SEXO: UMA PONTE PARA O AMOR

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A primeira coisa que se pode pensar ao ler o título deste artigo é: O que sexo tem a ver com amor?
E para responder esta pergunta precisamos fazer uma rápida viagem mental ao reino vegetal e também ao animal, antes de falarmos da humanidade e do espírito em evolução.
A vida, tal como conhecemos na Terra, vida biológica, orgânica, depende da reprodução para se perpetuar, para que não acabe.
Existem na natureza dois tipos de reprodução: A sexuada e a assexuada, como aprendemos na escola, nas aulas de ciências e biologia.

A reprodução assexuada é aquela que não depende de sexo, não depende do encontro físico entre dois seres vivos, sendo um de cada sexo.
Exemplo desse tipo de reprodução é a reprodução das plantas.
O material genético das plantas é levado pelo vento ou por insetos para outras plantas, como as abelhas fazem com o pólen das flores, que se gruda nas suas patas e depois acaba se prendendo em outras plantas, mas não de forma intencional, e assim o material genético de uma planta vai se juntar ao material genético de outra planta, e dessa forma se dá a reprodução da espécie, sem nenhum contato físico entre as duas plantas.
Com os peixes acontece algo diferente.

A fêmea produz ovos dentro de seu corpo e os despeja no fundo do mar, ou do rio, ou do lago, e depois vem um macho, que nenhuma relação tem com a fêmea, e despeja sobre os milhares de ovos uma grande quantidade de espermatozóide, e com isso os ovos são fertilizados, e nascem novos peixes.
O peixe que colocou os ovos nenhuma relação terá no futuro com os peixes que gerou. Do mesmo modo o peixe que fertilizou os ovos.
Não se forma uma família de peixes, com pai, mãe e filhos definidos.
Com as tartarugas a situação já muda um pouco mais.
Há sexo entre as tartarugas, animais anfíbios, entre macho e fêmea, como acontece também com os cágados, animais puramente terrestres.

Há cópula entre as tartarugas, e é dessa forma que os espermatozóides dos machos fertilizam os óvulos das fêmesas, dentro de seu corpo.
Depois, as fêmeas cavam um buraco na areia de uma praia, onde sentir que é seguro, e depositam os ovos, e os enterram.
Nunca mais a tartaruga que colocou os ovos voltará para ver se os filhotes nasceram, se morreram, se foram devorados por predadores, etc.
Da mesma forma, o macho que copulou com a fêmea nenhuma responsabilidade terá sobre os filhotes.
Assim, não se formam famílias de tartarugas, com pai, mãe e filhos.
Com os pássaros já é um pouco diferente.

Os pássaros copulam, macho e fêmea, e dessa forma os óvulos são fertilizados dentro da fêmea, que depois coloca os ovos em um ninho que ela controi, e fica um tempo chocando os ovos.
Quando os filhotes nascem, a mãe e o pai, quando se trata de pássaros que ficam juntos por longo tempo, macho e fêmea, cuidam dos filhotes, levando alimentos para eles, que colocam em seus bicos, e depois os ensinam a voar, e só então os filhotes passam a ter vida independente, e se desfaz aquele laço curto entre eles, e não há família de pássaros convivendo longamente.
Com os bois a situação é diferente.
Os bois são mamíferos. A fêmea gesta o filhote dentro dela durante dez meses, e quando ele nasce a mãe o alimenta com o leite que produz em seu corpo, que ele suga das suas tetas, e o protege, durante mais ou menos um ano, quando então ele deixa de mamar, e se torna adulto, e então os laços se rompem, não exitindo famílias de bois, vacas e filhotes com longa duração.

Com os mamíferos superiores, como os chimpanzés, por exemplo, há sexo, há cópula, há gestação semelhante à humana, há laços familiares mais longos, há o cuidado mais prolongado com os filhotes, mas isso não sobrevive por longos anos, como acontece entre os humanos.
Com a espécie humana, desde o início da humanidade, foram se formando relações mais estáveis e duradouras entre macho e fêmea, entre homem e mulher, e o cuidado com os filhos humanos se seguia por tempo muito mais longo, pois a dependência da criança humana era muito maior do que a de um macaco.
Enquanto uma vaca cuida do bezerro filhote por um ano, e normalmente depois daí ele segue a sua vida independente, sem manter laços afetivos com sua mãe, o tempo de relação entre os símios é muito maior, e os laços que se formam entre os humanos é ainda mais longo, hoje durando toda a vida física, e indo ainda mais além.

Os humanos se tornaram ao longo do tempo monogâmicos, em sua maioria, e os filhos então passaram a contar com uma família mais estável, duradoura, que lhes dava segurança, proteção, que lhes transmitia conhecimentos, técnicas, que lhes dava carinho e amor, e isso com o tempo criava laços de afetividade.
Podemos dizer, sem medo de errar, que foi na família humana que nasceu a afetividade e o amor.
É na família, normalmente, que recebemos as primeiras manifestações de carinho, e de amor incondicional.
Mães e pais acolhem, protegem e cuidam de seus filhos mesmo que eles sejam disformes fisicamente, e retardados mentalmente. Isso é amor incondicional no seu maior grau!

Raras são as mães, sobretudo as mães, que abandonam seus filhos, seja qual for a dificuldade que se apresente. Isso é um misto ainda do instinto maternal animal com o amor já mais desenvolvido.
Uma vaca, uma gata ou uma galinha morre defendendo os seus filhotes do ataque de um predador!
Também uma mulher é capaz de matar ou morrer por seus filhos!
Muitos pais fazem o mesmo! Mas há pais biológicos que apenas contribuíram com o material genético, e nada mais!

Por isso estou a falar basicamente dos pais que vivem em família, com uma mulher, e seus filhos.
Uma planta não ama as plantas que estão ao seu redor! Um vegetal ainda não tem sentimentos!
Um peixe não ama os filhos que lançou no mundo, e que sequer conheceu!
Uma tartaruga não ama os filhos que deixou dentro dos ovos na areia de uma praia, e que ela nunca conhecerá, pelo menos sabendo que nasceram de um de seus ovos.

Uma galinha, um passarinho, uma vaca e um macaco cuidarão e protegerão com a própria vida seus filhos, mas apenas por curto tempo, e depois eles se separarão e não mais se reconhecerão.
Com os humanos, a evolução cuidou de fazer com que os filhos nascessem mais frágeis e dependentes por mais tempo, para que se pudessem criar laços afetivos mais fortes e duradouros, para o resto da vida.
Assim, hoje há mães com 100 anos ainda se preocupando com o filhinho de 80 anos.
Quando morrem, quando partem de volta para o mundo espiritual, essas mães não esquecem os filhos, e continuam, quase sempre, cuidando deles da outra dimensão, fazendo de tudo para protegê-los.
O carinho, a necessidade de proteção e o amor incondicional nascidos no seio da família não se rompem com a morte!

Toda a afetividade, todo o amor que nasceu na família, enquanto os espíritos estiveram comparilhando a experiência humana carnal, é fruto do sexo, que uniu um homem e uma mulher, e que permitiu a descida de espíritos do mundo espiritual para o mundo material através de um processo de verdadeira materialização orgânica dentro da câmara reencarnatória que é o útero da mulher.
Nós humanos ainda estamos longe de compreender em profundidade o papel e a função divina do sexo!
Ainda desnaturamos o sexo! Pervertemos a sua função natural!

Apegamo-nos demais aos prazeres do sexo, e colocamos esse prazer físico acima da função do sexo!
Hoje, em grande parte do mundo, e para parte da sociedade, sexo nada mais tem a ver com família, com laços afetivos.
A busca hoje é pelo prazer em si mesmo, desvinculado de responsabilidades, e de afetividade.
Os jovens hoje, em muitos países, apenas “ficam”, expressão moderna por eles usada. E esse “ficar” nem sempre envolve sentimentos, carinho, amor. É apenas prazer momentâneo, sem vínculo, sem compromisso.
Isso tem levado as pessoas a ficarem, ficarem e ficarem…a ficarem cada dia mais solitárias!
O sexo, puro e simples, não preenche as necessidades afetivas humanas!

Nós humanos, espíritos em evolução, alguns degraus evolutivos mais acima em relação aos peixes, às galinhas, aos porcos e aos macacos, não deveríamos mais estar usando o sexo apenas como fonte de prazer independente, pois o sexo não foi criado para isso.
O sexo é uma ponte para o amor!
O sexo tem como função unir fisicamente dois seres, cada um contribuindo com sua carga genética, para a criação de outro ser, para permitir que mais um nasça fisicamente na família que começou com o casal.
A evolução espiritual, no nosso ciclo evolutivo atual, precisa ainda da reencarnação, e esta precisa, por sua vez, da reprodução, que precisa do sexo.

O sexo cria a família. Nela nascem os laços afetivos, nasce o amor.
O casal jovem que se casa apaixonado, encantado com a beleza externa, com o tempo vai se amar de forma incondicional, mesmo com a mudança natural da forma externa, que acontecerá com todos quando a velhice chegar, a não ser que desencarne ainda jovem.

Quem só “ama” a beleza externa, deixará de “amar” com o tempo, com o envelhecimento do corpo.
Quem desenvolveu o amor verdadeiro, incondicional, amará o outro velhinho, enrugadinho, desdentado, ou com dentadura; sem cabelo, barrigudo, curvadinho, com todas as doenças degenerativas, e cuidará do companheiro(a) com o mesmo amor e carinho, com o mesmo desvelo da juventude, mesmo sem sexo, e até o fim da vida…
É como no juramento feito na igreja! Amar na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, etc., até que a morte separe fisicamente…e depois haverá o reencontro quando o outro também voltar para o mundo espiritual.

Precisamos ver o sexo não como uma coisa idependente, não apenas como uma fonte autônoma de prazer físico.
Está na hora de ver o sexo como uma ponte para o amor!
Amor entre o casal, amor entre pais e filhos, amor entre irmãos!
Sexo com responsabilidade! Sexo com amor! Sexo gerando amor!
Sexo, reencarnação, família, laços afetivos. Tudo está ligado!
Vamos olhar para o sexo como uma ponte para o amor!

Muita paz.
Salvador, 25 de março de 2012.
Luiz Roberto Mattos

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