Ressurreição de Jesus

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Inicialmente, cumpre-nos salientar, por ser oportuno, que, analisando há muito tempo os quatro evangelhos da Bíblia, chegamos à conclusão que na verdade a palavra ressurreição ali empregada tem três significados diferentes entre si. Ora se usa a palavra com o sentido de volta à vida de uma pessoa recém morta, cujo corpo ainda se encontrava inteiro, como nos casos da filha de Jairo, do filho da viúva de Naim e de Lázaro; ora se emprega a palavra para designar a volta à vida após o juízo universal, o que se daria coletivamente, e aconteceria com todos os mortos, estando, neste caso, os corpos já decompostos; e ora se emprega ainda com o sentido de reencarnação, como veremos em nossas análises neste capítulo. Assim, é importante que se entenda perfeitamente a palavra, seu significado, e os três sentidos diferentes.

Outro aspecto a ser analisado é se existiu alegoria ou fraude na ressurreição de Jesus, e para isso analisaremos diversas passagens dos evangelhos nas quais Jesus anunciou previamente sua morte, e por que ele precisava morrer para somente depois voltar à vida corporal. E também é importante revermos algumas profecias antigas sobre sua vida e morte.
O profeta Isaías previu o nascimento de Jesus, dizendo que de Sião sairia a Lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor. E disse ainda que o povo da Galiléia, que andava em trevas, veria uma grande luz. Disse que um pequeno nasceria, e lhe seria colocado um principado sobre os ombros, e o seu nome seria admirável, conselheiro, Deus forte, pai do futuro século, príncipe da paz. O seu império se estenderia cada vez mais, e a paz não teria fim.

Também Daniel previu a chegada do Filho do homem, a negação de Cristo pelo povo (Daniel, cap.9) e sua morte, com a destruição de Jerusalém em seguida, exatamente tudo como realmente aconteceu.
Miquéias também previu a chegada do Cristo (cap.4), indicando o local de seu nascimento (cap.5).
Zacarias (cap.13) previu que o pastor seria ferido, e as ovelhas dispersas.
Havia previsão também de que o Cristo, o Messias, o Salvador, seria entregue aos incrédulos, que dele zombariam, e que o açoitariam e o matariam, e que sobre suas vestes seria lançada sorte, e que seus ossos não seriam quebrados. E de fato, conforme relatos dos evangelistas, Jesus foi preso, zombaram dele, dando-lhe bofetadas, socos e pauladas, depois o chicotearam e crucificaram, mas não lhe quebraram os ossos, porque quando foram fazer isto, para apressar a sua morte, em razão da proximidade do sábado, que se iniciaria às 18:00 horas, com o pôr do sol, ele já estava morto.

Todas as profecias a seu respeito foram correta e integralmente cumpridas, o que significa dizer que os profetas antigos de Israel viram o futuro realmente, e que Jesus foi o homem de quem os profetas escreveram. Assim, a hipótese de fraude na sua morte é improvável, como veremos neste capítulo.
Jesus, muito antes de ser preso e morto em Jerusalém, já anunciava a sua morte, de certo modo velada, mas somente para quem não entendia bem as coisas, e também anunciava a sua ressurreição, como retorno à vida corporal, e não apenas em espírito, conforme relatou Mateus (cap.12): “Então lhe tornaram alguns escribas e fariseus, dizendo-lhe: “Mestre, nós quiséramos ver-te fazer algum prodígio”. Ele lhes respondeu, dizendo: “Esta geração má e adúltera pede um prodígio, mas não se lhe dará outro prodígio senão aquele prodígio do profeta Jonas, porque assim como Jonas esteve no ventre da baleia três dias e três noites, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no coração da terra”.
Vemos nessa passagem dos escritos de Mateus que Jesus chamou de prodígio o que se escreveu no livro de Jonas, sobre ter ele permanecido três dias dentro de um grande peixe e depois ter sido expelido em terra, vivo, e como os habitantes da cidade de Nínive se modificaram com isso, fazendo penitência. E Jesus aproveitou para dizer que assim como Jonas ficou três dias e três noites dentro da baleia, ele ficaria três dias e três noites sob a terra. Ele quis dizer que estaria morto e sepultado durante três dias e três noites, e depois voltaria à vida física, exatamente como havia predito um profeta antigo de Israel. Nisso não há alegoria.

No capítulo 16 Mateus relata outra passagem em que Jesus faz menção novamente ao prodígio do profeta Jonas, em comparação ao único prodígio que seria dado aos judeus.
Mateus conta (cap.13) que, estando Jesus em Betânia na casa de um certo Simão, que era leproso, chegou uma mulher com uma redoma de alabastro cheia de precioso bálsamo e derramou sobre sua cabeça, o que escandalizou a muitos, que consideraram um desperdício, e que disseram que o bálsamo poderia ser vendido e dado o dinheiro aos pobres. Mas Jesus disse: “Deixai-a. Por que a molestais? Ela me fez uma boa obra. Vós sempre tendes convosco os pobres, para lhes fazer o bem sempre que quiserem, porém a mim não me tendes sempre. Ela fez o que cabia nas suas forças. Isto resultou em embalsamar-me antecipadamente para a sepultura”. Isto significava que Jesus não estaria com eles, vivo, em carne e osso, sempre. E praticamente anunciou que já estava perto de morrer, e que a mulher lhe antecipou o embalsamamento que se faz antes do sepultamento. Tudo mostra que Jesus sabia que iria morrer em breve, e seria a morte física, não uma morte aparente, ou simulada, nem alegórica.

Mateus (cap.14) conta que Jesus, na última ceia, após dizer que um dos discípulos o trairia, e causar com isso um reboliço entre eles, disse: “…quanto ao Filho do homem, ele vai segundo o que dele está escrito, mas ai daquele homem por meio do qual será entregue o Filho do homem! Melhor fora ele não ter nascido” (grifo nosso). Jesus com isso disse que ele iria (morrer) na forma predita pelo profeta. Seus discípulos até aquele momento não entendiam suas palavras, quando ele dizia que iria ser morto em Jerusalém.
Todas essas passagens mostram que não houve simulação da morte de Jesus, e que ele, ao contrário, sabia desde o início de sua pregação pública como haveria de morrer, em cumprimento das escrituras, ou seja, das profecias. Ele muitas vezes disse aos discípulos que morreria em Jerusalém, e falava do prodígio do profeta Jonas comparando-o com sua morte por três dias, e depois o seu ressurgimento. Ele disse aos seus discípulos claramente (Mateus, cap.14, v.28): “Mas depois que eu ressurgir, ir-vos-ei esperar na Galiléia”. Ele falava do ressurgir novamente vivo depois da morte corporal, e o esperar na Galiléia não seria em espírito apenas, o que não faria sentido. Ele iria para a Galiléia em corpo material esperá-los. A ressurreição de que ele falava, nesse caso, era a ressurreição como volta à vida no mesmo corpo que havia sido morto e sepultado, ou seja, voltar a animar o mesmo corpo morto e sepultado, mas ainda não decomposto.
A ressurreição após o juízo universal era crença muita antiga entre os judeus, mas não compartilhada por todos. Algumas seitas judaicas não acreditavam na imortalidade da alma, nem na ressurreição corporal. Outras acreditavam na imortalidade da alma e na ressurreição do corpo após o Juízo Final, voltando a alma a animar o mesmo corpo, mesmo milhares de anos depois de mortos. Os judeus do tempo de Jesus não entendiam a ideia da reencarnação, nem mesmo os doutores da lei, apesar de essa ideia ser comum e aceita entre outros povos, como os indianos e os egípcios. Alguns filósofos gregos, como Pitágoras, Sócrates e Platão acreditavam na reencarnação.

No capítulo 22 do Evangelho de Mateus há interessante passagem em que Jesus fala de ressurreição. Chegaram até ele os saduceus, que diziam não haver ressurreição, e fizeram a Jesus a seguinte pergunta: “Mestre, Moisés disse que se algum (homem) que não tenha filho morrer, seu irmão deveria se casar com sua mulher, dando sucessão a seu irmão. Ora, entre nós havia sete irmãos. Depois de casado faleceu o primeiro, e como não tinha filho, deixou sua mulher a seu irmão. O mesmo sucedeu com o segundo, o terceiro, até o sétimo. E ultimamente, depois de todos, faleceu também a mulher. Assim, a qual dos sete pertencerá a mulher na ressurreição, já que todos foram casados com ela?”. A pergunta foi bem formulada, e com muita astúcia, e, dentro do entendimento comum dos judeus, ela não teria resposta, isto é, se após o juízo universal todos ressurgiriam vivos novamente, quem ficaria com a mulher, já que todos foram com ela casados? Mas Jesus deu resposta inesperada, e mostrou como eles erravam na interpretação das escrituras, dizendo: “Errais, não conhecendo as escrituras, nem o poder de Deus, porque depois da ressurreição nem as mulheres terão marido nem os maridos mulheres, mas serão como os anjos de Deus no céu”.

Jesus nessa passagem mostra que não se deve entender a ressurreição mencionada nas escrituras como sendo a volta à vida corporal de todos aqueles que morreram e nos corpos que já se decompuseram. Como os saduceus se referiam à ressurreição depois do juízo, Jesus deixou claro que nesse caso a ressurreição, o ressurgimento, não seria físico, mas haveria continuidade da vida da alma, que comparou aos anjos do céu. Ora, os anjos não têm corpo físico, são espíritos. Assim, a vida após essa ressurreição seria no céu, não na terra, porque é no céu que vivem os anjos. Jesus, desse modo, falou da vida após a morte, no céu, ou mundo espiritual. A alma continuaria viva. É a ideia da imortalidade da alma. Por isso ele disse que as mulheres não teriam marido, nem os maridos teriam mulheres, porque no céu, ou no mundo espiritual, não há marido e mulher, mas todos são livres para se associarem àqueles que amam de verdade.
Já vimos até aqui a ressurreição como volta à vida corporal daqueles que haviam morrido, como a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim e Lázaro, todos eles mortos há pouco tempo, e sem a decomposição orgânica, e também a ressurreição como vida depois da morte, no céu, ou mundo espiritual, que expressa a ideia da imortalidade da alma.
É interessante vermos como Jesus fazia clara distinção entre a vida no céu, que é extrafísico, e a vida na terra, que é material, ou física. No Sermão da Montanha (Mateus, cap.5) ele se refere distintamente ao reino dos céus, que seria dos pobres de espírito, e à terra, que seria possuída pelos mansos. Assim, deixa claro que existe vida na terra, mas também existe vida em outro mundo, que não é físico, onde também alguns viveriam. E Jesus, já preso, disse a Pilatos que seu reino não era deste mundo, deixando claro também com essa afirmação que existe outro lugar onde se vive, e onde ele era rei, e que não era na terra, no sentido físico. E, ainda, sempre que Jesus falava em ir para o Pai, falava em outra dimensão, não física, visto que Deus não é material como os homens. Desta forma, não há dúvida quanto à duplicidade de entendimento ou interpretação da palavra ressurreição. Ora ela quer dizer continuação da vida depois da morte física, e ora retorno à vida corporal de alguém recém morto, no mesmo corpo.

Ainda em Mateus (cap.17) vemos Jesus dizer a seus discípulos que não contassem a ninguém sobre a transfiguração enquanto o Filho do homem não ressurgisse dos mortos. Ora, só ressurge dos mortos quem esteve morto.
Vejamos agora a ressurreição como reencarnação.
Mateus (cap.17) conta-nos que após a transfiguração de Jesus, ao descerem do monte onde ela se deu, seus discípulos lhe perguntaram: “Por que dizem os escribas que Elias tinha que vir primeiro?”. E Jesus respondeu: “Elias certamente há de vir, e restabelecerá todas as coisas. Digo-vos, porém, que Elias já veio, e eles não o reconheceram, antes fizeram dele quanto quiseram. Assim, também o Filho do homem há de padecer às suas mãos”. E escreveu Mateus que então seus discípulos entenderam que ele falava de João Batista.
Essa passagem dos evangelhos é muito importante. Mateus escreveu que os discípulos entenderam que Jesus havia dito que João Batista foi o mesmo Elias, não reconhecido. Ora, João Batista viveu cerca de novecentos anos depois de Elias, posto que este viveu no século IX a.C. E João Batista nasceu de outra mulher, de forma natural e normal, não tendo sido o corpo de Elias que se levantou do túmulo, mesmo porque nada mais, a não ser ossos, deveria restar do corpo de Elias. Assim, João Batista não poderia ser a ressurreição física de Elias, como ocorreu com Lázaro e outros dois. A situação é outra, muito diversa. Ademais, o juízo universal ainda não havia se implantado, como até hoje também não, e por isso Elias não tinha porque ressuscitar no sentido corporal, como acreditavam algumas seitas judaicas.

Diante do afastamento da hipótese de que Elias ressuscitou dos mortos como Jesus, saindo do sepulcro no mesmo corpo em que viveu, e diante da afirmação de Jesus de que João Batista era o mesmo Elias, não reconhecido, somente nos resta crer que Jesus estava querendo dizer que João Batista era a reencarnação de Elias.
Na reencarnação, a alma, o espírito, é o mesmo, mas o corpo é outro. A alma encarnada que no século IX a.C. se chamava Elias voltou ao mundo físico em outro corpo novecentos anos depois, nascendo novamente, de outra mulher, e tendo outro nome, João, que depois foi cognominado de Batista, porque batizava com água. Elias havia de vir, diziam as escrituras, mas isto não se daria no mesmo corpo, ressuscitado, como erroneamente interpretavam os escribas, e sim em outro corpo, foi o que quis dizer Jesus.
Outra coisa é que, se Elias tivesse ressuscitado, no mesmo corpo, ele continuaria se chamando Elias. Por que mudaria o nome? Não fosse assim, então depois do juízo todos mudariam seus nomes? Jesus teria outro nome, e também Maria, sua mãe? E cada um dos apóstolos mudaria também de nome? Isso não faz sentido.
João Batista foi uma reencarnação do profeta Elias. Foi isso o que Jesus quis dizer.

Completamos, assim, o tríplice significado da palavra ressurreição empregada nos evangelhos. A palavra ressurreição na Bíblia tanto significa volta à vida corporal dos que já haviam morrido, mas há pouco tempo, como no caso de Lázaro; volta à vida corporal, mas no mesmo corpo, segundo algumas seitas judaicas, depois do juízo universal, o que Jesus combatia por entender ser interpretação errônea das escrituras; e volta à vida corporal, em outro corpo, nascendo novamente, ou seja, a reencarnação, como entendida hoje pelos modernos espiritualistas, e que foi o caso de Elias e João Batista, encarnações do mesmo espírito com intervalo de cerca de novecentos anos.
Vejamos agora a ressurreição física de Jesus, o seu levantar-se do sepulcro no terceiro dia após sua morte, o que ele comparou ao prodígio do profeta Jonas.
Segundo Mateus (cap.27) Jesus morreu perto da nona hora, e, conforme João (cap.19), somente assistiram a sua crucificação ele, Maria, mãe de Jesus, a irmã de Maria, outra Maria, mulher de Cleófas, e Maria Madalena. Mas nem João assistiu o momento da morte de Jesus, posto que levou a mãe de Jesus para casa, segundo seu relato.
O normal nas crucificações em véspera de dia de sábado era que se quebrassem as pernas do supliciado, para apressar a sua morte por asfixia, pois não podendo suportar o peso nas pernas, os músculos dos braços e tórax logo se cansavam e dificultavam a respiração, levando à morte sem muita demora. E a crucificação de Jesus, tendo ocorrido numa sexta-feira, pelo meio da tarde, não poderia prosseguir até depois do pôr do sol, porque aí já se iniciava o sábado dos judeus. Por isso os judeus pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas dos crucificados, conforme João (cap.19), o que foi feito quanto aos dois outros condenados, mas quando os soldados romanos chegaram próximo a Jesus viram que ele já estava morto, e por isso não lhe quebraram as pernas. Mas um dos soldados lhe abriu o peito em um lado com uma lança, e saiu água e sangue. E depois José de Arimatéia pediu a Pilatos o corpo de Jesus para sepultar. Ele e Nicodemos envolveram o corpo de Jesus em um asseado lençol, e o ligaram, após o embalsamarem com aromas, na maneira do costume judeu. E depois o colocaram em um sepulcro novo.
Segundo Mateus (cap.27, v.61), Maria Madalena e outra Maria assistiram o sepultamento, ficando sentadas defronte do sepulcro. De acordo com Marcos (cap.16, v.47), essa outra Maria era irmã de José. Se ele fez referência a José, o pai de Jesus, então essa outra Maria era tia de Jesus.

Pelo que escreveu Lucas (cap.23, v.54), quando o corpo de Jesus foi colocado no sepulcro, o sábado já raiava, o que significa dizer que o sol já estava se pondo. Ainda dava para enxergar. Tudo indica que Jesus não levou mais do que três horas na cruz.
Ainda segundo Lucas (cap.23 e cap.24), as mulheres que seguiram José de Arimatéia e viram onde colocaram o corpo de Jesus voltaram e prepararam aromas e bálsamos, mas nada fizeram no sábado, como de costume entre os judeus da época. Contudo, no primeiro dia da semana foram muito cedo ao sepulcro, levando os bálsamos e aromas. O primeiro dia da semana corresponde para nós, hoje, o domingo, visto que sábado é o sétimo e último dia. E viram a pedra que tapava o sepulcro removida. Entraram no sepulcro e não encontraram o corpo de Jesus.
As primeiras pessoas a verem Jesus depois de sua morte foram Maria Madalena e a outra Maria que com ela estava. E, segundo Mateus (cap.28, v.9), elas abraçaram os pés de Jesus e o adoraram, o que significa possivelmente materialidade, tangibilidade. E Jesus lhes falou, o que implica também que podia ser ouvido por elas fisicamente, posto que não há qualquer referência a faculdades paranormais nessas mulheres. Assim, de acordo com esse relato, ou Jesus estava de fato vivo no mesmo corpo que fora sepultado, ou então estava em corpo espiritual materializado, podendo da mesma forma andar, ser tocado e ser ouvido.

Mas há divergência entre os relatos dos evangelistas quanto a essa passagem.
Marcos, que escreveu baseado nas pregações de Pedro, não entra em detalhes, mas informa que Jesus ressurgiu na manhã do primeiro dia primeiramente a Maria Madalena.
Segundo Marcos e Lucas, depois de aparecer a Maria Madalena, Jesus apareceu em outra forma a dois discípulos que iam caminhando para outra aldeia, tendo caminhado durante muito tempo com eles a conversar, e à luz do sol. Nunca ouvimos falar nem lemos sobre casos de materialização de espíritos à luz do sol e tão demorada. Sabe-se que a luz destrói o ectoplasma. Assim, como normalmente as materializações são feitas utilizando ectoplasma, é pouco provável que Jesus tenha se materializado, pelo menos usando ectoplasma.
Segundo João (cap.20), depois que Maria Madalena viu que Jesus não estava no sepulcro, correu a contar a Pedro e João, que logo correram para o local, a fim de confirmarem o fato. João chegou primeiro, e entrou no sepulcro, vendo os lençóis postos no chão, mas não entrou. Pedro chegou em seguida, e entrou no sepulcro, e viu postos no chão os lençóis, e também o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus, sendo que este estava dobrado, e num lugar à parte. Depois João entrou e viu tudo isso, e creu. Lembraram das palavras de Jesus, quanto a ter que morrer e depois ressuscitar. E voltaram para casa.

Ora, a julgar pelo relato de João, que esteve no local, ou alguém tirou o corpo de Jesus do sepulcro e o levou para outro lugar, ou então ele mesmo se levantou e saiu andando do sepulcro. E houve o cuidado de dobrar o lenço da cabeça. Se alguém fosse furtar o corpo de Jesus, certamente o levaria como estava, ou seja, envolto no lençol e amarrado por tiras de pano, como o costume da época. Não haveria razão alguma para que fosse desenrolado o corpo para ser dali levado, nem muito menos se pensaria em dobrar o lenço da cabeça e deixar ali no túmulo.
Segundo João (cap.20), quando Jesus apareceu a Maria Madalena, e ela quis tocá-lo, ele lhe disse: “Não me toques, porque ainda não subi a meu Pai”. Isto diverge do relato de outros evangelistas, inclusive de Mateus, posto que, segundo João, Jesus não permitiu que Madalena o tocasse, o que dá a ideia de intangibilidade, imaterialidade, em confronto com a materialidade demonstrada no relato de Mateus.

Jesus apareceu também, depois de morto, a dez discípulos (apóstolos), e em seguida aos onze, pois na primeira aparição Tomé não se encontrava presente.
Ainda segundo João (cap.20), na primeira aparição Jesus apareceu dentro da casa em que eles se encontravam, estando as portas fechadas, o que significa dizer que ele não entrou pela porta. Ora, para alguém entrar em uma casa sem usar a porta, só se entrar transportado (transporte de matéria, no caso, o corpo), ou se se tratar de um espírito que se materializa dentro da casa. Se Jesus de fato voltou à vida no mesmo corpo, ou seja, levantou do sepulcro no mesmo corpo que fora crucificado, normalmente ele entraria pela porta, a menos que não quisesse ser visto pelas ruas ou quisesse produzir mais esse fenômeno para seus discípulos. Fora dessa hipótese, Jesus teria morrido mesmo, e não teria ressuscitado no sentido físico, mas teria aparecido em seu corpo espiritual, estando este materializado.

O mesmo João (cap.21), no entanto, nos dá outro indicativo de materialidade do corpo de Jesus, com sua aparição física em plena luz do dia, no Lago Tiberíades, o Mar da Galiléia.
Conta-nos João que alguns discípulos estavam pescando no lago quando Jesus apareceu na praia e perguntou se eles tinham algo para comer. Como responderam negativamente, Jesus mandou que lançassem a rede para o lado direito da embarcação, e assim achariam peixes. Eles obedeceram, e pegaram tão grande quantidade de peixes que não conseguiam levantar a rede para cima do barco. Então João disse a Pedro: “É o Senhor”. E Pedro, quando ouviu isso, se vestiu, pois estava nu, e se lançou na água, nadando até a terra firme, e os outros foram na barca. E quando saltaram para a terra, viram brasas, e um peixe em cima delas, e pão. E Jesus lhes disse: “Dai cá dos peixes que agora apanhastes”. Pedro subiu no barco e tirou a rede para a terra, havendo nela cento e cinquenta e três grandes peixes. E Jesus disse: “Vinde, jantai”. E eles sabiam que era Jesus. E Jesus lhes serviu peixe e pão. Esta, segundo João, foi a terceira aparição de Jesus a seus discípulos (os apóstolos) depois de ressurgir dos mortos.

Essa passagem dá a nítida impressão de materialidade do corpo de Jesus, que come e fala à luz do sol, acende fogo e serve alimento aos outros. Não há indício algum de que fosse um espírito materializado temporariamente, pelo menos usando ectoplasma.
Outra passagem que demonstra que o corpo visto pelos discípulos era aquele mesmo que morrera na cruz está no capítulo 24 do Evangelho de Lucas. Conta-nos ele que os dois discípulos que viram Jesus no caminho de Emaús foram até Jerusalém contar o que viram aos outros discípulos (os apóstolos) e, quando estavam relatando, Jesus se apresentou no meio deles (estando as portas fechadas) e disse: “Paz seja convosco. Sou eu, não temais”. Mas eles, perturbados e espantados pensavam ver um espírito. E Jesus lhes disse: “Por que estais vós perturbados, e que pensamentos são esses que vos sobem os corações. Olhai para as minhas mãos e pés, porque sou eu mesmo. Apalpai e vede, que um espírito não tem carne nem ossos como vós vedes que eu tenho”. E dizendo isso mostrou-lhes as mãos e os pés. Mas não crendo eles ainda, e estando admirados, lhes disse Jesus: “Tendes aqui alguma coisa que se coma?”. E eles lhe puseram na frente uma posta de peixe assado, e um favo de mel. E Jesus comeu na sua frente, e lhes deu a sobra. E disse-lhes ainda: “Isto que vós estais vendo é o que queriam dizer as palavras que eu vos dizia, quando ainda estava convosco, que era necessário que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, e nos profetas e nos salmos. Então lhes abriu o entendimento, para alcançarem o sentido das escrituras. E lhes disse: “Assim é que está escrito, e assim é que importava que o Cristo padecesse, e que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia, e que em seu nome se pregasse penitência e remissão de pecados em todas as nações, começando por Jerusalém. Ora, vós sois as testemunhas destas coisas. E eu vou mandar sobre vós o dom que vos está prometido por meu Pai; entretanto ficai vós de assento na cidade, até que sejais revestidos de virtude lá do alto”. Depois os levou para fora de Jerusalém, até Betânia, e levantando as suas mãos, os abençoou. E enquanto os abençoava, se ausentou deles, e era elevado ao céu. E depois os discípulos voltaram para Jerusalém.

Essa passagem dá a impressão de que houve de fato ressurreição física de Jesus, e somente no final do relato, quando se fala em elevação ao céu fica meio estranho. Inicialmente, quando aparece, Jesus manda que lhe toquem, e diz que um espírito não tem carne nem ossos, como ele tinha. Com isso, ele afirmava ter o mesmo corpo que foi crucificado, com suas feridas visíveis e palpáveis. Pode ele ter entrado na casa transportado, de forma invisível, o que explica o seu repentino aparecimento na frente dos discípulos. Nas materializações de espírito, como aquelas estudadas pelo cientista inglês William Crooks, e também pelo russo Alexander Aksacof, no século XIX, e ainda Ernesto Bozzano e outros, a aparição se dá aos poucos, iniciando-se com uma nuvem de ectoplasma, e somente depois de algum tempo o espírito fica inteiramente visível. E nunca se fez experiência com sucesso à luz do dia, e ao ar livre.
Jesus nessa passagem relatada por Lucas chega até a comer, para provar que ele é material, e que é ele mesmo, e faz referência ao cumprimento das escrituras, que falavam na sua ressurreição ao terceiro dia. Tudo mostra que era ele mesmo, e em seu corpo físico, e que não houve fraude nem simulação de sua morte. Ele morreu mesmo, de verdade. E após cerca de trinta e seis horas saiu do sepulcro sozinho, vivo novamente. Ele havia trazido de volta à vida três pessoas mortas, incluindo um morto de quatro dias. Assim, por que não poderia voltar ele mesmo à vida corporal? Se ele tinha poder sobre o corpo e a vida dos outros, por que não teria sobre o seu próprio corpo e vida?

Estudando minuciosamente os quatro evangelhos, chegamos à conclusão que realmente Jesus morreu na cruz, e no terceiro dia, na contagem de tempo dos judeus de seu tempo (cerca de 36 horas), ele despertou novamente para este mundo material, voltando do mundo e do meio dos mortos, como anunciou diversas vezes que ocorreria, para dar cumprimento às escrituras, às profecias a seu respeito. E depois de algum tempo simplesmente desmaterializou o seu corpo, voltando para o seu reino, que fica no mundo espiritual, não na terra, como ele mesmo disse, ou se transportou para outro local e não mais teve contato com seus discípulos. Ficamos com a primeira hipótese, apenas por sentimento interior.
Jesus tinha esse incrível poder, inexplicável para nós, pessoas comuns, e mesmo para os maiores cientistas deste início do século vinte e um.
A sua ressurreição corporal foi o maior milagre por ele produzido, e no momento de produção desse milagre, parece que ele ainda produziu outro, igualmente incrível, que será analisado no capítulo seguinte, e que nos ajuda a comprovar a sua morte física e a sua ressurreição física também. Trata-se do Santo Sudário, uma “fotografia” que ele imprimiu no lençol que o envolvia no sepulcro, para o futuro distante dois mil anos.

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