ATLÂNTIDA: REALIDADE OU APENAS MAIS UMA LENDA ANTIGA?

Print Friendly, PDF & Email
Avalie o artigo

Em pleno século XXI, ainda perduram entre nós inúmeros mitos e lendas antigas, seculares e até mesmo milenares.
Uma dessas antigas lendas é a da existência da Atlântida.

Para nós ocidentais, a lenda da Atlântida teve início com os escritos de Platão, especificamente os conhecidos diálogos Timeu e Crítias.
Platão, famoso filósofo grego, que viveu de 427 a 347 a.C., foi o mais famoso discípulo de Sócrates, que viveu de 470 a 399 a.C., tendo sido Platão muito respeitado pelo seu sistema de ideias, bem como pela postulação da imortalidade da alma humana, e ele exerceu grande influência sobre os padres da Igreja Católica e sobre os filósofos cristãos.
Talvez Platão tenha usado o pseudônimo Crítias na narrativa contida em seu livro. É o que acreditam alguns.

Crítias, ou Platão, na narrativa passa informações que recebeu do seu avô, que por sua vez recebera as narrativas do filósofo e também político grego Sólon, que morreu em 559 a.C., em Atenas.
A informação dada pelo avô de Crítias (Platão?) a ele conta a história de um sacerdote egípcio que vivia na cidade de Saís, no Delta do Nilo, e, segundo o egípcio contou a seu avô, havia em épocas remotas, cerca de 9.000 anos antes de Platão, um poderoso Império, situado numa ilha que se encontrava no Oceano Atlântico, além das Colunas de Hércules (Estreito de Gibraltar), de nome Poseidonis ou Atlantis. A ilha tinha um comprimento de 3.000 estádios de 2.000 de largura (um estádio é igual a 185 metros) o que resultaria em cerca de 200.000 quilômetros quadrados. Imaginava-se na época que a ilha era maior que a Líbia e a Ásia reunidas (a Ásia então conhecida na época).

O povo que habitava a Atlântida era governado por reis. O primeiro parece ter sido Atlas. Seu irmão Gadir governava outra parte da ilha, que se situava perto das Colunas de Hércules. Houve uma guerra entre a Atlântida e Atenas, e depois houve uma tragédia. Durante um dia a ilha Atlântida afundou no mar e desapareceu.
Platão em sua obra dá detalhes da Atlântida, que não vou transcrever aqui em razão de tomar muito espaço. Então sugiro aos mais interessados no assunto buscarem a fonte original, o texto de Platão, facilmente encontrável na internet. Basta buscar no Google Timeu e Crítias, associado a Platão.

Uma coisa interessante é que Platão em seu relato fala em dilúvio, e não apenas em um único, mas em vários dilúvios.
Isso nos faz lembrar o grande dilúvio descrito na Bíblia, e ele não é o único, nem o mais antigo relato sobre um dilúvio de grandes proporções.
A Epopéia de Gilgamesh é a história de um rei sumério da cidade-estado de Uruk que teria vivido no século XXVIII a.C.. Seu registro mais completo provém de uma tábua de argila escrita em língua acádia do século VIII a.C., pertencente ao rei Assurbanipal, tendo sido no entanto encontradas tábuas com o texto da história que datam do século XX a.C., sendo assim o mais antigo texto literário conhecido no mundo até hoje.

Essa epopéia (Gilgamesh) contém a mais antiga referência conhecida ao dilúvio, que está presente em várias culturas, e que está presente também na Bíblia cristã e no Torá, a bíblia ( de biblos – conjunto de livros) dos judeus. Esse registro, herdado por tradição oral dos tempos pré-históricos, de acordo com algumas teorias, teria a sua origem no final da última Era Glacial. Outras teorias dizem que foi uma inclinação do eixo planetário, causado ou pela gravidade de um cometa que passou muito perto da Terra durante a época ou pela inversão do polo magnético da Terra, o que acontece de tempos em tempos.

O livro Gilgamesh, encontrado na Mesopotâmia, é mais antigo do que a Bíblia, e foi escrito antes mesmo da época em que a história situa Moisés. E ele conta a história de um grande dilúvio, e de um herói muito semelhante ao Noé bíblico. Tudo nos dois livros se assemelham demais, inclusive quanto aos animais de várias espécies colocadas no barco, para que sobrevivessem ao dilúvio.
Há inúmeras lendas sobre dilúvio ao redor do mundo, nas Américas, na Índia e em outros lugares distantes, sem possibilidade de contato entre os vários povos antigos que criaram a lenda, o que afasta em muitos casos a possibilidade de que um povo tenha copiado a lenda de outro povo.
Tudo leva a crer que realmente existiram dilúvios ao longo do tempo, ou seja, inundações de grandes proporções, e em várias partes do planeta.
Sabemos que a última Era Glacial terminou por volta de 10.000 anos atrás. Isso significa 8.000 anos antes de Cristo. Isso é mais ou menos a datação do surgimento da cidade mais antiga que se conhece, Jericó, em Israel.

Assim, a datação da destruição da Atlântida, segundo os escritos de Platão, não está distante do fim da última Era Glacial. Pelo contrário, ela está mais ou menos na mesma época.
O fim da última Era Glacial gerou o derretimento de grande massa de gelo das calotas polares, o que, por sua vez, implicou na elevação do nível dos oceanos. E isso certamente causou o avanço do mar sobre as terras mais baixas, com a destruição de povoados e talvez cidades litorâneas. E talvez ilhas de terras baixas tenham simplesmente desaparecido debaixo do mar. Isso pode ter acontecido em um processo lento. Ou talvez repentino, quem sabe.

Há literatura espiritualista antiga que sustenta que a Grande Atlântida, o continente, afundou lentamente, em cerca de dois anos, o que permitiu que muita gente deixasse as terras que iam sendo inundadas aos poucos, enquanto que a Pequena Atlântida, que ficava mais perto da entrada do Mediterrâneo, afundou em um único dia, o que coincide com o relato na obra de Platão, conforme esta parte do texto: “Esta ilha desapareceu mais tarde por um terremoto e imergiu no oceano”. Ou esta outra parte: “Posteriormente aconteceram terremotos violentos e inundações e em apenas um dia e uma noite de tempestades (chuvas) Atlântida e todo o seu povo foram tragados pelo oceano”.

Vimos recentemente, em 2004, como um tsunami pode varrer ilhas do mapa, tendo matado mais de 300.000 pessoas, e como um grande terremoto pode causar imensa destruição, como agora no Haiti, em 2010, com mais de 200.000 mortos.
Se a Atlântida de fato existiu, pode ter sido mesmo destruída por terremoto e maremoto, como na narrativa de Platão, o que não estaria em desacordo com o que temos visto ser feito pela natureza. E se ela realmente existiu, com cidades e tudo o mais, como nos conta Platão, há de ter restado alguma coisa debaixo da água do mar. Alguma construção, paredes, blocos de pedra, etc.

E a localização da Atlântida?
Platão deixa claro que a Atlântida ficava além das Colunas de Hércules, que é o Estreito de Gibraltar, que fica na entrada do Mar Mediterrâneo, ou saída dele para o Oceano Atlântico. E informa o seu relato que havia reinos atlantes perto dessas colunas de pedra, o Estreito de Gibraltar.
Desse modo, deve haver ruínas de construções atlantes perto do Estreito de Gibraltar, mas no fundo do Oceano Atlântico, não no Mar Mediterrâneo.
As terras hoje existentes mais próximas da entrada do Mediterrâneo estão no Arquipélago dos Açores, um conjunto de nove ilhas espalhadas por espaço relativamente grande no Oceano Atlântico.

Pesquisei há mais de dez anos atrás e descobri que a parte do Oceano Atlântico mais rasa, e que fica mais perto da entrada do Mediterrâneo, é exatamente a região do Arquipélago dos Açores.
A profundidade média de toda a região ao redor dos Açores é de apenas 200 metros, ao contrário dos quilômetros de profundidade nas demais regiões do oceano.
Há um imenso platô submerso nessa região aproximadamente do tamanho da Grã Bretanha, o que é tamanho razoável para coincidir com a Atlântida.
Em 2009 foi descoberta, nas imediações dos Açores, a cerca de 150 quilômetros do arquipélago, uma cratera submarina muito grande, e pesquisadores acham que ela foi criada por impacto de um meteoro que teria caído na Terra há milhões de anos.

Se pensarmos na possibilidade de ter caído um meteoro na região há cerca de 10.000 anos atrás, estaria apresentada uma boa base para a destruição da Atlântida com terremoto e maremoto, um imenso tsunami, e ainda inundações em várias partes do planeta, causados pela queda de um meteoro no mar. E é possível, também, que tudo tenha acontecido com a passagem de um cometa perto da Terra, provocando a alteração do ângulo de inclinação do seu eixo.

De qualquer modo, há lendas e mitos de dilúvio em vários povos e épocas, indicando que de fato eles existiram, além de terem sido encontrados em vários lugares vestígios de construções humanas hoje debaixo do mar, a demonstrar que um dia elas estiveram na superfície, em terra firme, e depois o mar as encobriu.
Existe um documentário que sustenta que a Pirâmide de Quéops, a maior do Egito, foi construída 10.000 anos atrás, porque há nela um orifício estreito, como um canal em linha reta, que vai do seu centro em direção ao céu, e papiros antigos indicam que esse orifício se dirigia para a Constelação de Órion, para onde a alma do faraó deveria ir após a morte, e isso só seria possível 10.000 anos atrás, não mais na atualidade, o que dá a entender que a posição das estrelas no céu mudou, provavelmente pela mudança na inclinação do eixo da Terra, quem sabe causada por um meteoro que caiu na Terra naquele tempo, ou por um cometa que passou perto, causando em consequência o afundamento da Atlântida. Isso coincide mais ou menos com a hipótese do filme 10.000 a.C., que coloca a construção da pirâmide de Quéops 10.000 anos antes de Cristo, por sobreviventes de uma inundação em país distante, apresentando até o seu imenso barco, deixando entrever se tratar da Atlântida.

Muitos já procuraram a Atlântida no Mediterrâneo, nas Antilhas, nas Bahamas, no Peru, e até mesmo perto do Japão, de forma diferente das indicações do livro de Platão, e por isso ainda não a encontraram.
Já foram escritos até os nossos dias quase 2.000 livros sobre a existência da Atlântida, baseados em interpretações de lendas e crônicas antigas.
Acho que as buscas deveriam se concentrar na região dos Açores, por ficar no Oceano Atlântico, perto do Estreito de Gibraltar, como indicado por Platão, e ainda porque é a região de terras submersas mais altas em todo o Atlântico, sendo a área mais provável para ter um dia abrigado uma civilização que desapareceu debaixo da água, deixando na superfície apenas ilhas, que um dia já foram as partes mais altas das montanhas da região.
Particularmente não acredito que a Atlântida tenha sido uma civilização mais avançada tecnologicamente do que a atual civilização, com avião, nave espacial, armas nucleares, computador, internet, etc. Do contrário, algum vestígio dessas coisas já teria sido encontrado em algum lugar, uma vez que provavelmente houve sobreviventes, que se espalharam pelo mundo antigo, conforme o próprio relato de Platão, seja no continente americano, seja na Europa e Oriente Médio. E não acredito que a Atlântida tenha sido destruída por arma nuclear, como alguns especulam.

Deve ser observado no relato de Platão que Atenas derrotou os atlantes na guerra que houve entre os dois povos. Ora, os atenienses naquele tempo, e até mesmo muito depois, já na Era Clássica (séculos VI a IV a.C.), lutavam com lanças, espadas e escudos, e não tinham nenhuma arma como as modernas, como avião, carros de combate, canhões, etc. Então parece meio fantasiosa e sem qualquer respaldo nos escritos de Platão a ideia de que os atlantes eram mais avançados do que nossa atual civilização.
Para mim, os atlantes teriam sido muito parecidos, em termos de tecnologia e cultura, com os antigos egípcios, e com os cretenses. E por isso, se algum dia aparecerem ruínas submersas, provavelmente serão blocos de pedra, ou paredes grossas e altas, colunas de pedra, como as construções do antigo Egito e de Creta.
Estive projetado, fora do corpo, visitando as ruínas da Atlântida debaixo da água do mar, no dia 28 de agosto de 2008, conforme relato que escrevi em 29 de agosto de 2008, e que está no tópico RELATOS DO AUTOR no meu site. Fui levado por um espírito amigo. Vi paredes grossas e compactas, altas, e várias colunas também altas, que ainda estão de pé no fundo do mar. Tudo debaixo da água, a certa profundidade, e ainda não descoberto, mas aguardando que alguém encontre as ruínas de um passado não muito longínquo, e que pode mudar em parte a história de nossa civilização.

Por enquanto, o mistério e a lenda da Atlântida continuam…
Salvador, 28 de junho de 2010.

Luiz Roberto Mattos

Conheça nossa loja virtual: http://mestresanakhan.com.br/loja/

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *