A MATERIALIDADE DO CORPO ASTRAL

Print Friendly, PDF & Email
Avalie o artigo

Quando falamos em matéria, estamos utilizando uma expressão usada pelo ramo da ciência denominada de Física.
Matéria é tudo aquilo que vemos com os olhos do corpo físico, e também muitas coisas que nossos olhos não podem ver, e que somente os microscópios eletrônicos conseguem captar, ou os aceleradores de partículas vislumbrar.
Átomos, elétrons, nêutrons, prótons, leptons, bósons, quarks, etc, tudo isso que não enxergamos também constitui matéria.
A Física ainda não encontrou limites para a divisão de partículas, mas tudo o que ela já admite existir de infinitesimal é considerado matéria.
Quem sabe se o que envolve os espíritos desencarnados poderia ser percebido por um microscópio eletrônico potente, ou identificado através de bombardeio em um moderno acelerador de partículas?

Quando falamos em espírito desencarndo, ou espírito livre, sem o envoltório carnal, dizemos que ele está revestido de um corpo, que Paulo de Tarso chamou de “corpo espiritual”, como está escrito na Bíblia. Algumas correntes esotéricas e espiritualistas do passado chamaram esse corpo do espírito de “corpo astral”, e o espiritismo chamou de “perispírito”.
A literatura esotérica e espiritualista mais antiga não entrava em detalhes sobre esse corpo que reveste os espíritos, e nem mesmo o espiritismo inicial dava detalhes sobre ele.
As obras de Allan Kardec, que deram início ao espiritismo no meado do século XIX, diziam que o perispírito, o corpo que envolve o espírito, é feito de uma “matéria quintessenciada”.
Essa expressão tem duas partes, duas palavras. Enquanto uma palavra mostra claramente que o perispírito é feito também de matéria, a outra diz que essa matéria é quintessenciada. Todavia, não indica o que seja “quintessenciada”, e não define o que seja quintessência. A expressão é vaga.

No entanto, o fato de ter Allan Kardec e os espíritos que respondiam suas perguntas deixado para nós a afirmação de que o perispírito é feito de matéria é de suma importância.
Isso quer dizer que o corpo espiritual, o corpo astral ou perispírito, também é feito de matéria.
Se a palavra quintessenciada hoje não nos diz nada, ou diz muito pouco, a palavra matéria diz muito, pois é ela a base de tudo o que conhecemos, e o objeto da ciência Física.
Outra palavra que não gosto, utilisada também na literatura de Allan Karde, e que acho que deve ser abandonada, e já não é usada mesmo na prática, é “erraticidade”.
A ideia de que os espíritos ficam na erraticidade após a morte nos dá uma noção vaga, e dá a parecer que os espíritos ficam vagando por aí, sem terem casa, cidade, comunidade, objetos, trabalho, atividade, etc.

“Espírito errante” é uma expressão que sempre abominei!
Os médiuns Waldo Vieira e Chico Xavier, e o espírito desencarnado André Luis mudaram essas ideias quando escreveram e lançaram no início da década de 1940 o livro “Nosso Lar”.
O livro, o mais vendido até hoje de todos os livros psicografados, trouxe uma revolução enorme, pois descreve cidades, hospitais, escolas, governo, organização administrativa, postos de socorro, veículos de transporte, alimentação, roupas, etc, no mundo espiritual, e além disso nos mostra um corpo espiritual, ou perispírito, muito semelhante ao nosso conhecido corpo físico, com órgãos, membros, anatomia, doenças, tratamentos, limitações, etc, não mais dando aquela velha ideia de matéria quintessenciada, expressão vaga e que nada dizia.
O livro “Nosso Lar” deu início a uma série de 13 volumes, todos na mesma linha de informação.

O corpo espiritual, ou corpo astral, como também é chamado, é também matéria, e muito semelhante à nossa matéria do Plano Físico.
Em minha experiência em reuniões de intercâmbio mediúnico, iniciada em 1977, tenho visto sempre os espíritos falarem do corpo espiritual de forma muito parecida com aquela que falamos do nosso corpo de carne, o corpo físico.
Os espíritos desencarnados, através dos médiuns, falam de doenças, cortes, ferimentos, sangramentos, etc, parecendo mesmo que possuem um corpo semelhante ao nosso, com todos os órgãos internos e externos, e dão a entender que seus sentidos são iguais aos nossos.

Eles veem, ouvem, sentem cheiro, sentem o tato e a gustação de forma muito parecida com a nossa forma de perceber as coisas.
Muitos espíritos, por conta desse fato, levam anos sem se darem conta de que morreram, porque lhes parece que nada mudou.
Nas reuniões mediúnicas, os espíritos são atendidos por enfermeiros e médicos desencarnados, quando precisam de atendimento médico, ao mesmo tempo em que os doutrinadores conversam com eles, e são ao final encaminhados a postos de socorro em zonas mais próximas da crosta terrestre, ou a hospitais, casas de repouso ou escolas nas cidades do mundo espiritual, tudo a depender da situação e das necessidades de cada um.

Vivencio a projeção astral, ou desdobramento, como chamam os espíritas mais antigos, desde 1978, mais ou menos o mesmo tempo de minhas vivências com reuniões mediúnicas.
Durante muitos anos, apenas me recordava de ver e ouvir, quando retornava do mundo espiritual, do Plano Astral.
Aos poucos, e principalmente de 2006 para cá, meus sentidos no corpo astral foram tomando uma dimensão muito mais parecida com meus sentidos físicos, tendo passado a sentir também o tato, de forma cada vez mais forte, mais clara, sentindo o contato com outros corpos astrais, o calor corporal, os pelos, sentindo a água, o vento batendo em meu corpo, etc.
Toco em espíritos encarnados projetados (desdobrados) e também em espíritos desencarnados e sinto a mesma sensação material nos dois casos.
Sinto tanto no encarnado quanto no desencarnado a mesma maciez da “carne” ao apertar o braço ou abraçar!
Sinto o calor corporal, sinto o pelo do braço, o calor do rosto ao beijar, e quando vejo algum espírito desencarnado nu, percebo que ele possui todos os órgãos genitais, igualzinho a nós encarnados.

Minhas experiências fora do corpo de 2006 para cá têm me mostrado cada vez mais a materialidade do corpo astral, do perispírito.
Poucos dias antes do desencarne de meu pai, em 2006, em uma noite em que dormi na casa dele, em seu quarto, presenciei, estando eu fora do corpo, um espírito conhecido, um médico, fazendo uma cirurgia em um dos olhos de meu pai, do corpo astral dele, tendo ele perdido grande parte da visão em um dos olhos.
Poderíamos perguntar: Se ele já estava prestes a desencarnar, para quê operar o olho do corpo espiritual? Ele não enxergaria, após a morte, por todas as partes do corpo astral, como alguns sustentam? A doença física continuaria no corpo espiritual?

Anos antes, minha esposa foi operada de um câncer em seu corpo espiritual, estando projetada no Plano Astral, e depois fez uma cirurgia física com grande sucesso e não precisou fazer quimioterapia, graças ao trabalho feito pelo médico desencarnado e a um tratamento energético complementar.
Há muito que abandonei a ideia de que o corpo espiritual é diáfano, transparente, como os fantasminhas dos desenhos animados, especialmente o velho conhecido Gasparzinho.
Hoje percebo que os espíritos desencarnados possuem um corpo semelhante ao nosso, com olhos, por onde veem, ouvidos, por onde ouvem, tato distribuído por todo o corpo, gustação na língua e olfato pelo nariz.

Nem todos se comunicam por telepatia! Isso ainda não está desenvolvido em todos! E a maioria dos espíritos vê mesmo é pelos olhos do corpo espiritual!
Quanto menos evoluído, mais parecido conosco é o espírito desencarnado, e mais parecido com nosso corpo físico é seu corpo astral.
Na medida em que vão evoluindo, os corpos espirituais vão se tornando mais e mais sutis, e a matéria vai ficando mais “refinada”, mais leve, e os órgãos que deixam de ser utilizados vão perdendo a função, e vão gradativamente se atrofiando, até desaparecerem por completo. É a mesma lei do uso e desuso.
No entanto, na atualidade, a grande maioria dos espíritos desencarnados na Terra ainda possui um corpo astral, um perispírito, muito semelhante ao nosso corpo físico.
Muitos espíritos desencarnados sequer conseguem voar no mundo espiritual, e precisam caminhar, pegar transporte, e alguns até se arrastam nas zonas mais inferiores e condensadas.
Aliás, nas zonas mais baixas a matéria é mais densa, e mais se aproxima da nossa matéria do Plano Físico.

Se algum espírito fosse trazido dos abismos mas profundos do mundo espiritual diretamente para a superfície do planeta, talvez muitos de nós pudéssemos tocá-los, senti-los, sentir o seu cheiro, e até esbarraríamos neles, devido ao alto grau de materialidade dos seus corpos astrais.
Já os espíritos muito elevados, que residem nas cidades espirituais situadas nas zonas mais altas do mundo espiritual, não podem ser percebidos pos nós, e podem andar no nosso meio sem serem sequer sentidos.

Tudo é uma questão de grau de condensação de matéria. Mas tudo é matéria!
Todos os corpos astrais são feitos de matéria! Porém a matéria tem muitos graus de densidade.
É por isso que nas reuniões mediúnicas espíritos menos evoluídos não percebem outros espíritos mais evoluídos que estão ali ao seu lado auxiliando-os, e muitas vezes nem percebem quem os conduziu de onde estavam até a reunião. Muitos dizem, quando perguntados, que não sabem como chegaram até ali.

É o grau de condensação da matéria do corpo astral, ou grau de materialidade, que faz com que alguns espíritos desencarnados não vejam nem sintam outros espíritos desencarnados no mesmo ambiente, apesar de todos estarem no mesmo mundo espiritual, o que prova que no mundo espiritual há diversos graus de condensação de matéria, ou graus de materialidade.
Espíritos de pouca evolução, e muito ligados às coisas da vida física, muitas vezes ficam presos ao mundo físico por longos anos, e às vezes até por séculos, e muitos deles estão são materiais, tão próximos de nós em materialidade que não atravessam uma parede do Plano Físico, e nem mesmo uma simples porta de madeira se ela estiver fechada.

Por outro lado, quando estamos fora do corpo físico, e atuando em nossos corpos astrais, e vamos até uma cidade no mundo espiritual, no Plano Astral, não atravessamos uma parede de lá, nem atravessamos uma porta fechada de uma construção no astral, porque os objetos daquele plano são feitos da mesma matéria que os nossos corpos astrais, e por isso são obstáculos para nós.
Assim, como podemos ver, cada nível de matéria é resistente para objetos e coisas daquele mesmo nível de matéria.
A máxima da Física que diz que “dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço” também é aplicável ao mundo espiritual! Mas isso considerando dois corpos do mesmo nível ou grau de matéria.

Da mesma forma que aqui no Plano Físico não podemos atravessar uma parede ou uma porta de nosso plano estando em nossos corpos físicos, no astral, no mundo espiritual, os espíritos desencarnados também não atravessam paredes e portas de lá, pois seus corpos estão no mesmo nível de matéria dos objetos e construções de seu meio ambiente.
O que busco fazer refletir com este texto é o fato de ainda estarmos em grande parte presos a um modelo antigo de pensar nos espíritos como algo transparente, diáfano, quase como se fossem fumaça, uma névoa, quando na verdade eles são materiais como nós, em seu plano.
Quando descem a nosso Plano Físico, muitos atravessam as nossas paredes, mas lá, no mundo em que vivem, eles abrem portas, andam pelos corredores, sentam em cadeiras, deitam em camas e dormem, comem, fazem sexo, tomam banho, tudo a depender, é claro, do grau de evolução de cada um.
Isso não é uma regra geral e absoluta aplicável a todos os desencarnados!

Lá no alto, nos planos verdadeiramente superiores, há espíritos que não comem mais, não dormem, não tomam banho, não fazem sexo, e outras coisas mais, sendo algo inimaginável para muita gente na Terra.
É hora de pensarmos nos espíritos, pelo menos os mais próximos de nós, que conosco interagem mais, como seres que possuem um corpo muito parecido com o nosso, e por isso quando os encontramos fora do corpo os identificamos pela aparência, reconhecemos a voz, abraçamos e sentimos o corpo como se fosse físico.
Quando encontramos nossos entes queridos fora do corpo, estando eles desencarnados, nós os reconhecemos, abraçamos, beijamos, caminhamos com eles como se estivéssemos aqui.
Muita gente tem esses encontros! E isso é muito mais comum e frequente do que se pode imaginar!

Todavia, muitas pessoas, por não entenderem bem essas coisas, simplesmente pensam que tiveram apenas um sonho bom e agradável em que encontraram alguém querido.
Os encontros entre “vivos” e “mortos” no mundo espiritual é por demais frequente, mas muita gente não acredita ainda nisso, e perde oportunidades fantásticas!
Lembremo-nos sempre de que quando falarmos em espíritos estaremos falando de pessoas como nós, que possum também um corpo, e têm necessidades, medos, desejos, sonhos, planos, e que amam.
As “almas do outro mundo” são apenas as almas deste mundo que deixaram a parte material mais densa que as revestiam, mas que estão ainda revestidas de matéria, apenas um pouco mais sutil, e menos densa, mas que ainda é matéria.

Os espíritos são gente como nós, e seus corpos são também materiais, só um pouco menos densos do que os nossos!
Muita Paz.
Salvador, 13 de dezembro de 2010.

Luiz Roberto Mattos

Conheça nossa loja virtual: http://mestresanakhan.com.br/loja/

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *