A QUESTÃO PALESTINA

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Nos últimos dias, tenho acompanhado com muita atenção as notícias sobre o pedido dos palestinos de recohecimento do Estado palestino pela ONU.
Gostaria de comentar a questão Palestina.
Não podemos falar na questão Palestina sem falarmos da origem do povo judeu.
O povo judeu teve sua origem com Abraão, que nasceu por volta do ano 2.000 a.C., e viveu na cidade de Ur, na Caldéia, no sul da Mesopotâmia.
Após receber uma revelação divina, segundo o livro Gêneses, da Bíblia, Abraão deixou seu país de origem acompanhado de sua esposa Sara e um sobrinho chamado Ló, com seus pertences, e se dirigiram para a terra denominada de Canaã, por indicação de Deus. Ali permaneceram até que um período de fome os fez migrarem para o Egito. Nesse país Abraão fez fortuna, e depois de algum tempo retornou para Canaã com sua família, fixando-se em Hebron, nas imediações do Mar Morto.
Abraão e sua família, quando chegaram a Canaã, foram chamados de hebreus pelos naturais da região, palavra que deriva de “ivri”, que quer dizer “o que está do outro lado do rio”, significando que eles eram imigrantes em Canaã, tendo vindo de além rio, que, no caso, era o Rio Eufrates. Os hebreus foram os ancestrais dos judeus, e esse nome, hebreus, era dado aos israelitas por outros povos.

As três principais religiões monoteístas do mundo – cristã, muçulmana e judaica – reconhecem Abraão como sendo o primeiro dos patriarcas de Israel. Ele representa para todas essas religiões a transição da idolatria para a crença em um só Deus, que consideram verdadeiro.
Após ter contato com Iavé, que era Deus para os hebreus, Moisés trabalhou incessantemente para tirar os hebreus do Egito, por orientação de Deus, cujos fatos são detalhadamente narrados na Bíblia no livro Êxodo.
O êxodo ocorreu entre os séculos XV e XII a.C.
Moisés é considerado pela tradição judaica o maior profeta hebreu. Foi ele quem criou propriamente a nação dos judeus.
Davi foi rei de Israel no século XI a.C., durante 40 anos, logo após Saul primeiro rei. A Bíblia relata a façanha de Davi ao derrotar um gigante filisteu com uma funda, em uma batalha. Foi Davi quem fixou a capital de Israel em Jerusalém, cidade que conquistou dos jebuseus, e para onde levou a Arca da Aliança. E foi sob o seu reinado que o Estado de Israel, na antiguidade, atingiu seu esplendor máximo.

Salomão foi o sucessor de Davi, e seu filho. Viveu em meados do século X a.C., e notabilizou-se por sua sabedoria. Foi o rei que conduziu Israel ao máximo poderio militar e comercial, e quem construiu o templo de Jerusalém, chamado depois de Templo de Salomão.
Após a morte de Salomão, por volta do ano 930 a.C., o Estado hebreu foi dividido em dois, chamados de Israel e Judá, enfraquecendo com isso a nação, e permitindo que pouco tempo depois suas terras fossem invadidas e a nação conquistada respectivamente por assírios (722 a.C.) e babilônios (587 a.C.).
Jesus, também chamado de Cristo, nasceu entre os anos 8 e 6 a.C., e morreu provavelmente no ano 32 da era cristã, sem que tenha conseguido convencer a todo o povo judeu a não lutar contra os romanos, mas a amá-los. E pouco depois de sua morte o Sinédrio se transformou em Conselho de Guerra, e insuflou o povo à revolta contra os romanos, que dominavam Israel desde o ano 63 a.C.

No ano 70 da era cristã os romanos cercaram Jerusalém durante vários meses, impedindo a chegada de alimentos e água, enquanto atacavam a cidade. As tropas do general romano Tito, que depois se tornaria imperador de Roma, não deram trégua, até invadirem a cidade e matarem à espada a maior parte da população.
Jerusalém foi totalmente destruída nessa época (ano 70 d.C.), inclusive o grande templo. Os que sobreviveram foram vendidos como escravos para várias partes do Império Romano. E começou-se a chamada diáspora, a dispersão dos judeus pelo mundo romano.
Depois da diáspora, nos séculos seguintes, a Palestina, que era a denominação dada pelos romanos para a região, não expressão judaica, foi sucessivamente ocupada por bizantinos, persas, árabes, cruzados, mamelucos, otomanos e britânicos.
O islamismo nasceu com Maomé no século VI d.C., e logo se espalhou pelo Oriente Médio e norte da África.
No final do século XIX começou-se a fixação de colonos judeus na Palestina, e já havia nessa época movimento na Europa e Estados Unidos para a criação do Estado judeu na Palestina.
Em 1897 foi realizado o Primeiro Congresso Sionista na Suíça, tendo como objetivo a criação de um Estado judeu na Palestina.
Em 1922, quatro anos após o fim da Primeira Guerra Mundial, a Liga das Nações Unidas outorgou o mandato sobre a Palestina ao Reino Unido, e os britânicos facilitaram então a imigração dos judeus para a Palestina, desrespeitando antiga limitação de imigrantes judeus. Mas protegeram os britânicos ao mesmo tempo os direitos dos habitantes árabes.
Em novembro de 1947, apenas dois anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, a ONU aprovou a partilha da Palestina, que era uma região geográfica, mas não uma nação, não um país, e em 14 de maio de 1948 foi proclamado o Estado de Israel. Com isso, os britânicos declararam findo o seu mandato na Palestina e deixaram o país, que foi imediatamente invadido pelos árabes pelo leste e pelo sul, dando início à primeira guerra da Palestina.

Israel esteve em guerra com o Egito e com outros vizinhos árabes. Conseguiu fazer a paz com o Egito graças ao presidente egípcio Sadat, e somente em 1993 assinou acordo de paz com os palestinos, através de Arafat, líder da OLP (Organização para a Libertação da Palestina).
Até os dias atuais os conflitos entre judeus e árabes acontecem dentro de Israel, com mortes de parte a parte. Bombas colocadas em mercados, shoppings, pontos de ônibus, nas ruas, etc., nunca pararam totalmente de acontecer em Israel. Choques na fronteira com o Líbano, com mortes frequentes, sempre acompanhados de bombardeios por parte da aviação israelense aos acampamentos dos guerrilheiros que ficam no sul do Líbano.
Durante a Guerra do Golfo, em 1991, o Iraque lançou vários mísseis sobre o território de Israel, para provocar a sua entrada na guerra contra o Iraque e fazer com que outros países árabes se juntassem e também lutassem contra os Estados Unidos. Este país ajudou Israel a se defender dos mísseis iraquianos, conseguindo a muito custo impedir sua entrada na guerra, porque, se Israel entrasse, poderia ter chegado ao ponto de usar armas nucleares, como bombas atômicas, possuindo Israel pelo menos cem delas. O desastre seria muito grande naquela região.
Os palestinos prometeram declarar independentes alguns territórios dentro de Israel em maio de 1999, o que não ocorreu graças a insistentes apelos de líderes políticos junto a Arafat. E Israel vive há tempo uma guerra civil não declarada entre muçulmanos e judeus. A região continua ainda sendo um imenso barril de pólvora.
Este é apenas um ligeiro e muito sintético resumo da história de Israel e do povo judeu, importante para situarmos a questão Palestina.
Parte dos palestinos não aceita e não reconhece o Estado de Israel.

Alguns desejam até mesmo a extinção de Israel.
Antes da criação pela ONU do Estado de Israel, em 1947, todos que viviam naquela região eram palestinos, independentemente da religião que seguiam, pois a Palestina era uma região, não um país.
Assim, os judeus que ali moravam eram palestinos, como também os muçulmanos residentes na região da Palestina eram palestinos.
Jesus era palestino, e também era judeu.
Quando foi criado o Estado de Israel, da noite para o dia aqueles que eram palestinos e viviam dentro das fronteiras de Israel passaram a ser israelenses, o que não foi bem aceito pelos árabes muçulmanos que se denominavam palestinos. É como pensar nos índios que passaram a ser brasileiros, todos eles.
Com as guerras contra Israel, muitos antigos palestinos acabaram deixando suas casas e pertences e migraram para a Jordânia e outros países vizinhos, e muitos deles até hoje não retornaram para sua antiga pátria.
Com o tempo, foram sendo criadas zonas ou áreas palestinas dentro de Israel, como a Faixa de Gaza, com certa autonomia administrativa.
Agora os palestinos querem que a ONU reconheça o Estado Palestino.

Mais de cem países já fizeram o reconhecimento, inclusive o Brasil.
Poderíamos escrever páginas e páginas analisando e criticando a forma como foi criado o Estado de Israel em 1947.
Todavia, isso não teria efeito algum prático, e não se pode mudar o passado, o que foi feito, e como foi feito.
A realidade é que Israel hoje existe como país, e foi criado pela ONU em 1947, há mais de 60 anos.
Tentar desconhecer a existência de Israel, ou fazer de conta que o país não existe, não o reconhecer como país, como nação, em nada ajuda na questão Palestina.
Fico me perguntando: Como é que a ONU vai reconhecer o Estado da Palestina se esse Estado que busca reconhecimento não reconhece outro Estado – Israel – criado pela própria ONU?
Penso que seria um contrassenso se a ONU fizesse isso!

Como disse o israelense que discursou na ONU, é preciso primeiro que os Palestinos reconheçam o Estado de Israel.
Israel não vai deixar de existir! Então, a única forma de convivência pacífica na região é os dois países se reconhecerem mutuamente, se aceitarem, e se respeitarem.
Se os judeus não fossem tão apegados à religião, colocando-a muitas vezes acima de tudo, e os muçulmanos também, e procurassem ver uns aos outros como seres humanos, e não como judeus e árabes, judeus e muçulmanos, todos poderiam viver pacificamente em um país comum, único, e sem briga.
No Brasil, judeus e muçulmanos convivem tranquilamente, e vivem em um país chamado Brasil, que não é um Estado judeu nem muçulmano.
Quem nasce no Brasil é brasileiro, não importando a etnia, a religião, etc.

Da mesma forma acontece nos Estados Unidos, na Inglaterra, na França, na Alemanha e em outros países.
As pessoas precisam transcender as limitações étnicas, religiosas, culturais, e aprender a ver os outros seres humanos simplesmente como seres humanos, e não como judeus, muçulmanos, árabes, ciganos, etc.
Por que dizer que é judeu americano? O correto seria dizer que é americano, e seguidor do judaísmo, ou americano judeu.
Essa colocação da religião em primeiro lugar, antes mesmo da nacionalidade, é que dá muitos problemas, pois demonstra um fanatismo religioso que não constrói nada.
No futuro, ninguém terá religião, e serão todos religiosos…
Parece paradoxal! Mas não é!
Ter uma religião não é o mesmo que ser religioso!

Os verdadeiros religiosos não matam, não enchem de dinamite o corpo para matar inocentes, não colocam bombas em supermercados, etc.
Os religiosos de verdade são pacíficos, amorosos, bondosos, sabem perdoar, e amam os outros, independentemente de suas preferências religiosas, políticas, etc., porque os verdadeiros religiosos possuem Deus dentro de si, ou melhor, já reconheceram Deus dentro si, o que não aconteceu ainda com muitos que dizem seguir determinadas religiões.
Penso que somente haverá paz de verdade e convivência pacífica verdadeira entre judeus e muçulmanos no Oriente Médio quando os dois lados se aceitarem, se respeitarm, e se amarem.
Sem isso, qualquer acordo de paz será sempre superficial e instável!
Muita paz!

Salvador, 27 de setembro de 2011.
Luiz Roberto Mattos

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