A GRANDE ILUSÃO

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Há muitos anos atrás uma conhecida me disse que o mundo era apenas uma ilusão.
Pensei por alguns segundos no que ela disse e então dei um beliscão no seu braço, e ela gritou.
Dei risada, e perguntei: Doeu?
Ela respondeu: É claro que doeu!
Então eu disse: A dor não foi uma ilusão, porque nossos corpos de fato existem, e tudo o que vemos ao nosso redor também existe.
Ela parou e pensou…

Algumas pessoas leem um pouco sobre filosofias orientais, como o budismo, por exemplo, e já saem por aí dizendo que tudo é ilusão, que o mundo é ilusão, que o universo é ilusão, que a vida é apenas uma ilusão, etc.
Após mais de trinta anos de estudos de diversas filosofias, sobretudo orientais, e de várias religiões, e ainda somando a tudo isso minhas experiências fora do corpo por mais de trinta anos, concluí que a vida não é uma ilusão, que nossos corpos não são ilusão, e que o universo não é ilusão.
Quando estamos encanardos, quando estamos ligados a um corpo de carne, como se costuma chamar, sentimos todas as sensações da matéria, todas as sensações físicas.
Nosso corpo é palpável, assim como é palpáveil tudo o que é material ao nosso redor.
Sentimos dor física! Sentimos prazer físico!

Podemos manipular a matéria nas indústrias, mesmo as mais resistentes, como o ferro, e até mesmo o diamante.
Muita gente pensa, quando se torna espiritualista, que no mundo espiritual, ou Plano Astral, como alguns preferem chamar, tudo é plástico, quer dizer, maleável, muito mais do que no mundo físico, e que por isso pode facilmente plasmar objetos ao seu bel prazer no Plano Astral, apenas pelo pensamento.
Minha experiência tem me mostrado que as coisas não são bem assim.
Primeiro, no mundo espiritual há vários níveis ou graus de condensação da matéria.
Assim, enquanto nos planos mais elevados os espíritos evoluídos conseguem manipular livremente e facilmente a matéria ao seu redor, construindo rapidamente objetos, casas, etc., nos planos inferiores, abaixo da superfície física do planeta, a matéria é muito mais resistente ao seu manuseio, e o pensamento não consegue manipular a matéria ambiente para criar objetos, casas, edifícios, etc.

É por isso que as roupas dos espíritos que passam anos no chamado umbral, como lemos no livro Nosso Lar, de André, e vemos no filme nele baseado, se rasgam, ficam sujas, pretas, e as pessoas ficam sujas, fedendo, e muitos médiuns veem isso e até sentem o cheiro ruim quando espíritos chegam nas mediúnicas trazidos dessas zonas escuras e de sofrimento.
Se tudo pudesse ser plasmado facilmente em qualquer região do mundo espiritual, ou do Plano Astral, ninguém passaria fome ou sede lá, nem ficaria sujo e com roupas ragasdas. Bastaria plasmar, criar mentalmente tudo o que quisesse.
Todavia, isso não acontece!
Tudo isso tem me mostrado ao longo do tempo que em cada dimensão onde estamos as coisas são reais para nós enquanto ali estamos.
Assim, quando estamos no mundo material, ou físico, tudo ao nosso redor é real para nós, podendo ser visto, tocado, manipulado, etc., e quando estamos no mundo espiritual, ou Plano Astral, tudo ao nosso redor é igualmente real, bem como é real o corpo espiritual, ou corpo astral, sede de nossa consciência e sensação naquele plano.
Quando estou fora do corpo, projetado, vejo, toco, ouço, sinto gosto, etc., da mesma forma que os espíritos que estão vivendo lá, desencarnados.
Fora do corpo já senti o vento de um ventilador de teto na outra dimensão batendo em minhas costas, fazendo inclusive minha camisa se mexer por causa do vento; já tomei banho de chuveiro e senti a água batendo em meu corpo espiritual; já senti o gosto ao comer alimentos em uma festa; senti prazer sexual muitas vezes, tudo igualzinho ao que sinto quando estou em estado de vigília, no corpo físico.

Tenho me convencido cada vez mais de que a ilusão não é em relação ao mundo, ao plano, aos corpos, etc.
A ilusão existe é em nossa maneira de ver as coisas!
A maior ilusão, segundo Buda, começa com o que ele chamou de “Ilusão de Separatividade”, ou seja, nós nos sentimos separados do Absoluto, quando na verdade não existe separação real.
Isso é uma questão complexa filosófica, e não vou adentrar esse tema aqui, para não me alongar.
A quem quiser se aprofundar nessa questão recomendo a leitura do meu livro Sana Khan – Um Mestre no Além, volume I.
Abaixo dessa ilusão maior, e pouco compreendida e percebida, o que considero como a Grande Ilusão, e que me levou a dar o título deste texto, é a ilusão que faz as pessoas pensarem e acreditarem que este mundo, o mundo material, é o único real, e que não existem outros mundos ou dimensões. Ou acreditarem que existem outras dimensões, e que até podemos ir lá ao sairmos do corpo durante o sono, mas que as coisas lá não são tão reais quanto as coisas daqui do mundo físico.
Isso tudo é uma grande ilusão!
A matéria em seus diversos níveis ou graus não é ilusória!

Os mundos ou dimensões, ou planos, não são ilusórios!
Ilusão é a forma como vemos, e como compreendemos as coisas.
O espírito livre, que nós chamamos de espírito desencarnado, está no estado original. Ele é que está no mundo original. E nós estamos apenas temporariamente ligados a uma matéria mais condensada, e a um corpo que chamamos de corpo físico, ou de carne, e por isso dizemos que somos espíritos encarnados.
Se pudéssemos falar em normal e anormal, diríamos mais corretamente que os espíritos livres, ou desencarnados, é que são os “normais”, e nós, os encarnados, é que somos os diferentes, ou “anormais”.
Contudo, não existe qualquer anormalidade na encarnação, ou reencarnação.
A reencarnação tem um propósito definido, que não cabe adentrar também aqui neste texto.
A questão da Grande Ilusão que quero chamar a atenção do leitor está relacionada com a nossa forma “míope” de ver as coisas, de ver a vida. Precisamos ver mais além, e ver em uma dimensão mais expandida, colocando o espírito na nossa visão, a espiritualizar a matéria.
Estamos agora encarnados, mas nem sempre estivemos assim!

Antes de nascermos no Plano Físico, vivíamos normalmente no mundo espiritual, ou Plano Astral, e de forma muito parecida com o nosso modo de vida aqui.
Após a morte do corpo físico, ou seja, após o nosso desencarne, retornaremos ao mundo original, que é o mundo de onde viemos, o mundo espiritual.
A Grande Ilusão consiste em achar que isso aqui é tudo, e que depois da morte nada mais existirá!
Essa visão turvada da realidade faz com que muita gente cometa crimes, furte, mate, corrompa, passe por cima dos outros e tudo o mais que for preciso fazer para enriquecer e levar uma vida de luxo, tendo tudo do bom e do melhor, mesmo que às custas do sofrimento de milhares de outras pessoas.
O egoísmo está muito relacionado a essa visão curta e míope da vida!
O egoísmo decorre dessa Grande Ilusão!

Quantos espíritos já atendi em reuniões mediúnicas decepcionados ao perceberem que a vida não acabou com a morte, e ao se verem perseguidos por suas vítimas, a lhes cobrarem pelas coisas erradas que fizeram e pelos prejuízos que lhes foram causados.
Quem mata para enriquecer; quem se corrompe para enriquecer; quem tira dos outros para enriquecer, etc., acha sempre que a vida é única, que não haverá nada mais além da morte, e pensa que se escapar da polícia e da justiça dos homens gozará uma boa vida na Terra, e depois nada mais existirá, e assim não terá que pagar pelo que fez, não terá que prestar contas a ninguém. E é aí que essas pessoas se enganam, e se decepcionam depois da morte, pois continuam vivas, e com a perfeita lembrança de seus crimes, e muitas vezes vendo os rostos de suas vítimas a lhes perseguirem, quando não estão de fato sendo perseguidas por suas vítimas, e muitas pessoas tornam-se presas, prisioneiras de suas vítimas, que podem manter um antigo algoz escravizado por longos anos, torturando-o, como incontáveis casos relatados em reuniões mediúnicas das quais participei.
A ilusão não está na matéria, no mundo, mas na nossa percepção e visão da vida.

Tudo o que existe é real, dentro do estado em que nos encontramos no momento, seja encarnado ou desencarnado.
Ilusão é pensar que só existe a matéria que chamamos de física, sólida, e que vida após a morte é ilusão, fantasia, misticismo, etc.
O Absoluto é real, o universo é real, em todas as suas dimensões; nossos corpos são reais, em todos os níveis de condensação, e tudo ao nosso redor, em todas as dimensões, é real.
Precisamos refletir, e muito, sobre essas coisas, e buscar mudar nossa maneira de ver as coisas, e mais ainda, mudar a nossa maneira de viver a vida, pois muitas vezes até conseguimos entender teoricamente essas coias, mas vivemos como materialistas, mesmo nos dizendo espiritualistas.
Desfaça a Grande Ilusão!

Muita Paz.
Salvador, 20 de agosto de 2011.
Luiz Roberto Mattos

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