A VIDA DE JESUS – UM POUCO DE HISTÓRIA

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Hoje é certo e pacífico entre os historiadores que pesquisam a vida de Jesus Cristo que seu nascimento não se deu no ano que hoje é o marco para a contagem do tempo, ou seja, o ano zero da Era Cristã. Teria nascido Jesus, na verdade, entre os anos 8 e 6 a.C., ou seja, na verdade Jesus nasceu seis a oito anos antes da data que se fixou como sendo aquela de seu nascimento. E esse erro de datação do nascimento de Jesus se deve ao monge Dionísio, o Pequeno (500-545 d.C.), que foi encarregado de organizar um calendário pelo Papa da Igreja Católica no século V.
A afirmação dos historiadores se baseia na citação feita no Evangelho Segundo Lucas, quanto ao recenseamento feito pelos romanos, ocorrido na época do nascimento de Jesus, e que foi o primeiro feito na Palestina, destinando-se a regularizar a cobrança de impostos. Os historiadores situam esse acontecimento, o recenseamento, entre os anos 8 e 6 a.C.

O astrônomo alemão Johannes Kepler (1571-1630), pai da moderna astronomia, e profundo conhecedor da astronomia antiga, buscando explicação científica para o que poderia ter sido a “Estrela de Belém”, mencionada nos Evangelhos da Bíblia, e vista no dia em que Jesus nasceu, acabou por apresentar uma teoria. Segundo seus estudos, uma conjunção entre os planetas Saturno e Júpiter em Peixes seria vista na Terra com imensa luminosidade, semelhante ao que se denominou de “Estrela de Belém”. E a última conjunção desses planetas ocorrera em 22 de agosto do ano 7 a.C. Note-se que esta data está em acordo com o recenseamento feito pelos romanos na Palestina (entre 8 e 6 a.C.). Procurou-se elaborar o mapa astral de uma pessoa nascida nessa data, e concluiu-se que ela seria uma pessoa destinada a mudar o mundo. Incrível coincidência. É possível que Jesus tenha nascido no dia 22 de agosto do ano 7 a.C.
No Evangelho segundo Mateus (capítulo 2), escreveu ele: “Tendo, pois, nascido Jesus em Belém de Judá, em tempo do rei Herodes, eis que vieram do Oriente uns magos a Jerusalém, dizendo: Onde está o rei dos judeus, que é nascido? Porque nós vimos no Oriente a sua estrela: e viemos a adorá-lo”. Nos outros evangelhos não há registro dessa passagem.

Note-se que Mateus não fala em reis, mas em magos. A Mesopotâmia, onde se situava o Império Babilônio naquela época, era a terra dos magos, e dos astrólogos. O berço da astrologia foi a Mesopotâmia, como hoje se reconhece.
Alguns interpretam a “Estrela de Belém” como sendo um OVNI (objeto voador não identificado). Contudo, o texto de Mateus é claro ao mencionar uma estrela. Ademais, essa estrela foi vista também pelos magos no Oriente. Isto nos leva a crer que realmente se tratava de uma estrela, ou planeta irradiando luminosidade. Naquele tempo os conhecimentos de astronomia eram muito rudimentares, e não se distinguia muitas vezes planeta de estrela.

Ainda em Mateus (capítulo 7), está escrito: “Então Herodes tendo chamado secretamente os magos, inquiriu deles com todo o cuidado que tempo havia que lhes aparecera a estrela”. Isto demonstra que os reis naquele tempo tinham magos, ou astrólogos na corte, para aconselhá-los. Isto era comum, e até mesmo no império romano isto acontecia. E Herodes quis saber deles quanto tempo tinha que a estrela havia aparecido, para que pudesse encontrar a criança nascida.

Os maiores astrólogos daquele tempo estavam na Babilônia. Assim, é bem provável que astrólogos, que também eram magos, tivessem previsto o nascimento de alguém muito importante para a humanidade na data do aparecimento da chamada “Estrela de Belém”, que pode ter sido mesmo a conjunção de Saturno com Júpiter em Peixes, ocorrida no dia 22 de agosto do ano 7 a.C. Do contrário, o que os levaria a sair de um país tão distante a cavalo ou camelo à procura da criança nascida?

Quanto ao ano em que morreu Jesus, está associado ao tempo em que Pôncio Pilatos era o governador romano na Palestina, tendo sido dada a sentença de morte a Jesus, por crucificação, provavelmente no ano 32 da Era Cristã. Assim, Jesus viveu na verdade entre 38 e 40 anos, e não apenas 33 anos, como se pensava. Como Lucas em seu evangelho registrou que Jesus tinha mais ou menos 30 anos quando iniciou sua pregação, tem-se que ele pregou durante 8 a 10 anos, e não apenas 3 anos. Esse tempo maior justifica o que escreveu João em seu evangelho, que Jesus realizou tantas obras que se fossem todas registradas por escrito o mundo não conteria todos os livros (João, cap.21, v.25).

Jesus nasceu em Belém, na Judéia, que hoje faz parte de Israel. Viveu em Nazaré após voltar do Egito, para onde sua família fugira para livrá-lo da morte ordenada por Herodes. Só deixou essa cidade definitivamente quando iniciou sua missão, aos trinta anos de idade.
A existência de fato de um homem chamado Jesus, que teria sido crucificado em Jerusalém, dando nascimento depois a uma religião com muitos seguidores hoje não pode ser contestada. E isto porque, além dos evangelhos reconhecidos pela Igreja Católica e pelos historiadores, que relatam sua vida, ensinamentos, milagres e profecias, há também documentos outros, históricos, de origem não-cristã, que mencionam Jesus, a exemplo dos escritos do historiador da corte romana de Domiciano, o judeu Flavio Josefo, que menciona a morte de João Batista em termos que coincidem substancialmente com os relatos evangélicos, dando-lhes com isso autenticidade, e ainda registrou o mesmo Flavio Josefo o martírio de Tiago, “irmão daquele Jesus que é chamado Cristo”, segundo palavras suas. Josefo escreveu sobre a história do povo judeu por volta do ano 50 d.c., e menciona Jesus como “obrador de feitos extraordinários”. Ele devia ser criança quando Jesus foi morto, e deve ter colhido muitos relatos acerca dos feitos de Jesus, que foi um homem muito famoso em seu tempo. A existência de Jesus era recente para ele.
Há também o maior historiador romano, Tácito, que mencionou a figura de Cristo, ao referir-se ao incêndio de Roma. Nero, para desculpar-se, atribuiu o incêndio aos cristãos, cujo nome, afirma Tácito, “lhes vem de Cristo, o qual, sob o principado de Tibério, o procurador Pôncio Pilatos entregara ao suplício…”. E o Talmude de Jerusalém e também de Babilônia confirmam a existência histórica de Jesus de Nazaré.

Em abril de 1992, para alvoroço dos historiadores, e para maior confirmação da existência histórica de Jesus de Nazaré, descobriu-se em uma das grutas do sítio arqueológico de Qumran, às margens do Mar Morto, próximo à cidade de Jericó, na Palestina, território de Israel, um fragmento de papiro datado aproximadamente do ano 50 d.C. O texto está escrito em caracteres gregos, e trata-se de uma conhecida passagem da vida de Jesus descrita no evangelho de Marcos. Até então, entre os famosos Manuscritos do Mar Morto, nada havia sido identificado como fazendo referência à existência de Jesus. Mas naquele ano de 1992 as coisas mudaram de rumo, e os historiadores tiveram a certeza de que não só existira de fato um homem chamado Jesus naquela região, como também foram feitos registros a seu respeito desde pelo menos vinte anos após a sua morte, o que mudou a crença anterior de que os registros evangélicos somente tardiamente foram elaborados.

Os Manuscritos do Mar Morto foram escondidos em gruta pelos essênios, membros de uma seita judaica dissidente e purista, que viviam em uma comunidade às margens do Mar Morto. A maior quantidade dos manuscritos foi encontrada logo após a Segunda Guerra Mundial por jovens pastores, mas somente recentemente traduzida, e só em 1992 foi encontrado o fragmento que menciona Jesus. A sobrevivência desse fragmento pode ser considerada, em certo sentido, um verdadeiro milagre, encontrado já no final do milênio, e a confirmar a existência e importância de Jesus de Nazaré já bem pouco tempo depois de sua morte. Se Jesus tivesse sido um homem comum, sem maior importância, não teriam escrito sobre ele, e ainda mais em grego, quando os judeus falavam e escreviam em aramaico no seu tempo, e não teriam escondido os escritos na gruta. Jesus deve ter sido considerado muito importante por quem escreveu sobre ele.
Arqueólogos encontraram em Cafarnaum, nas imediações da sinagoga do século I, uma casa com anzóis e jarros para peixe, onde se encontrou em escavações uma placa com a inscrição: “Casa do Príncipe dos apóstolos”. É mesmo possível que ali tivesse existido a casa de Pedro.

Em 2002 foi divulgada a descoberta de uma urna funerária com uma inscrição em aramaico, a língua falada por Jesus, que diz: “Ya’akov bar yosef akhui di yeshua”, que em português quer dizer “Tiago, filho de José, irmão de Jesus”. A Bíblia indica a existência de um irmão de Jesus chamado Tiago, nascido depois dele. Exames atestaram que a peça encontrada é mesmo da época de Jesus.
A palavra cristianismo deriva de Cristo, que na sua raiz grega significa ungido. Jesus se identificou com a figura do Messias esperado pelos judeus, e prometido por Deus desde os tempos dos profetas Miquéias, Isaías e Zacarias, por intermédio deles. O Messias, o Salvador, era esperado há mais de 500 anos quando nasceu Jesus.
Na época em que Jesus viveu, a nação judaica estava sob domínio estrangeiro fazia muito tempo, e os sonhos de liberdade eram já muito antigos. A região ficava situada numa zona de tensão entre os grandes impérios do mundo oriental, e por isso a nação perdeu sua independência política desde o exílio da Babilônia, nos fins do século VI a.C. Depois vieram os persas, os gregos com Alexandre, o Grande, e por último os romanos, em 63 a.C.

Na época de nascimento de Jesus a Palestina era foco constante de revoltas e resistência contra Roma, e por isso muitos foram crucificados antes e depois de viver Jesus. E os judeus esperavam um Messias, um Salvador, que efetivamente os salvasse, mas do domínio dos romanos, o que dificultou a aceitação de Jesus quando ele se recusou a ser coroado rei dos judeus, pois eles queriam que Jesus liderasse a revolta contra os romanos, o que estava fora dos planos de Jesus. Dizia ele: “meu reino não é deste mundo”.
Jesus viveu num tempo de intensa agitação política na Palestina. As principais forças políticas de seu tempo eram compostas pelos saduceus, que negavam a imortalidade da alma, e foram os principais responsáveis pela condenação de Jesus; escribas, ou doutores da lei, que eram os intérpretes das escrituras; fariseus, puristas e nacionalistas, que esperavam do Messias a libertação do jugo romano, acreditavam na imortalidade da alma e na ressurreição do corpo; zelotas, dissidentes dos fariseus, ultranacionalistas, que pretendiam expulsar os romanos pagãos pelas armas, sendo por isso ferozmente perseguidos pelos romanos; e essênios, sacerdotes dissidentes e leigos exilados, que viviam em comunidades ultra fechadas em Qumran, considerando-se os únicos puros de Israel.

Pelo que indicam os evangelhos, Jesus era carpinteiro, profissão que deve ter exercido até iniciar sua vida missionária aos trinta anos. Isto devia fazer dele um homem forte, do ponto de vista físico, devido ao trabalho braçal. Seguiu o mesmo ofício de José, seu pai, o que era comum naqueles tempos em Israel.
Na região onde Jesus viveu o povo era preponderantemente moreno, de cabelos escuros e olhos castanho-escuros, como até hoje os árabes e os chamados palestinos que vivem em Israel, bem como os jordanianos, egípcios, iraquianos, iranianos, turcos e muitos outros povos vizinhos. Assim, é bem provável que Jesus fosse também moreno, de cabelos pretos ou castanho-escuros, o mesmo se dando com os olhos. O tipo louro e de olhos azuis não se coaduna com o tipo étnico da região nos tempos de Jesus. A imagem do Cristo louro e de olhos azuis foi criação dos cristãos europeus, estes sim, em grande parte, louros e de olhos claros. Todavia, não se pode descartar totalmente a possibilidade de ter sido ele claro e de olhos azuis, visto que durante vários séculos Israel foi dominada pelos gregos e depois pelos romanos, que eram claros e tinham olhos claros. Quem sabe o sangue helênico ou romano não se misturou com os antepassados de Jesus…isso não é impossível.

Ao longo de sua missão na Terra, Jesus Cristo operou muitos dos chamados milagres, como curas, multiplicação de alimentos, levitação sobre as águas, ressuscitamento de mortos, etc. É sobre esses milagres de Jesus Cristo que estaremos tratando nas linhas seguintes desta obra.

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