A BUSCA DA FELICIDADE

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Ao assistir ontem ao Globo Repórter sobre o Butão, pequenino país incrustrado na Cordilheira do Himalaia, entre China e Índia, tendo gravado o programa dias antes, fiquei refletindo todo o tempo sobre a felicidade. O que é, e como se conquista.
O Dalai Lama, líder dos budistas tibetanos, escreveu um livro sobre a felicidade. Sustenta o líder religioso que ninguém gosta de sofrer, e que todo mundo quer ser feliz.
Assim, se todo mundo quer ser feliz, e nisso concordo com ele, por que a humanidade não é feliz, como um todo?
Vejo as pessoas buscando trabalhos cada vez melhor remunerados, para terem um nível de vida cada vez melhor. Mas isso só envolve o nível material de vida, ou seja, o conforto material.
Buscamos ganhar dinheiro para comprar apartamentos ou casas cada vez maiores, com mais quartos, para que cada membro da família tenha seu quarto individual. Para comprar cada vez mais carros, para que cada um tenha o seu, e não dependa dos demais, nem dos transportes públicos. Buscamos estar atualizados com a parafernália tecnológica que chega às lojas todos os dias.
Lutamos para manter nossas contas pagas em dia. E isso não é fácil, pois cada dia surgem novas fontes de despesas, como TV a cabo, internet, etc., além das mais antigas, como eletricidade, água, condomínio, escola, plano de saúde, etc.

Quanto mais gastamos, mais o nosso ganho financeiro parece insuficiente, e com isso estamos sempre buscando ganhar mais.
Empregados e servidores públicos fazendo greve para ter aumento de salário. Autônomos trabalhando cada vez mais para ganhar mais.
É uma correria atrás de dinheiro, e isso traz um grande estresse.
Já não vivemos sem televisão, sem telefone celular, sem carro, sem um monte de coisas, e achamos que precisamos de tudo isso para que sejamos felizes.
Será que precisamos de fato de tantas coisas materiais para atingir e manter a felicidade?
O Globo Repórter mostrou um pequenino país de gente que o Ocidente considera pobre, pois nossos valores se baseiam no PIB, que é o Produto Interno Bruto, a soma de tudo o que o país produz em um ano.

Todavia, o mesmo programa apresentou o Butão como “o país da felcidade”.
A reportagem mostrou que no Butão há um departamento da felicidade, que analisa todos os projetos legislativos e do executivo, e eles somente são aprovados se não forem afetar a felicidade do povo, ou se forem aumentar ainda mais a felicidade. Isso é inédito, e acho que único no Planeta Terra.
A reportagem mostra que ninguém passa fome no Butão. Isso parece contradizer a afirmação de que se trata de um país pobre, mas não é, pois a pobreza afirmada se baseia apenas no PIB, e eles se preocupam com a FIB, que é a Felicidade Interna Bruta do povo, um novo conceito, que é mais importante do que o PIB, que somente avalia a produção de bens de consumo de uma nação.
O Butão somente passou a ter dinheiro há 40 anos atrás, e televisão há apenas 10 anos.
Grande parte da população não tem energia elétrica em casa, nem TV, nem DVD, nem computador, nem carro, nem geladeira. Mas eles se consideram felizes.
Caminham muito, suas casas são simples, trabalham duro, aquecem-se com fogo de lenha, comem comida simples e natural, divertem-se, são solidários, e as casas são construídas em conjunto.
Nas vilas todos se conhecem, e todos se ajudam.

Não se fala em criminalidade como em nossas cidades, pois não há ninguém passando fome, e não há muitas coisas para roubar.
Eles vivem sorrindo, e é um sorriso autêntico, verdadeiro.
São felizes sem carro, sem TV, sem DVD, sem computador, sem telefone celular, sem TV a cabo, sem geladeira, sem grande parte das coisas nas quais baseamos a nossa felicidade.
Isso mostra que não precisamos de muitas coisas para atingir a felicidade!
Podemos ser felizes com pouco, sem luxo, sem conta bancária abarrotada de dinheiro.
Uma casinha simples, para se proteger da chuva, do sol e do frio; lenha para fazer o fogo para cozinhar e aquecer no inverno; algumas poucas roupas, sem precisar estar sempre na moda, que muda toda hora, e sem precisar estar sempre tentando mostrar aos outros que temos dinheiro e bom gosto; comida suficiente todo dia para nos mater nutridos e saudáveis. Do que mais precisamos?

Os butaneses vivem felizes sem terem a maior parte dos bens materiais que nós temos!
A felicidade não está realmente no TER! A felicidade inegavelmente está no SER!
Ninguém em verdade tem felicidade! E por isso ninguém pode dar felicidade, nem fazer o outro feliz, como dizem os apaixonados.
A pessoa é feliz, ou não! A felicidade é um estado de espírito, um estado da alma, uma condição íntima, como dizia Epicuro de Samos, filósofo grego do século IV a.C.
Epicuro dizia que a felicidade é uma condição íntima, um estado interior, e que nós somos senhores dessa condição íntima chamada felicidade.
Quando buscamos a felicidade fora de nós, no outro ou nas coisas materiais, nos bens de consumo, estamos fadados ao insucesso, e à frustração.
Os bens podem ser retirados, e muitas vezes são! Mas o estado interno da alma ninguém pode tirar!
A felicidade deve ser conquistada dentro de nós!

No Butão as pessoas descobriram isso, e acho que devemos começar a refletir sobre o modo de vida deles, comparando-o com o nosso.
Hoje precisamos trabalhar muito para termos uma casa, para pagarmos muitos impostos, para que o governo satisfaça tantas necessidades que não param de crescer.
Estamos a cada dia criando artificialmente mais e mais necessidades. Os butaneses vivem com poucas necessidades, e por isso seu governo não precisa cobrar tantos impostos.
As pessoas vivem quase sem dinheiro, e não precisam dele, pois tiram o sustento da terra, e suas moradias são simples.
Não há de fato necessidade de ninguém se matar de trabalhar para ter as coisas básicas, como nós fazemos em nossa sociedade.
Segundo Epicuro, se quisermos enriquecer, não no sentido material, como buscamos, mas no sentido espiritual, e em termos de felicidade, não devemos aumentar os nossos desejos que nos levam ao consumo frenético, mas devemos, ao contrário, diminuir as nossas necessidades.

Podemos viver de forma mais simples, e com menos bens. Quanto menos desejo de consumo tivermos, e menos necessidades artificiais criarmos para nós mesmos, menores serão as chances de frustração pela não realização dos desejos e não satisfação das necessidades.
A vida mais simples pode nos proporcionar muito mais felicidade do que a vida complexa e cheia de desejos irrefreados e necessidades infindáveis que nos levarão sempre à frustração, porque é impossível satisfazer todos os desejos de uma mente que está sempre a buscar novidades e novos bens achando que eles vão nos dar a felicidade que buscamos.
Vivamos de forma mais simples, com menos bens, com menos necessidades, e com menos desejos.
Controlemos nossos desejos, diminuamos nossas necessidades, e assim seremos muito mais felizes, como os butaneses.
Seja feliz aqui e agora!

Salvador, 05 de junho de 2011.
Luiz Roberto Mattos

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