades de sobrevivência, fome, etc.

Todavia, a ciência nada provou até agora acerca da existência de um gen criminoso! Um componente genético que dê uma tendência ao crime a quem o possui.
Fatores sociais influenciam de fato, pois quem passa fome pode ficar revoltado, pode ficar mais agressivo, e isso pode ter alguma influência na hora da decisão de entrar na vida do crime.
Traumas na infância podem desencadear diversos processos que despertem o lado agressivo e violento da pessoa.
Porém, acredito que nada disso determina se a pessoa vai seguir o caminho do crime, o caminho da ilicitude, e o caminho do mal.
Basta observarmos que nas favelas onde nasceu e onde vive a maior parte dos criminosos do Rio de Janeiro é composta de gente honesta e trabalhadora!
As pessoas envolvidas com o crime nessas comunidades de menor renda não chegam a representar sequer 5% da polução local. Na verdade o percentual é bem inferior a esse, talvez algo em torno de 2 ou 3%, se muito.

Isso mostra, então, que a esmagadora maioria da população das chamadas favelas do Rio trabalha honestamente, acordando cedo para pegar um ou mais ônibus para ir para o trabalho, e muitos ainda pegam trem também.
Mesmo ganhando menos, e tendo uma vida mais limitada do ponto de vista financeiro, a maioria dos moradores dos morros do Rio não entra para o crime!
Por que a maioria não se torna criminosa? E por que a minoria se torna criminosa, vivendo exatamente sob as mesmas condições, no mesmo ambiente?
Muitas vezes, dentro da mesma família um membro se torna marginal, traficante de drogas, violento, e outros não, tendo sido todos criados da mesma forma, com a mesma qualidade, com as mesmas limitações de recursos materiais, pelos mesmos pais, e com a mesma ascendência genética dos pais e avós.
Costumo dizer que se a fome fosse o fator mais influente na questão da criminalidade os mendigos deveriam ser todos assaltantes, pois todos passam fome, e nem sempre comem algo em todos os dias.

No entanto, os mendigos são calmos, tranquilos, não atacam as pessoas, não roubam, não traficam drogas.
Se fosse a genética o fator mais importante na questão da violência ligada ao crime, por que praticamente nenhum mendigo de verdade entra para o crime?
Não falo dos meninos de rua, que não são autênticos mendigos. Esses são apenas mendigos pontuais temporários.
Os mendigos de verdade passam a vida toda dormindo nas ruas, pedindo esmolas, e eles não se tornam criminosos, nem são violentos.
Se fizermos um estudo sério e profundo acerca da infância dos criminosos, veremos que nem todos sofreram maus tratos dos pais, nem abuso sexual, fatores que às vezes são colocados também como causa da agressividade e que leva algumas pessoas a se tornarem sociopatas, mais conhecidos como psicopatas, termo mais antigo e mais popularizado.
Para mim, que tenho uma visão espiritualista da vida e do universo, acreditando na existência do espírito imortal e sobrevivente à morte do corpo físico, e que reencarna, as coisas não são bem da maneira que os materialistas pensam.

Como somos espíritos milenares, e mais que isso, tendo mais de um milhão de anos de existência só na fase humana da evolução, ou pré-humana, nossa experiência é muito grande e decorre de milhares de encarnações seguidas.
No início, éramos mais brutos, mais animalescos, devido à luta feroz pela sobrevivência.
Disputávamos comida, água, parceiros sexuais,
cavernas, etc.

Depois, com o surgimento das cidades, da agricultura, da pecuária, da metalurgia e outras coisas, passamos a disputar espaço, território, metais, minérios, poder, etc.
Se fizéssemos uma pesquisa há 2 mil anos atrás para vermos que percentual da população estava dentro do que se denomina de sociopata, ou portadores de transtorno antisocial, o famoso psicopata, possivelmente estivesse acima dos 10%, quem sabe 20%.
Hoje, esse percentual, segundo livros de psicologia e psiquiatria, está entre 2 e 4% apenas.

Assim, segundo as pesquisas feitas com critério científico, no máximo 4% da população têm transtornos de comportamento antisocial, ou seja, possuem características de agressividade, de violência, de perversidade, e não sentem culpa, não sentem remorso pelas coisas erradas que fazem. São frios, calculistas, não conseguem lidar com a frustração, não têm sentimentos genuínos de amor, não conseguem perdoar, não conseguem se colocar no lugar e na situação do outro, que é a empatia.

Quando vejo as imagens do jovem paulistano atacando sem motivos o outro e batendo-lhe no rosto com uma lâmpada fluorescente comprida, com risco de cegar o jovem com os estilhaços do vidro, e em seguida golpeando-lhe mais uma vez na cabeça, por trás, somente consigo pensar nos traços perversos do agressor.
Descobriu-se que se trata de jovem de classe média alta, que já foi expulso de uma escola por motivo de briga, e que já agrediu sua própria mãe.
Quem agride a própria mãe? Não uma pessoa de boa índole, normal, equilibrado, e que possui um pouquinho só de amor no coração.
E os bandidos do Rio, que estão agora promovendo essa onda de violência contra as pessoas de bem?

Até mesmo em uma análise apressada e superficial podemos ver neles alguns traços típicos do sociopata.
Vivem à margem do Estado, sem se submeterem a ele, e criaram um Estado paralelo, inclusive com tribunais dentro das favelas, onde julgam e executam as pessoas. Apresentam altíssimo potencial de agressividade, são arrogantes, desumanos, não conseguem perdoar, não confiam em ninguém, e por isso uns matam os outros até dentro de seus grupos.
Cada um que se volta para a vida criminosa, a meu ver já trouxe a tendência ao crime.
Essa tendência decorre da índole!

Cada um de nós tem uma índole!
Já ouvi relato de uma família que tinha dois filhos gêmeos, e na idade de dois anos os pais deram um pintinho filhote para cada um.
Um dos meninos acariciava com grande carinho o pintinho, e cuidava dele com muito amor, e o outro simplesmente apertou o pescoço e matou o seu pintinho, na maior naturalidade.
Não havia maus tratos, nem pobreza, nem fome, e os dois eram amados por igual.
O que fez a diferença? A índole!

Um tinha uma índole boa, e o outro tinha uma índole má, perversa, e por isso matar o bichinho para ele foi muito natural, e não foi capaz de sentir remorso, o que chocou os pais. Qual terá sido o futuro desse menino perverso já com apenas dois anos de idade?
O título que escolhi para este texto, Lobos e Cordeiros, está relacionado com a índole das pessoas.
Polarizei as tendências e a índole!

É claro que há os intermediários, mesmo porque a evolução não dá saltos.
Ninguém é um grande sociopata em uma vida, como, por exemplo, Átila, o rei dos hunos, chamado de O Flagelo dos Deuses, e na encarnação seguinte é um São Francisco.
Isso leva muitos milênios, e são necessárias muitas e muitas vidas para que se dê a transformação do lobo em cordeiro.
Jesus era chamado de O Cordeiro de Deus, exatamente porque sua índole extremamente pacífica lembrava um carneirinho (cordeiro em espanhol).
Enquanto isso, homens como Átila, Gengis Khan e Hitler podem muito bem ser representados como lobos, que são animais que espreitam na escuridão para atacar as suas presas sem piedade.
Se um cordeiro é suave, doce, não morde, não ataca, não caça, pois é vegetariano, os lobos caçam, atacam, mordem e destroçam as suas presas.
Por isso escolhi representar as duas índoles opostas dos seres humanos como sendo lobos e cordeiros.
O Rio de Janeiro há muito que estava dominado por lobos, que aterrorizavam a população.

Agora, com os últimos ataques dos lobos às pessoas de bem, parece que o Estado finalmente resolveu dar combate ferrenho a eles, acuando-os e caçando-os, e eles já estão fugindo de uma favela para outra, até serem finalmente capturados.
Muitas vezes ficamos naquele dilema pensando que são seres humanos, que não devem ser tratados com dureza, com frieza, nem serem mortos, e que devemos apenas amá-los, mas acontece que não se pode deixar uma esmagadora maioria de pessoas de boa índole à mercê e dominada por uma pequenina minoria de pessoas de índole má.
Certa vez ouvi de um amigo espiritual uma frase que jamais esqueci:
OS MAUS DOMINAM PORQUE OS BONS NÃO REAGEM!
Quantas populações já foram dominadas, escravizadas, e massacradas, porque a maioria boa simplesmente não reagiu ao domínio da minoria má?
A sociedade precisa reagir!

Infelizmente os lobos não aceitam amor, nem flores, pois eles estão acostumados à linguagem da força, a única que eles conhecem e entendem.
Por isso com os lobos ainda se faz necessário usar a força, como tem feito agora o Estado no Rio de Janeiro.
Os anjos das altas dimensões não batem, não matam, não se envolvem diretamente nesse tipo de conflito terreno.
Todavia, os lobos precisam ser contidos e afastados do convívio social, pois fazem muita gente sofrer, e causam muitos danos e estragos na vida das pessoas de bem.
Uma hora chega o fim do sofrimento dos cordeiros.
Na Segunda Guerra Mundial, Hitler criou uma gigantesca máquina de guerra, o que foi assistido passivamente por todas as nações, mas ninguém fez nada para barrá-lo no início, e deu no que deu.

No entanto, alguns anos depois, os Estados Unidos criaram uma máquina de guerra ainda mais poderosa, e destruiu a máquina de guerra nazista, e destruiu o sonho de Hitler, o grande lobo que queria e quase dominou mesmo o mundo.
Se os bons não pegassem em armas, hoje o mundo todo seria escravo dos nazistas!
Numa situação como a que vive o Rio, se ficarmos esperando pelos anjos dos céus, sem fazermos a nossa parte, seremos dominados pelos maus.
Na guerra entre o bem e o mal, deve vencer sempre o bem!

Na luta entre os lobos e os cordeiros, devem vencer os cordeiros, que são maioria, e para isso contamos com a valentia, com a coragem e com a intrepidez dos nossos guerreiros, e no Rio isso se dá principalmente com os nossos “300 espartanos”, hoje representados pelos homens do BOPE.
No nível em que vivemos ainda na Terra, precisamos ter guerreiros valentes para defender a sociedade do bem, formada pelos cordeiros, da minoria formada por bandos de lobos.
Que vençam os guerreiros do bem!
Muita Paz.

Salvador, 27 de novembro de 2010.

Luiz Roberto Mattos

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