A INCORPORAÇÃO COMPLETA

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A palavra incorporação tem o sentido de entrar no corpo, e, quando assossiada à palavra completa, nos dá a ideia de entrar no corpo de forma completa, total.
Desse modo, incorporar é entrar totalmente no corpo, entrar completamente no corpo.
Quando estamos despertos, acordados, em estado de lucidez, ou vigília, estamos incorporados no corpo físico, o que quer dizer que nosso corpo espiritual está totalmente integrado, encaixado, acoplado ao nosso corpo físico.

Essa integração completa de nosso corpo espiritual ao corpo físico se dá membro a membro, órgão a órgão, célula a célula, molécula a molécula, átomo a átomo.
A incorporação em termos de manifestação de um espírito desencarnado é também chamada de psicofonia.
Fonia é fala, e psico vem de psiquê, que é mente.
Assim, psicofonia é a fala de outra mente, de outro ser, através do chamado médium, que é um intermediário.
Allan Kardec chamou essa mediunidade de falante, porque o espírito fala através do médium.
Então, ele deu a denominação de médium falante ao médium que transmite pela sua fala o pensamento de um espírito desencarnado. Essa denominação há muito não é utilizada nos centros espíritas.

Em O Livro dos Médiuns Kardec somente destinou meia página a essa mediunidade, talvez porque ele lidava mais com os médiuns de psicografia e médiuns de efeitos físicos.
Com o título de Médiuns Falantes, Allan Kardec abordou o tema no capítulo XIV de O Livro dos Médiuns. E a leitura desse curto texto demonstra que Kardec não estudou a fundo a mediunidade falante, ou psicofonia, a incorporação.
Ele ali indica aspectos do médium consciente de forma mesclada com aspectos do médium inconsciente.
Há dois tipos de psicofonia ou incorporação: a consciente e a inconsciente.

Na incorporação consciente o médium normalmente está plenamente consciente de todo o processo de incorporação, sentindo muitas vezes a aproximação do espírito, sua energia, suas vibrações, e começa a captar-lhe o pensamento, as ideias, e vai aos poucos transmitindo o que o espírito está querendo dizer, e muitas vezes faz gestos também, de acordo com o que o espírito está fazendo junto a ele, tocando em regiões do corpo onde estaria sentindo dores, etc.
Nesse caso, normalmente o médium se lembra de tudo, ou quase tudo, após a manifestação do espírito.
A consciência ou inconsciência é considerada em termos de estar o médium consciente ou não durante a incorporação. E essa consciência é considerada do ponto de vista do corpo, pois se o médium sair do corpo, o espírito (médium) estará consciente na outra dimensão.

Consciente no corpo, o médium pode interferir na comunicação, pode vetar palavras ofensivas, deixar de fazer gestos violentos, etc., o que é indicativo de controle do médium, e de educação mediúnica, que nada mais é do que a educação do médium. É autodomínio do médium.
Na incorporação inconsciente, ou psicofonia inconsciente, também chamada por amigos espirituais com quem trabalhei no passado e trabalho atualmente de incorporação completa, o médium sai totalmente do corpo, ou seja, ele se desdobra, para usar uma antiga expressão espírita, ou se projeta para fora do corpo (projeção astral), e permite que o espírito que vai se comunicar entre no seu corpo e o assuma temporariamente, mas de forma integral. Nessa forma de incorporação não há apenas transmissão de pensamento, ou ligação parcial do espírito comunicante ao corpo físico do médium, ou ao seu duplo etérico, como alguns preferem.

Nessa situação, diferentemente da incorporação consciente, o espírito comunicante pode – e muitas vezes faz – abrir os olhos enquanto fala. Ele vê e ouve através do corpo físico do médium, como se estivesse vivo na matéria. E se comer algo, enquanto estiver incorporado, o espírito sentirá o sabor do alimento como antes sentia, quando estava encarnado.
Há médiuns desse tipo em casas de trabalho de linhagens outras que fumam charuto e bebem cachaça enquanto estão incorporados, e nesse caso os espíritos sentem o gosto dessas coisas, a que estão apegados.
O espírito incorporado dessa forma (incorporação completa) sente o cheiro das coisas físicas, e também o tato, vivendo temporariamente como se estivesse vivo na matéria, no Plano Físico.
Kardec escreveu em O Livro dos Médiuns, no capítulo XIV, descrevendo em poucas palavras os médiuns falantes, que “Neles, o Espírito atua sobre os órgãos da palavra, como atua sobre a mão dos médiuns escreventes”.
Todavia, com todo respeito ao grande mestre, essa é a situação do médium falante (incorporação, psicofonia) consciente, não do médium inconsciente.
Trabalhei longamente com dois médiuns de psicofonia inconsciente, e ainda trabalho com um, desde 1985, convivendo muito de perto com a realidade desse tipo de mediunidade, tendo acompanhado centenas e centenas de manifestações, observando seus detalhes e nuances, e já ouvi inúmeras explicações de espíritos mentores acerca das características diferenciadas da incorporação que eles mesmos chamam de incorporação completa, quando abrem os olhos, mudam a voz do médium, fazem cirurgias com facas, bisturis, fazem acumpuntura, além de outras coisas que o médium não sabe fazer em seu estado normal, desperto, consciente.
Escreveu Kardec no mesmo texto que “O médium falante geralmente se exprime sem ter consciência do que diz e muitas vezes diz coisas completamente estranhas às suas ideias habituais, aos seus conhecimentos e, até, fora do alcance de sua inteligência”.

Concordaria integralmente com o mestre Kardec se ele estivesse falando apenas dos médiuns inconscientes!
Trabalho com um médium de psicofonia inconsciente através de quem cientistas desencarnados já me falaram de física avançada sem que o médium sequer tivesse alguma vez na vida estudado física; através de quem médicos desencarnados fazem acupuntura sem que o médium possua absolutamente qualquer conhecimento ou tenha feito curso de acupuntura; através de quem médicos desencarnados já fizeram incontáveis cirurgias complexas com faca ou bisturi sem que tivesse saído uma gota sequer de sangue; através de quem espíritos elevados falam de coisas de uma forma que vai muito além da capacidade intelectual do médium, e de sua evolução.
Isso não se dá com um médium de psicofonia consciente!

Nunca conheci um médium de incorporação consciente que operasse com faca, introduzindo o instrumento no corpo do paciente sem tirar sangue, ou que operasse com bisturi com os olhos abertos, demonstrando segurança e conhecimento do que faz, e sem que o médium fosse médico.
Somente acontece isso com um médium totalmente inconsciente, que é a incorporação completa.
O leitor pode então se perguntar agora: Mas como é possível que outro espírito entre no corpo do médium, e o assuma por inteiro, mesmo que apenas temporariamente?
Kardec não dá essa resposta, nem explica isso ao falar ligeiramente sobre os médiuns falantes.
No entanto, no capítulo XXIII (Da Obsessão) de O Livro dos Médiuns, Kardec nos dá uma dica indireta dessa possibilidade de um espírito desencarnado assumir por inteiro, completamente, o corpo físico de uma pessoa.

Kardec trata de três tipos de obsessão: obsessão simples, fascinação e subjugação.
Na obsessão simples, normalmente as pessoas obsediadas (e não apenas os médiuns estão sujeitos a isso) sofrem apenas uma forte e ostensiva influência mental, influência de pensamentos, de ideias. O mesmo se dá na fascinação. Apenas ideias são transmitidas de forma ostensiva à mente da pessoa, podendo levar a uma dominação mental, mas não física.
Já a subjugação, conforme Kardec escreveu no item 240 de O Livro dos Médiuns, “pode ser moral ou corporal”. (grifo do autor).
A subjugação moral, diz Kardec, “é como uma fascinação”, ou seja, na subjugação moral há apenas uma dominação mental, não física.
E o que significa subjugação corporal?

Kardec narra nesse item 240 o caso de um homem que era dominado fisicamente por forças irresistíveis! Ele era forçado, literalmente, a fazer gestos e coisas de forma incontrolada, sem conseguir se dominar fisicamente.
Isso lembra o clássico de terror do cinema dos anos 1970: O Exorcista.
Kardec mais adiante, no item 241 da mesma obra escreveu: “Dava-se outrora o nome de possessão ao império exercido por maus Espíritos, quando a influência deles ia até à aberração das faculdades da vítima”.
O que significa “aberração das faculdades da vítima”?
Kardec não explica!

Penso se tratar da dominação corporal, o que inclui, é lógico, os órgãos dos sentidos, como um todo.
Espíritos amigos com quem tenho trabalhado há mais de vinte e cinco anos, incorporados em um mesmo médium de psicofonia inconsciente, têm dito que o médium nesse tipo de incorporação sai completamente do seu corpo, se projeta, ou se desdobra, por inteiro, e na maioria das vezes é lavado para longe do corpo físico, para que não interfira nas comunicações, e então isso permite que o espírito comunicante se integre totalmente ao corpo físico do médium, se acople, expressão que também gostam de utilizar.
A ligação do corpo espiritual do comunicante com o corpo físico (aparelho mediúnico) é praticamente completa, membro a membro, órgão a órgão, célula a célula, molécula a molécula, átomo a átomo, porém, logicamente, não se dá o desligamento do cordão energético, fluídico, que liga o corpo espiritual e o físico do espírito que cedeu temporariamente seu corpo físico. Se houvesse esse desligamento, haveria o desencarne do médium.
Mantida integralmente a ligação energética ou fluídica tênue entre o corpo espiritual do médium e o aparelho mediúnico (seu corpo físico), ou aparelho psicofônico, o corpo físico (o parelho mediúnico) é inteiramente assumido pelo espírito desencarnado que incorpora. E é por isso que amigos espirituais chamam esse tipo de incorporação de incorporação completa.
Não se pode de forma alguma igualar essa incorporação à incorporação consciente, quando o médium permanece consciente, e fica apenas parcialmente desligado do corpo físico.
A responsabilidade do médium de psicofonia inconsciente, ou incorporação completa, em termos de manutenção de seu equilíbrio mental e emocional é muito maior do que a do médium de psicofonia consciente.

Tenho dito há anos que só se dá a subjugação física, corporal, antigamente chamada de possessão, quando a pessoa é médium de psicofonia inconsciente, ou incorporação completa, pois nesse caso o espírito desencarnado, aproveitando-se do desequilíbrio moral, psicológico, etc., do médium, pode tomar-lhe efetivamente o corpo e assumi-lo por completo, mas apenas temporariamente. Isso pode durar horas, mas jamais vinte e quatro horas seguidas. E jamais de forma definitiva!
Não acho possível haver subjugação corporal, física, ou possessão, de quem não é médium de incorporação completa, ou psicofonia inconsciente.
A subjugação corporal, ou possessão, se dá durante minutos ou horas, mas sempre é interrompida.
Da mesma forma, também na incorporação completa há limite temporal.
Normalmente os espíritos amigos com quem trabalhei e trabalho levam entre uma e duas horas incorporados, de forma completa, e de forma ininterrupta, e só muito raramente levam quase três horas incorporados, porque isso gera um grande desgaste físico e esgotamento energético para o médium.
Já convivi com a subjugação de médium de incorporação completa. E convivo há quase vinte e sete anos (desde 1985) com médium desse tipo, tempo suficiente, acredito, para conhecer um pouco sobre esse tipo de mediunidade.

Já assisti três, quatro, cinco e às vezes até mais incorporações sucessivas em médium desse tipo, na mesma reunião mediúnica, e em cada uma o rosto do médium muda, a maneira de falar muda, e em muitas dessas incorporações o médium abre os olhos, mas dá para perceber claramente que não é o seu olhar, mas um olhar de outra pessoa, e quando os mentores incorporam, usando muitas vezes o que eles chamam de “garganta ectoplasmática”, a voz do médium muda totalmente, ficando meio metálica, e completamente diferente da voz do médium.
Isso lembra os filmes O Exorcista e Stigmata.
O médium de incorporação completa tem a sensação de ter dormido, e geralmente nada se lembra ao despertar.
Pode ter ficado incorporado duas horas fazendo cirurgias, e ao final simplesmente lhe parece que dormiu e acordou, e nada recorda do que foi feito através de seu corpo.
Uma simples transmissão do pensamento, com alguns gestos corporais, como acontece na psicofonia consciente, ou incorporação parcial, não permitiria a um médico desencarnado fazer uma cirurgia complexa usando bisturi, como já tive inúmeras oportunidades de assistir, ainda que sem corte profundo, mas apenas um corte tão superficial que não sangra, mostrando um grande domínio da mão do médium como jamais observei em médico encarnado.
Na incorporação completa praticamente não há animismo!

Físicos desencarnados podem falar longamente através desse tipo de médium sem terem alteradas suas palavras e seus pensamentos; médicos desencarnados podem fazer cirurgias complexas sem interferência do médium; filósofos podem trazer para nós palavras profundas sem que o médium adultere o seu significado.
Hoje, são raros os médiuns desse tipo!
Em mais de trinta anos de experiência com trabalhos mediúnicos, somente tive oportunidade de conviver de perto com três deles. Mas foi o suficiente para aprender um pouco, não tudo, é claro, sobre a incorporação completa.
Que os médiuns que possuem essa faculdade procurem se manter sempre em equilíbrio, pois um grande desequilíbrio pode permitir um processo de obsessão dos mais complicados, que é a subjugação corporal, antiga possessão.
Por outro lado, um médium de incorporação completa responsável e dedicado ao trabalho mediúnico pode servir de instrumento para que espíritos elevados nos tragam conhecimentos avançados do mundo espiritual e façam maravilhas em termos de cura e muitas outras coisas.
Muita Paz.

Salvador, 23 de outubro de 2011.
Luiz Roberto Mattos

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