QUE SOCIEDADE ESTAMOS CRIANDO?

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Hoje pela tarde assisti a uma cena ao mesmo tempo triste e Patética.
Estava levando meu filho caçula para o curso de inglês quando vi um pouco à minha frente, que estava ainda no carro, tentando chegar perto do curso, estando o trânsito lento, uma senhora com a cabeça branquinha, aparentando setenta anos ou mais cair ao tentar subir na calçada, depois de ter atravessado a rua.
Ela caiu para trás, na rua, com risco, inclusive, de ser atropelada, e de bater a cabeça no asfalto.
Vi que ela estava tentando se levantar, sozinha, e já estava me preparando para saltar do carro, mesmo estando ainda um pouco distante, para ir ao seu socorro, quando percebi que ela se levantou e subiu na calçada.

Nesse momento, aproximou-se um garoto, de cerca de catorze ou quinze anos, mas sequer lhe deu a mão, apenas chegou perto, tendo a mão direita no rosto, cobrindo a boca.
Ele estava rindo muito, e tentando encobrir isso com uma das mãos.
Tentava disfarçar o indisfarçável: Ele achou aquilo engraçado! Muito engraçado. E o pior, vi depois que ele a acompanhou. Ele estava com a senhora. Provavelmente era a avó dele que havia ido pegá-lo na escola, ou no curso de inglês, que ficava ali perto.
Senti ao mesmo tempo pena da senhora, senti compaixão, e fiquei indignado com a atitude do garoto, recém ingresso na adolescência.
Provavelmente ele já deve ter assistido a programas como o Domingão do Faustão, com aquele quadro chamado “Vídeo Cassetada”, que trata situações de quedas das pessoas com graça e faz chacota.

A televisão dá muitos maus exemplos! Basta ver a chamada do BB Brasil! Não precisa mais nada!
O menino não conseguiu reagir no sentido de ajudar sua avó idosa! Ele ficou apenas assistindo tudo a certa distância, e rindo a valer.
O garoto não conseguiu sentir pena, nem compaixão de sua própria avó!
Ele não vai para o curso sozinho! Ainda precisa da proteção da avó, provavelmente porque seus pais trabalham, mas quando ela precisou dele, ele apenas conseguiu rir da situação, e ficou paralisado apenas rindo, sem mesmo ver primeiro se ela tinha se machucado. O riso fácil foi mais rápido do que a preocupação com a saúde da avó.
Que tristeza!
Será que um dia também passarei por isso?

No final, acho que senti mais pena dele, e de todos nós, de toda a sociedade, do que da avó, que ficou bem, e parece nada ter sofrido, a não ser o susto.
Que sociedade estamos criando? De pessoas frias, egoístas, insensíveis, individualistas?
Uma sociedade de pessoas que não se preocupam com o bem-estar dos outros, mas apenas com o seu próprio?
Uma sociedade em que todos buscam somente o seu prazer, o seu conforto, a qualquer preço, a qualquer custo, sem pensarem nos outros?
Se as crianças e adolescentes já estão crescendo assim, que futuro podemos ter?
Que educação estamos dando aos nossos filhos?

Chamei a atenção do meu filho, fiz um discurso sobre o comportamento do garoto perante a queda de sua avó, para que ele entendesse claramente que o garoto tinha sido insensível.
Não podemos concordar com isso, nem ficarmos em silêncio frente a situações como essa, sob pena de estarmos sendo omissos e coniventes.
Se eu tivesse ficado calado, meu filho poderia achar que eu também achei engraçado.
Eu não ri, nem meu filho. Ele percebeu a queda da senhora e falou que uma mulher havia caído, mesmo sem eu ter falado nada a princípio. Ele viu ao mesmo tempo em que eu.
Precisamos chamar a atenção de nossos filhos e netos se percebermos atitudes de frieza e falta de compaixão perante situações como essa e tantas outras, para tentarmos despertar neles sentimentos humanos.

Do contrário, estaremos construindo uma sociedade cada vez mais egoísta, fria, insensível, egocêntrica, e ninguém irá ganhar nada com isso. Pelo contrário, todos apenas perderemos.
Meu filho mais velho, antes de eu sair de casa com o menor, havia me falado que a academia de ginástica pediu sete cheques pré-datados, relativos a meses futuros.
As escolas e cursos de inglês, as faculdades, etc., não pedem cheques pré-datados!
Pagamos com boletos bancários, e apenas no vencimento. Por que razão uma academiazinha de ginástica pediria cheques de meses em que os serviços ainda nem foram prestados? E se a academia fechar no mês seguinte? Onde estarão os cheques assinados e datados?
Por que essa falta de confiança nos clientes? Já não basta o fato de não aceitaram cartão de crédito e de débito, mas apenas cheques? E se eu não tivesse cheques?
Não concordo! Não vou dar os cheques!

Precisamos demonstrar indignação com procedimentos assim, que desrespeitam os direitos dos consumidores!
A escola eu pago mês a mês. Por que tenho que dar cheques pré-datados de sete meses futuros a uma academia de ginástica?
Se aceitarmos tudo, sempre encontraremos gente fazendo de tudo! Por isso temos que nos indignar e demonstrar nossa indignação, mas com educação, com calma, com equilíbrio, não precisando ser grosso, nem mau educado, nem tampouco agressivo.
Se a academia insistir na estória dos cheques, perderá um cliente!
Estamos criando uma sociedade de gente desconfiada, que quer segurar o seu, que quer garantir o seu, sem se preocupar se estão desrespeitando a lei ou não.
Médicos e dentistas cobrando consultas sem recibo, para, claramente, não declararem o ganho à Receita Federal. Isso é tão escancarado! Eles não sentem nenhum constrangimento em perguntar se queremos pagar com ou sem recibos! Já perderam a vergonha há muito tempo!

Policiais e políticos que se vendem e recebem dinheiro e colocam em meias, cuecas, etc., sem medo de serem presos.
Pessoas que invadem os sinais de trânsito na frente de todos, sem nenhuma vergonha.
As pessoas estão perdendo o pudor geral! Isso é pior do que tirar a roupa em praça pública! É muito mais sério! É muito mais triste! É muito mais preocupante!
Será que estamos perdendo a capacidade de nos indignar, e de nos envergonhar quando fazemos coisas erradas?
Pais invadem os sinais de trânsito com os filhos pequenos dentro do carro! Além de submetê-los ao risco de um acidente, estão ensinando a eles a infringirem a lei, e a não respeitarem os outros. Ou seja, estão passando para seus filhos seus valores distorcidos! Estão criando cidadãos da mesma classe deles!

O que será que um filho sente e pensa quando assiste no telejornal seu pai sendo preso, algemado, por ter cometido crime de corrupção? Ou por assalto? Ou por ter sido pego em uma blitz dirigindo embriagado?
O que estamos ensinando aos nossos filhos? Que exemplo de cidadãos estamos dando a eles? O que esperamos deles no futuro?
Precisamos estar atentos para o tipo de sociedade que queremos para nós!
Que sociedade estamos criando?
Apenas para uma breve reflexão!

Muita Paz.

Salvador, 24 de fevereiro de 2011.

Luiz Roberto Mattos

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