RENÚNCIA E DOAÇÃO DE SI MESMO

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Sempre me vangloriei de nunca ter comprado uma arma, e de nunca ter saído para as ruas armado.
Não bebo, já há bastante tempo, nem uma gotinha de álcool sequer.
Todavia, uma vez, há muitos anos atrás, andei cerca de dez metros armado em uma rua do interior, depois de ter tomado duas doses caprichadas de bacardi com coca-cola.
Foi a situação que me obrigou a isso. Explico.
Era muito jovem, ainda solteiro, e na época naturalista, vegetariano, e não bebia nada de álcool.
Estava em uma cidadezinha do interior, na casa de primos muito queridos por mim, quando uma situação de risco me levou a colocar um revolver na cintura, depois de tomar duas doses bem grandes de bebida alcoólica.

Estava na rua, com um primo mais jovem, quando alguém foi me avisar que outro primo, mais velho que eu, estava bêbado em um bar próximo, e com um revolver em cima do balcão do bar.
Imediatamente corri para o bar, pois adoro esse primo, e não queria que ele fizesse alguma bobagem.
Lá chegando, encontrei meu primo muito embriagado mesmo, balançando, e vi que de fato havia um revolver sobre o balcão.
Aproximei-me dele, que disse com a voz embolada: “Betão, e aí…”.

Abracei-o e comecei a conversar com ele, distraindo-o para que alguém pegasse a arma, mas sempre que alguém tentava pegar e ele via e segurava rapidamente a arma.
Tentei convencê-lo a me entregar a arma, mas aí ele disse que só me entregaria se eu primeiro tomasse uma dose do que ele estava tomando.
Perguntei o que ele estava tomando, e ele me disse que era bacardi com coca.
Peguei o copo, cheirei, e disse que eu não bebia mais nada.
Ele disse que então não me daria a arma. E continuava a beber, para meu desespero, pois ele estava agressivo, e falava com raiva de algumas pessoas, e eu via a hora de a coisa esquentar.
Depois de muito resistir, cedi, e mandei colocar uma dose para mim, que veio em copo grande.
Tive que tomar todo, ou ele não me entregaria a arma.

Porém, depois que eu acabei de beber tudo, ele me disse que só entregaria a arma se eu tomasse outra dose.
Protestei, disse que ele havia quebrado a palavra, mas ele ria e dizia que dessa vez entregaria mesmo, e deu a sua palavra.
Convencido, mandei colocar outra dose.
Bebi tudo!
Já estava ficando zonzo, pelo efeito da primeira dose.

Então ele me deu a arma, que rapidamente coloquei na cintura, e o convenci a ir para casa comigo, no que ele concordou.
Saímos do bar, e atrevessamos a rua, eu abraçado a ele, para ele não cair, pois estava mesmo bêbado, e pretendia levá-lo para casa.
Contudo, assim que atravessamos a rua ele me empurrou para dentro de outro baz, que ficava do outro lado da rua em relação ao primeiro bar.
Eu era muito magro nessa época, e ele era forte, então seu peso me empurrou e não pude fazer nada.
Porém, meu outro primo, mais novo, irmão dele, rapidamente aproveitou e se aproximou de mim, que rapidamente, aproveitando um momento de distração do que estava bêbado, entreguei a arma para o mais novo levar para casa.
Fiquei mais tanquilo. Pelo menos a arma eu tinha tirado dele.

Dali ele me fez ir até o clube da cidade, que estava fechado, e depois para uma boite, e entrando viu um grupo de rapazes que ele disse ser de inimigos, e falava em brigar. Já quase bêbado, eu disse que estava ali para apoiá-lo, que brigaria por ele, se preciso fosse, mas graças a Deus nada aconteceu, e consegui por fim levar ele para casa, e ele foi dormir.
O que quero dizer com esse breve relato?
Para evitar um possível crime, ou um infeliz acidente de um amigo embriago eu bebi, coisa que não fazia na época, e ainda atressei a rua com um revolver na cintura, o que foi visto por muitos.
Arrisquei-me, passei mal depois, por causa da bebida, mas fiquei com a consciência tranquila, pois ajudei uma pessoa que amava.
Renunciei à minha abstinência de bebida, e me doei, para ajudar um amigo, com todo o risco de eu mesmo ser atingido acidentalmente pelo “fogo amigo”.
Pais, mães, avós, irmãos, companheiros e amigos muitas vezes renunciam a muitas coisas, e se doam em prol da felicidade de outros, e isso é feito de bom grado.
Quanta gente arrisca a vida de graça para salvar um estranho.

Precisamos desenvolver cada vez mais nossa capacidade de amar, de renunciar, quando preciso for, mas renunciar e depois não cobrar do outro, pois a renúncia verdadeira é de coração, e jamais seguida de cobrança. Não podemos “jogar na cara” do outro que renunciamos a tal ou tal coisa por ele.
A doação de si mesmo, do tempo, do trabalho, da energia, etc., também não pode ser seguida de cobrança.
Doa-se quem quer, e quem pode!
Agora, se se doou, não vá depois cobrar nada de ninguém, pois a verdadeira doação não é forç ada.
O maior exemplo que temos de renúncia em prol dos outros é Jesus, que renunciou à própria vida para deixar para a posteridade uma mensagem, um código de conduta que pode nos levar ao paraíso, se seguimos esse código.

Ele se doou ao extremo, doando seu tempo, sua energia, suas palavras, seu exemplo de vida, e doou a própria vida.
Maior exemplo de renúncia e doação de si mesmo é impossível!
Não pretendemos, nem podemos, nos igualar a Jesus!
Todavia, podemos tomá-lo como modelo e tentar trabalhar um pouco a renúncia e a doação de nós mesmos em prol do nosso próximo!
Podemos começar trabalhando a renúncia do egoísmo, do orgulho, da vaidade, da arrogância, da prepotência, etc.
Apenas para refletir, como sempre…

Salvador, 17 de junho de 2011.
Luiz Roberto Mattos

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